segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Agora, eu queria o mar.
O mar, uma dose com muito gelo e papel e caneta.
Queria sentir a areia entre meus dedos quando as ondas se dissolvessem aos meus pés.
Tenho a mania de achar que a natureza inspira. Gosto de olhar o céu, as árvores, e o mar. Principalmente o mar.
Em toda a sua vastidão e plenitude.
Lembro-me que uma vez comparei os sentimentos com a areia. Por serem difíceis de sair e gostarem de água salgada.
Queria um pouco de areia agora, pra combinar com esses sentimentos grudados em mim.
Queria ver o mar, sentir a brisa leve trazida pela maré, lavar o corpo e alma nas águas salgadas. E apenas as salgadas do mar.
Outro dia eu chorei ao pensar no mar. Chorei por ele e por mim.
Chorei por ele ser como eu. E eu ser como ele.
Tão vastos, tão independentes e dependentes. Tão aptos a receber tanta gente e tão acostumados a estarem sozinhos no final da noite.
Queria estar com o mar agora. Ser sua companhia e fazer dele a minha.
Queria ser sua sereia e cantar baixinho ao ouvido do mar. E deixar ele cantar ao meu ouvido.
O mar parece me entender. Não é sempre que vou ao mar, sabe? Mas quando vou, sempre me sinto completa.
Queria o mar em mim e eu no mar.
Queria o mar, uma dose com muito gelo e papel e caneta.
Queria fazer do mar a minha inspiração, queria falar do mar, cantar ao mar e estar no mar. Com o mar.
Quando estou com o mar eu me sinto bem, transparente e sinto que posso tudo. E conto tudo. Fala dos meus problemas, ou os escrevo diante do mar. Escrevo e jogo para o mar ler. Choro diante do mar, desabafo ao mar.
Pensando agora, o mar sabe muito de mim, eu que não sei quase nada do mar.
Agora, eu queria o mar.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

A verdade meu amor, a triste verdade...


É que não existe saudade nos braços de um outro alguém.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Outro dia acordei enrolada em lençóis e lágrimas.
Me levantei, encarei o espelho e não me reconheci.
Faltava o meu sorriso. O sorriso característico que frequentemente habitava os meus lábios, mas que por sua causa, havia sumido.
Meu rosto inchado em parte por sono em parte por choro, exibia uma face que eu nem mesmo queria encarar.
Durante alguns minutos que eu perdi no tempo, tentei manter meus olhos fixos naquela imagem, tentando em vão encontrar similaridade entra ela e eu. Nada.
Lavei o rosto e fiz um chá quente. Estava calor, mas não me importei com isso.
Reli algumas cartas suas, busquei fotografias perdidas pela casa enquanto o gosto doce do chá persistia no paladar.
Encontrei 'registros' nossos. Minha vontade inicial foi chorar, e chorei.
Nunca me nego a vontades.
Chorei como uma criança abraçando papéis. Depois a minha vontade era queimar, e pela primeira vez, me neguei a vontade. Coloquei tudo em uma caixa e tranquei em algum lugar pela casa. Resolvi te esquecer.
Seguir em frente.
Prometi pra mim que não mais me negaria, não mais choraria e não mais sofreria.
Dei um passo em falso pra cruzar a ponte, quando notei sua segurança, resolvi seguir em frente.
Vou atravessar a ponte, agora tenha outra mão me ajudando. Um que não é a sua, mas que eu vou segurar forte e não olhar para trás.

domingo, 24 de outubro de 2010

Hoje eu saí de casa.
Caminhei sozinha entre as ruas vazias de um domingo tedioso.
Coloquei créditos extras no celular pra ligar pra todo mundo da minha agenda telefônica.
Entrei em um restaurante e comi por necessidade, não por vontade. Ao meu paladar, nem gosto tinha.
Tomei uma coca com gelo e limão. Evitei o kuat pra não lembrar de você a cada gole.
Me permiti paquerar algumas pessoas, as quais eu sabia que não passariam de uma paquera.
Observei uma farmácia aberta, pena eles não terem remédio que conserte um coração quebrado. Senti a chuva vindo e não fugi dela. Não me importei com o cabelo ou a roupa, andei sob a chuva e senti-me lavada.
Reparei em algumas vitrines de lojas de roupa e critiquei a falta de senso de moda de quem a arrumou. Dei oi para estranhos na rua.
Peguei no celular umas três vezes pra ligar pra você e mudei de ideia.
Lacrimejei os olhos por detrás da lente escura do óculos.
Fiz uma prece silenciosa em minha mente, renovei as esperanças de um amanhã melhor, me fiz promessas que talvez eu não venha a cumprir.
Notei que estou abdicando de uma vida construída pra ir atrás de futuro incerto, que estou destruindo a minha base apenas para não precisar te ver e sofrer tanto assim.
Pensei em comprar umas cervejas para acompanhar o jogo de hoje. Ainda vou comprar daqui a pouco.
Vi alguns amigos seus passando na rua, eu sei que iam lhe encontrar.
Cantei nossa música pra mim mesma, chutei algumas pedras no caminho, e não me senti mais leve.
Vim pra casa com o mesmo gosto amargo de insatisfação na boca. A mesma tristeza entalada na garganta e as mesmas lágrimas teimando em sair por trás dos óculos.
Agora escrevo pensando no meu 'dia' e vejo que não importa o quanto eu tente, me esforce, saía e viva, vai ser sempre você em quem eu vou pensar a cada passo do percurso.

domingo, 17 de outubro de 2010

Depois de um longo tempo sem escrever, eu voltei.
Não porque antes não tinha o que escrever, mas sim, porque eu não estava sabendo colocar as palavras pra fora, em linhas, versos ou pensamentos perdidos.
Mas hoje, uma coisa boba em um seriado que eu estava vendo fez lembrar de nós. E me fez pensar em escrever.
Ontem eu lembrei de você, antes de ontem eu também havia lembrado. E assim vem vindo esse pensamento a um ano. E antes eu tinha medo de admitir pra mim mesma, que todos os que cruzaram o meu caminho não foram realmente significantes. Não menosprezando ninguém, mas são verdadeiras as palavras que dizem 'ninguém se compara a você'.
Hoje, há pouco, novamente pensei em você. Numa epifania entre um momento com amigos, coisas que eles disseram me fizeram novamente ter certeza de que ninguém é como você.
Hoje, eu entendo porque ninguém me faz amar como eu te amei, como eu te amo.
Porque ninguém tem o que você tem. Ninguém me compreende como você, ou me aceita como você. Ninguém tem olhos apenas pra mim como você. E ninguém fala comigo e me olha nos olhos como você. Ninguém me ama ou pensa em mim como você. Ninguém me beija, me toca ou faz meu coração disparar como você.
E a cada dia eu sinto isso mais intensamente em mim.
Por mais que eu não possa, por mais que eu não deva, eu sinto. E quero.
Te quero mais que tudo no mundo, desistiria de tudo por você e apenas por você.
Não consigo mais negar pra mim ou para o mundo que eu te amo de uma forma que chega a doer. Que é você que vai embalar cada sonho meu pro resto da minha vida, que não importa o que aconteça você vai ser sempre o meu primeiro e o meu único.
Eu te amo, demais.
E amanhã eu vou te dizer isso. Tudo isso.
Olhando nos seus olhos. Daquele jeito só nosso.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010


Senti o gosto de solidão na ponta da língua.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Mesmo que eu chore lágrimas negras e grite
O amanhã irá chegar com uma face não familiar
E eu irei me deparar com a mesma dor
Se esses dias irão continuar
Então, quero ir para bem longe
Mesmo sabendo que isso é egoísmo meu.



Anna Tsuchiya - Kuroi Namida
E eu achando que o amor, que o amor existia.
E você se calava e sorria... Só ria, só.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Eu não sinto mais o seu cheiro.
Por vezes procuro pelos cantos da casa algo que me faça poder relembrar. Por dias a fio, sofro na esperança de algo que me alimente de você.
Ligar já não é o suficiente, te olhar ou ouvir sua voz, já não é o suficiente.
A cada dia que passa, meu ser pena em busca de você.
Um pouco que seja de você.
E quando você está por perto, eu quero mais perto, mesmo sem poder.
E quando você está por perto, eu quero mais perto, mesmo sem dever querer.
Tentei tomar decisões que pudessem me afastar de você, mas nada parece funcionar.
Eu quero, eu realmente quero não ter de depender tanto de alguém, não ter que esperar tanto de alguém, não ter que fechar os olhos todas as noites e ter o mesmo sonho.
Eu quero, eu realmente quero poder sentir tudo isso por outro alguém, ou ao menos deixar de sentir por você, porque eu já não consigo mais conter tanto amor no peito.
Eu quero ir embora, esquecer tudo isso, me esconder de tudo e seguir em frente.
Eu quero ir embora e tentar recomeçar do zero, reinventar, inovar e tentar fazer diferente.
Quem sabe no futuro a gente se esbarre e quem sabe no futuro dê certo...
Mas por enquanto, eu só quero parar de pensar em você.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Close the door.

Sinto muito, eu não posso deixar.
Sei que por vezes você se debate e me sacode para que eu abra a porta e deixe-o sair, mas desculpe-me, eu não posso.
Não consigo me imaginar nesse quarto sem você aqui. Sem os vestígios de sua presença aqui.
Claro que ter apenas uma camisa com seu perfume e imagens soltas que eu vejo em paredes brancas não é a mesma coisa que tê-lo pessoalmente, mas ainda é algo de você e não posso deixar esse algo ir embora também.
Sinto muito, mas não posso abrir a porta.
Eu não consigo imaginar esse quarto sem as tuas lembranças. Por vezes, implorei e briguei comigo mesma querendo me impedir de mudar algo.
Por vezes lutei por dentro e modifiquei coisas.
Mudei de casa, de quarto, coloquei móveis novos, tirei móveis antigos.
Mudei as coisas de lugar e joguei fora roupas que me lembravam você.
Queimei cartas, rasguei cartões, corte fotos.
Mas nada.
Você ainda continua em mim. Chorei tudo o que tinha e podia pra tentar te lavar daqui, mas nada adiantou.
Te sinto aqui, hoje, tanta quanto te sentia há anos atrás. E por mais que você me olhe e lacrimeje pedindo que eu lhe deixe ir, eu não deixo.
Sei que me machuca, me dói e me corrói manter essa lembrança tão fixa em mim, mas já não suporto a ideia de te ver partir totalmente.
Preciso de você e dessa coisa que me alimenta.
Eu sigo sorrindo e 'amando' e vivendo, mas te trago em mim.
Então desculpa, mas não tenho forças pra abrir a porta e te deixar partir.
Mesmo que você não esteja mais comigo, eu vou sim, me agarrar a sua lembrança.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010



Na verdade eu não acredito mais em para sempre.
Queimei todos os livros de contos de fadas, quebrei todas as bonecas lindas e perfeitas que teriam um futuro magnífico ao lado de bonecos igualmente formidáveis.
Exclui todas as músicas que falam sobre amores patéticos e apaguei todos os filmes e seriados com cenas românticas e ilusoriamente encantadoras.
Não acredito mais no para sempre.
Nem mesmo me lembro qual foi o último em que acreditei.
Tudo o que posso dizer hoje, é que deixei de ser crédula em muitas coisas, uma delas foi o amor.
Não que eu esteja sofrendo desesperadamente por senti-lo. A questão é justamente o contrário, eu não o sinto mais. Ele já não toca minha campainha ou me liga ou me tira o sono em meio à noite.
Ele já não está aqui.
Vou dormir sossegada e quando quero. Não há mais uma sombra no meu quarto sussurrando palavras doces em meu ouvido. Não há mais nada.
Não há mais companhia e quando falo sobre companhia, falo sobre amor.
Há sim, pessoas que vem e vão, umas demoram uns dias a mais que outras, mas no final, sempre se vão e levam junto qualquer esperança mínima de que o amor parta dali.
Elas se vão e nem sequer me deixam sua falta. Taí a prova de que não houve mesmo amor em nenhum momento da noite. Ou das noites, dependendo do meu humor.
Ou dependendo do porre.
Nisso sim eu acredito. Na diversão, na bebida, nos amigos, mas nunca acredito num quase alguma coisa qualquer que poderia surgir naquela cama em alguma noite.
Hoje tudo que eu vejo ou ouço sobre romance, se resume a nada pra mim. Não me atraí, não me instiga, não me acende. Nada. Não há nada.
O copo de vinho e a solidão são meus únicos companheiros. Talvez no fundo, bem lá no fundo eu sinta falta de algo mais, porém é difícil de admitir.
Depois de certo tempo usando a máscara, não é tão fácil tirá-la e mostrar sua vulnerabilidade. Você se acostuma com a pose de forte e de que tudo vai ficar bem.
E quando você desacredita de tudo é que a máscara cola mais no seu rosto.
Às vezes repetimos uma mentira pra nós mesmos tantas vezes, que no final da noite é provável que acreditemos nela.
Quem precisa de companhia na noite quando se tem a máscara da inércia?
Inércia. É isso mesmo.
Depois de desacreditar de tudo, resta apenas a inércia. Talvez inércia seja o nome da minha solidão. Nunca perguntei o nome dela.
De qualquer forma, mesmo sem saber seu nome, sei que é ela que me acompanha e que dorme comigo todas as noites. E pelo menos sei que pra ela eu não preciso fingir.
Posso chorar, praguejar e quebrar copos na parede, que ela silenciosamente acompanha o meu sofrimento sem maiores manifestações.
E depois deita comigo sem perguntas ou porquês.
Hoje, eu só acredito nela.
Só acredito na solidão.
Mas não acredito mais em para sempre.
Tanto que por vezes acordo no meio da noite pra ter certeza que a solidão tá ali, porque nem ela eu sei se vai ficar sempre comigo.
Talvez algum dia eu tenha apenas a mim mesma.
E nada mais.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

E mesmo que eu sorria e diga o contrário, só eu sei que ainda vou chorar por você à noite, que ainda vou me culpar pela sua partida, que ainda vou esmurrar as paredes e praguejar contra o amor. E mesmo que eu gaste e desgaste meu vocabulário enfatizando que não te amo mais, só eu sei que essa é a mentira que corrói minha alma.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Meu cansaço.

Cansei.
Cansei de chorar lágrimas minhas nunca correspondidas, ou lágrimas de outros que eu nunca poderia corresponder.
Cansei de esperar a campainha tocar ou dormir com o telefone do lado.
De dizer palavras que ninguém nunca vai se importar ou de ouvir palavras que não fazem diferença pra mim.
Cansei de agarrar o travesseiro pra acreditar que seu cheiro ainda está ali.
Cansei de esperar demais das pessoas e me decepcionar no final, ou de decepcionar as pessoas no meio do caminho.
De escrever palavras que talvez você leia, talvez não e que no fim dão no mesmo.
De ouvir canções que me fazem te lembrar ou de ouvir canções pra tentar te esquecer.
Cansei.
De gritar nomes perdidos na noite com a tola esperança de que alguém responda. De fazer promessas pras paredes e de ouvir promessas tão vazias quanto o apartamento agora.
Cansei dessa vida vazia que eu finjo estar sempre transbordando de cheia.
Cansei de sentimentos, de pensamentos, de 'quereres'.
Não quero mais nada, não espero mais nada, não vou sentir ou pensar mais nada.
Vou me adaptar a inércia, vou me desapegar de tudo, vestir a armadura e esquecer o que é o amor.
Ah, o amor. Cansei principalmente dele.
Dele e de seus truques malditos, armadilhas ferrenhas e pesares tristonhos.
Dele e de suas correntes apertadas demais e suas doses de entorpecente.
É, cansei baby.
Do amor, de você e de mim.
Simplismente cansei.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Pra ter certeza do sentir.

Existem pessoas que são más por natureza, existem pessoas que se tornam más por estarem lutando por algo que querem muito.
Maldade, igualmente a bondade é uma questão de visão.
Às vezes a maldade não é intencional, a pessoa só não sabe mais o que fazer pra não sentir aquele vazio toda vez que deita a cabeça no travesseiro.
Talvez o ato da maldade também não a deixe feliz ou com a consciência limpa e mesmo que no final da noite a pessoa tenha raiva de si mesma por ter cometido uma maldade ela ainda assim está feliz. Por sentir raiva.
Por ainda ser capaz de sentir, qualquer coisa que seja.

domingo, 8 de agosto de 2010

Eu só queria que você devolvesse o meu coração...



Pra eu poder dá-lo a alguém.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Um corpo parado, continua parado.

E na maioria das vezes eu olho os outros rostos com o intuito de que algo desperte dentro de mim.
Inútil. Sorrir e receber sorrisos se tornou inútil.
Não há nada, não há mais nada aqui dentro.
Às vezes o vazio parece tão grande que eu me perco e não sei dizer o que se sinto, ou se ao menos sinto algo.
Fico irritada quando penso em me mover, em seguir em frente, não é que eu não queira prosseguir, é que eu não sei como, juro que não sei.
Toda a indecisão que habita aqui dentro, acho que é inércia.
Sim, é isso, claro.
Inércia.
Um corpo parado tende a continuar parado.
Um corpo se movendo tende a continuar se movendo em velocidade constante.
Estou parada.
E parada continuo. Continuarei, até que alguém me empurre ou me puxe.
Por isso eu olho outros rostos com o intuito de que algo desperte.
Isso, eu quero uma pedra quebrando o vidro da minha janela, um carro batendo na traseira do meu carro e me sacudindo. Quero algo que me acorde, me desperte desse sonho constante, onde eu continuo parada.
Se estou parada, não há continuação.
Aí eu vagueio e volto ao nada, a esse vazio aqui dentro.
E ficamos assim, eu, a minha inércia e os sorrisos que talvez um dia despertem algo.

sábado, 31 de julho de 2010

Entre a luz e as trevas.

Por mais que eu prefira me trancar aqui no meu quarto escuro e ignorar os humanos lá fora, a minha curiosidade sempre me faz querer olhar aquela fresta na janela. Ver que luz quente é aquela que teima em invadir a minha escuridão.
Por vezes não quero essa luz, mas ela me parece tão acolhedora, parece tão boa e confortável, que me faz querer abrir a porta.
Ai eu brigo comigo mesma por causa disso e acabo por abrir uma parte.
O problema consiste aí, reside aí.
Quando eu abro um pouco pra 'espiar' a luz invade o quarto todo, escancara a porta e me preenche. E derrepente meu mundo não é tão mais escuro.
E eu vou em busca dos sentimentos acolhedores que aquela luz oferece.
E peno, e sofro e busco. E encontro. Encontro sim.
Mas ele não é doce. Não me causa aquela mesma sensação de outrora.
Ele fere, queima, machuca. Impregna.
E causa dor e sofrimento.
E eu choro e sou consumida pela luz que eu acreditava ser benigna e não é.
E a culpa é sua, é dele, deles, de todos.
De todos os que sorriem e gritam que os sentimentos são bons e que tudo é feliz.
A culpa é sua e de todos e minha também que não sei lutar contra a minha curiosidade e me entrego a tudo isso.
E acabo por gostar e me apegar, e me entregar. E amar demais.
Querer demais e ficar em dúvida. E machucar pessoas e me machucar.
Então quando eu não mais suporto a dor, eu fecho a porta.
E me tranco no quarto escuro.
Não, não sorria. Não faça a luz entrar por baixo da porta.
Não me obrigue a abrí-la e passar por tudo novamente.
Não sei se suporto.
Não mais.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Pedidos e vômitos.

Tem horas que tudo o que eu faço é pedir.
Pedir que a roda pare de girar, porque todos esses sentimentos e pensamentos se misturando dentro de mim me dão ânsia de vômito.
E então eu corro pro meu banheiro, o papel, e vomito todas essas palavras confusas que ninguém vai entender. E por vezes nem eu entendo.
Tudo o que eu faço é segurar ao máximo enquanto a roda gira e quanto não aguento mais, solto tudo de uma só vez.
E quem dera eu pudesse me sentir aliviada depois disso, mas não.
A roda continua a girar e a misturar as coisas como num liquidificador e depois de um tempo eu volto a ter vontade de vomitar.
E volto aqui e despejo tudo novamente, gira, enjoa, despejo. Um círculo vicioso.
Círculos me dão enjoo.
Então eu peço pra rodar parar.
Peço pra essa voz aqui dentro se calar, o seu nome sumir da minha mente e esse sentimento sair do meu coração. Peço pra parar de vomitar palavras sem sentido pra tentar explicar esse sentimento que tem menos sentido ainda.
Peço pra ter forças pra esquecer de tudo e seguir em frente. Peço pra poder sonhar que estou voando, ter a sensação de liberdade ao invés de ter seu rosto me prendendo todas as noites. Peço pro teu cheiro sair do travesseiro ou pro teu sabor sair da boca quando eu escovo os dentes.
Nada adianta, eu acordo chorando e pedindo.
Nada adianta, eu durmo chorando e pedindo.
Tem horas que tudo o que eu faço é pedir.
Quero ver em qual hora eu vou ser atendida.

domingo, 25 de julho de 2010

Ao alcance das mãos e as lágrimas sofridas.

Se hoje, aqui e agora eu pudesse te alcançar, tenha certeza que talvez eu o ferisse.
O seguraria com todas as minhas forças, e unhas e dentes e te prenderia entre os meus braços de forma que não houvesse espaço algum entre nós.
Se hoje, aqui e agora eu pudesse te alcançar, eu te abraçaria forte e apoiaria a minha cabeça em teu peito e choraria todas as dores que trago comigo. Porque você é meu acalento, meu sustento, meu complemento e minha cura.
Saiba que eu derramaria sobre ti todas as minhas amarguras, as minhas tristezas e as feridas que tanto queimam durante a noite.
E eu talvez te machucasse com tudo isso, mas eu sei como você é. Sei que apenas sorriria, diria pra eu ficar em silêncio e apenas chorar, porque só você sabe como agir comigo.
Sei que se hoje eu te tivesse comigo, todas essas lágrimas solitárias que eu despejo noite após noite seriam secas com um beijo e um mexer nos cabelos. Sei que toda essa dor latente seria curada com seu sorriso e a promessa de que tudo vai ficar bem.
Se hoje eu pudesse te alcançar eu gritaria meu amor e imploraria teu perdão, e me arrastaria aos teus pés, pois reconheço os pecados que cometi.
Se hoje eu pudesse te alcançar eu te prometeria a eternidade, o sentimento supremo e toda a devoção que se possa existir.
Mas eu não te alcanço e ao contrário, a cada dia você se afasta mais.
E segue seu caminho segurando uma outra mão, enquanto eu não consigo sequer me desprender da lembrança de quando você segurava a minha. E eu fico ao longe vendo tuas costas quando você vai embora e choro.
Choro sozinha, abandonada, como faço agora. E desconto minha raiva em outros e faço merda sobre merda e peço que o mundo se dane.
Que tudo caía e se acabe e que me levem junto da total destruição.
Eu não consigo, não posso existir sem você. E quanto mais eu sorrio, e beijo outras bocas e tento novos amores, mais eu me sinto só no final da noite e abraço o travesseiro chorando lágrimas suas.
Maldita falta de você que ocupa tanto de mim que eu acabo por me esquecer.

sábado, 24 de julho de 2010

Você, eu e o pedestal entre nós.

O que me destrói na verdade, é a sua grandiosidade.
E como você me parece sempre tão distante e inalcançável.
É ver como as pessoas se aglomeram ao seu redor, e te admiram, e te adoram, e o fato de eu ser apenas mais uma entre elas.
O que me destrói é poder te tocar, mas saber que você não se sente tocado entende?
Destrói-me o fato de você sempre sorrir e fazer meu coração aquecer-se apenas com isso. E você sorri de forma despretensiosa e não sabe o efeito que isso me causa.
E sorri pra todo mundo e trata todo mundo bem, inclusive eu.
Às vezes me pergunto se não seria melhor pra mim, não ter que ver o seu rosto sorridente, ou ouvir a sua voz e ver você falar o tempo todo que tudo está bem, que tudo sempre vai estar bem, quando nada está bem pra mim.
O que me destrói é ter que mentir pra você, mentir pra mim e mentir pra todos ao redor que eu não me importo, que posso já seguir em frente e que acredito inocentemente que vou encontrar alguém para mim.
Destrói-me ter que fechar os olhos e pensar em você e saber que naquele mesmo momento você deve estar pensando nela. Fere-me saber que são os beijos dela que você deseja, que é o amor dela que você preza e busca.
Fere-me, machuca, dói. E faz sangrar. Mas você não vê, ninguém nunca vê.
O que me machuca é olhar outros olhos, beijar outras bocas e acalentar-me em outros braços apenas para suprir a falta dos teus.
Isso quando eu consigo querer outros braços.
Incomoda-me te ver ali, tão perto dos olhos e tão longe do alcance das mãos. E quando os meus dedos esticados te alcançam, você segura minha mão, sorri e diz que uma hora vai passar e depois a solta.
A deixa caída, igualmente eu fico por dentro. Caída. Quebrada. Despedaçada.
Como uma rosa.
Como um das rosas que todos colocam aos teus pés ao venerar-te.
O que me destrói é o fato de você ser inalcançável, inatingível e parecer sempre tão superior a mim.
Mas o que eu me pergunto sempre é: será que se você olhar para baixo daí do seu pedestal, vais conseguir ver as lágrimas secas em meu rosto?

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Minhas muitas raivas de mim mesma.

Odeio essa minha ingenuidade. Odeio essa minha maneira de lidar com as coisas e acreditar fielmente de que uma hora vai dar certo.
Queria na realidade ser pessimista, ou realista se quiserem assim chamar. Na verdade eu sou, sou muito realista, mas não quando se trata das coisas que eu quero.
Quando se trata das coisas que eu quero eu acredito piamente até o fim. Por vezes até mesmo depois do fim.
Talvez seja a minha força de vontade, a minha nunca desistência ou se quiser assim chamar a minha ingenuidade.
Odeio essa minha ingenuidade e toda a credulidade que existe em mim.
Na verdade não queria ser tão crédula, e ultimamente acho que aos poucos o meu crer está se esvaindo. Certa vez achei que isso seria bom e quem sabe ainda o seja.
Quero na verdade não é crer ou deixar de crer, quero na verdade é apenas lidar com o real, sem alimentar falsas esperanças ou sem desacreditar de tudo.
Quero acreditar no que for pra acreditar e não acreditar no que não for pra acreditar, simples assim.
Mas comigo nunca funciona. Sou 8 ou 80 e também odeio isso em mim.
Queria saber ser mais parcial, mas sou exageradamente exagerada. Quando quero, quero muito ou então não quero absolutamente nada.
E agora eu estou desacreditando. Talvez dos sentimentos, talvez de mim mesma, ou talvez das outras pessoas. Ou talvez eu esteja desacreditando de tudo, sou 8 ou 80.
Só sei que sinto demais e é justamente o meu sentir que me irrita tanto. E eu sempre acabo estragando as coisas no final por insistir demais.
Odeio a minha insistência.
Odeio o fato de conseguir guardar um sentimento por tanto tempo intocado dentro de mim. E me envolver com outras pessoas e sorrir, e brincar, mas ainda alimentar aquele sentimento que por vezes ninguém nem sabe que existe.
E odeio demorar demais pra expor ele e quando expuser não levar a nada.
Odeio meu sentimentalismo idiota e a minha tosca ingenuidade em acreditar que vai dar certo, porque não dá, nunca dá.
Odeio tantas coisas em mim que por vezes não acredito que alguém me possa gostar. E voltamos a minha falta de credulidade ultimamente.
Aí quando eu penso nos meus muitos defeitos entendo o porquê eu me sinto tão só. E entendo porque no final não deu certo.
Então eu tranco o sentimento de novo e deixo-o lá.
Quem sabe um dia... Ou não.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Solidão e roupa suja.

No final, eu sempre prezo pelo querer.
Pelo meu querer pelo querer.
No final, eu sempre deixo a emoção falar mais alto que a razão e acabo em lágrimas. depois eu as seco, sorrio, sigo em frente até o momento eu onde vou cair no mesmo buraco e sujar as minhas roupas.
E o pior é saber que depois eu vou chegar em casa e não vai ter ninguém me esperando. Eu vou estar lá, sozinha. Ouvindo alguma música romântica e bebendo vinho. E a roupa suja também vai estar lá. Sozinha. Seremos duas sozinhas.
Tudo culpa do querer.
Dele e da minha incapacidade de ir contra ele.
No fim eu sei que por mais que eu diga não, quando eu quero dizer sim, eu vou acabar dizendo sim.
Talvez seja estupidez ainda olhar pelo vidro da janela e esperar que você apareça;
Talvez seja ingenuidade acreditar que ainda resta esperança.
Eu não sei ao certo o que pensar, e esse monte de gente me cercando piora a situação.
As pessoas não entendem que eu não quero nada com elas. Não entendem que eu não quero nada com nada que não seja você;
Ou talvez o problema seja exatamente ao contrário.
De tanto querer eu acabo por querer a todos e acabo por dar falsas esperanças para os outros esperando que você me dê esperanças.
Já não sei ao certo sobre o querer.
Só tem algo que eu sei realmente.
É que quando eu voltar pra casa, eu não vou ter ninguém pra conversar enquanto eu lavo a minha roupa.

terça-feira, 13 de julho de 2010

A falta de totalidade e nada de final feliz.

Eu posso passar anos, e meses, e dias, e horas, e minutos assim. Aqui, te esperando e esperando que a porta se abra e eu possa ver o seu sorriso. Bem ali, naquele canto, como se você nunca tivesse ido.
Eu posso fechar os olhos e ficar aqui, em mim, acreditando que quando eu os abrir, você estará ali do lado, daquele mesmo jeito. Dormindo de frente pra mim, porque antes de dormir, gosta de me ver dormir.
Eu posso suspirar e olhar o relógio acreditando que quando der determinada hora o celular vai tocar e você vai me dizer que saiu do trabalho e vai me chamar pra comer algo no restaurante chinês.
Posso viver aqui, sozinha, relembrando os filmes, as músicas, as flores, os chocolates e relendo esses cartões. Eu posso viver assim, talvez não seja saudável mesmo, talvez eu deva esquecer tudo isso e seguir em frente.
Mas me parte o coração ouvir a sua voz ao telefone me dizendo que no final eu vou ficar bem. Que daqui a pouco vai passar, que você entende o que eu estou sentindo, mas que se eu cheguei até aqui, eu posso ir adiante sem você.
Que eu vou encontrar um novo amor, que eu vou ser feliz e que tudo vai ficar bem. E repete que tudo vai ficar bem, ficar bem e ficar bem.
Não. Nada vai ficar bem sem você. Sim, eu posso beijar outras bocas e até mesmo amar outras pessoas, mas nunca com esse amor. Nunca com essa totalidade.
O problema é justamente esse, a falta do total. Eu nunca consigo ser totalmente eu com outro alguém ou me doar totalmente a alguém. Sempre vai haver um pedaço seu, e por menor que ele seja um dia, ainda vai estar ali. Amanhã e depois e depois.
Então não venha me dizer que tudo vai ficar bem ou que amanhã eu já vou ter esquecido.
Não venha me iludir de que há uma príncipe encantado esperando por mim em algum lugar e que ele e eu seremos infinitamente felizes. Não me venha com conto de fadas, baby.
Eu aprendi a desacreditar deles desde quando você se foi.
Se o meu final feliz não foi com você, não vai ser com ninguém.
Só vou ter um final, como todo mundo. Não fui escolhida como princesa para ter um final feliz.
Sou simples e teria simplismente um final.

domingo, 11 de julho de 2010

Amor e tatuagem.

O amor é como uma tatuagem.
É gravado e quando tentamos apagar acaba deixando uma marca que ficará em nós para sempre.
O amor é como uma tatuagem.
Fere, queima, machuca, gruda na pele, pode ser apagado, mas nunca, nunca será esquecido que ele já esteve ali.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Sentimentos e areia.

Descobri que sentimentos grudam na pele como areia.
E por vezes incomodam tanto, senão mais que a própria areia.
Descobri também, que a areia saí quando se lava, mas que os sentimentos não.
Descobri que a areia gosta de água salgada. Mais um ponto em comum entre os sentimentos e areia.
Acho que por isso o sentimento nunca saiu. Porque eu o lavava com água salgada, as lágrimas.
Sentimentos são como areia, incomodam e gostam de água salgada.
Talvez eu deva lavar os sentimentos de outra forma.
É. Acho que é isso.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Superhero

I need a superhero
Cause I am just a girl
And I have no one who will go
And save me from this world.






The Pretty Reckless

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Enquanto tiver essa voz gritando por você aqui dentro, vai ser difícil dar espaço pra outro alguém.
Enquanto tiver o seu nome tatuado em meu ser, vai ser difícil dar espaço pra outro alguém.
Então não me olhe com essa cara de 'você vai superar', não me peça pra seguir em frente e não me diga que há tantos outros espalhados pelos cantos, por enquanto você estiver em mim, vai ser difícil dar espaço pra outro alguém.

sábado, 26 de junho de 2010

"Todo mundo é capaz de dominar uma dor, exceto quem a sente."

Juro eu, aqui e agora, que outrora obtive o controle, porém já não me é mais permitido lidar com a situação ao qual me encontro.
Quisera eu poder mandar tudo pelos ares e seguir em frente com a cabeça erguida.
Mas me pego presa em lágrimas que além dos lençóis, mancham-me a face. Maldita dor que não cura com injeções, malditas feridas que não cicatrizam com remédios.
Quisera eu poder ignorar a dor latente em meu peito e sorrir abertamente dizendo tudo estar bem. Não posso mais enganar-me ou ludibriar aqueles que me cercam com tamanha falsidade. Já não obtenho o talento de iludir os olhos alheios, nem tão pouco tenho o dom de iludir a mim mesma.
Antes eu pudesse afogar-me em minhas mentiras ao invés de minhas lágrimas.
Antes eu pudesse ter o controle sobre os meus sentimentos ao invés de minhas ações.
Como é duro, oh Deus, sentir o chão esvair-se abaixo dos pés, o céu enegrecer-se sobre a cabeça e o coração partir no peito. Como é duro, oh Deus, não poder controlar os pensamentos que me levam até ele até no menor segundo de minha pobre e insignificante existência.
Mas não, me foi dado o castigo de viver por um amor que poderia matar-me. Doce travessura do destino em fazer um joguete com a vida e a morte.
Mas para quem crê que o destino me deu uma solução com esse trocadilho maldoso, desconhece o fato de que acima de tudo ele deu-me também a covardia.
Sendo assim, nem posso optar por colocar um fim tenebroso e rápido nessa valsa das lamúrias.
Tenho que viver e conviver com o fato de não o ter ao meu lado, e acima de tudo ver outra o tendo.
Quisera eu poder socar a face odiosa do destino por privar-me de tal controle sobre o sentir e por jogar-me na cara além de tudo, que eu tenho de alimentar esse amor doentio existente em meu ser.
Oh, quisera eu poder abdicar de tudo para viver na mais perfeita paz.
Mas a quem eu quero enganar?
Não o posso já disse, não há mais máscaras e já não posso mentir para os outros, não sou mais um personagem e não há mais público.
O destino ainda deixou-me mais um presente: eu sei, aqui em mim, nesse meu ser fraco e desajustado que mesmo que eu pudesse optar por não sentir, eu não o faria.
Sei, aqui em mim, que se me fosse permitido esquecer-lhe eu iria preferir a dor de mil facadas a isso.
Sei, aqui em mim, que prefiro morrer de dor ao passar a minha existência sem sentir por ti esse amor tão único e esplendoroso.
Então, oh Deus, perdoe-me por meus pecados e prossiga com sua punição.
Prefiro isso à viver em paz sem ter conhecido a face dele.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

'Eu perco o sono e choro...'

É inútil tentar lutar depois disso, meus pés estão cansados, minhas mãos estão feridas e o meu coração está sangrando. Pisaram sob o meu castelo de areia, ele foi derrubado pela água salgada, mas não a do mar, a dos meus olhos.
Oras a quem eu estou enganando? O seu perfume não estão mais nessa blusa que eu agarro como um fio de esperança, a sua voz não ecoa mais pela casa e eu nem lembro qual o beijo do seu gosto, por mais que eu puxe pela memória.
O seu telefonema mais cedo e o timbre da sua voz me mostraram que não há mais esperanças. Que aqueles que inventaram os finais felizes são mentirosos que nunca passaram pelo sofrimento que agora me corrói.
Eu não abro mais a porta, não atendo o celular, nem respondo meus amigos no msn. Meu dia se reduziu a assistir filmes românticos e chorar desconsolada relembrando pequenos momentos nossos.
A quem eu estou enganando? Eu não tenho mais forças nem mesmo para sair de casa, nem mesmo pra desabafar com alguém.
Você pediu que eu não mandasse mais mensagens, não mais te ligasse ou procurasse, foi o mesmo que pedir para que eu não mais viva.
Mas eu sou covarde demais até para morrer. Bem queria poder largar tudo isso pra trás, bem queria poder não ter que sentir essa dor constante aqui no meu peito.
Eu não tenho mais o seu cheiro, não tenho mais o se gosto, nem a sua voz ou sua presença.
Eu havia dito que não queria mais minha vida se não tivesse nela uma ligação para com a sua, e agora que você quebrou os laços, o que eu faço?
Como eu posso me manter de pé, se suas palavras me tiraram toda a força?
Como eu posso me manter bem, se suas palavras me causaram toda essa dor?
Como eu posso sorrir, se apenas me sobraram as lágrimas e uma camisa antiga que eu ilusoriamente tento sentir teu cheiro nela?

terça-feira, 22 de junho de 2010

'Os mesmos pés cansados voltam pra você...'

Mesmo aqui e agora, diante do espelho, após tantos anos, ainda posso ver a sua imagem repletida nele, ao meu lado.
Com aquele mesmo sorriso despretencioso, o olhar bobo e as mãos firmes me segurando pelos ombros, com um tremor notável de quem tem medo de que eu me perca no caminho.
Ainda sinto pela casa o som da sua voz, a sua risada baixa, ou o perfume da sua pele. A camisa que eu visto já foi sua, ela ficou presa junto comigo num mundo fantasioso de algum lugar do passado.
Aquela música que representou na nossa história tá repetindo no som durante o dia todo. Eu me pego jogada no colchão assistindo um filme romântico no computador, daquele mesmo jeito que nós fazíamos. Vou de mercado em mercado a procura do mesmo chocolate, dos mesmos biscoitos e aquela mesma garrafa de guaraná kuat. Cozinho o meu macarrão, arrumo a casa, tudo revivendo cada uma das nossas lembranças juntos.
As lágrimas, os olhos inchados, a voz tremida e as mãos que digitam aqui agora, são suas e existem apenas por você.
Eu não brinco quando eu te falo, você ri, diz que eu vou superar e vou ficar bem, mas eu não brinco quando eu falo que não quero em minha vida mais nada que não tenha relação com a sua.
E por mais que me doa admitir, eu sei que errei. Sei que a culpa foi minha e sei que mesmo agora, tarde demais, eu ainda estou aqui. Ligando pra ouvir a sua voz ou passando em frente ao seu trabalho apenas pra te olhar por breves instantes.
E mesmo agora, bem aqui, onde sei que muitos vão me julgar eu admito meus erros.
Me ponho em frente teu julgamento, teu e de tantos outros que vão fazê-lo. Admito que fui burra, que errei, que procurei você em outros por tantos anos a fio que acabei por perder a conta de em quantas bocas busquei teu sabor.
Mas justamente por admitir, vi que estive errada e por isso, esses pés descalços voltam pra você.

E eu sei e você sabe que nada será igual, não como fomos. Nunca será igual.
E então eu te mando meu recado, prezo meu silêncio e rezo sozinha para que meus sentimentos te alcancem, te toquem e te tragam de volta pra mim.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Love Will Show You Everything

Today, today I bet my life
You have no idea
What I feel inside
Don't, be afraid to let it show
For you'll never know
If you let it out

I love you
You love me
Take this gift and don't ask why
Cause if you will let me
I'll take what scares you
Hold it deep inside
And if you ask me why I'm with you
And why I'll never
Leave
Love will show you everything

One day
When youth is just a memory
I know you'll be standing right next to me

I love you
You love me
Take this gift and don't ask why
Cause if you will let me
I'll take what scares you
Hold it deep inside
And if you ask me why I'm with you
And why I'll never
Leave
My love will show you everything
My love will show you everything
My love will show you everything
Our love will show us everything

terça-feira, 15 de junho de 2010

5 minutos sem arder.

Malditas horas da madrugada que me fazem lembrar de você a todo instante. E me fazem digitar feito maluca pra quem sabe ninguém ler e sabendo que você que não vai ler mesmo.
Eu só sei que dói, que fere, que machuca e por vezes arde. É, baby, você me fazer arder. Seja a lágrima que arde na pele, seja o vinho que arde a garganta. Você sempre me fazer arder, ou faz arder em mim.
E quando eu olho no espelho nem me reconheço, e eu olho ao redor e sei que ninguém realmente me vê, ou me nota. Não, não é só você, são todos eles.
Olhos ocupados demais, desatenciosos demais ou que apenas olham em uma diração diferente. Pena não haver um super poder que faz as pessoas realmente repararem umas nas outras, seria bom.
Mas enquanto não tem, eu fico me remoendo na frente do computador buscando cada vestígio seu que haja na internet. Não sei se agradeço ou amaldiçoo essa rede tecnológica que me faz parecer estar tão perto quando estou tão longe.
Não sei se é dádiva ou maldição poder saber o que você faz, como você faz, com quem você faz e saber que faz sem mim, e que nem sequer deve lembrar quando faz.
E eu fico clamando pelos malditos 5 minutos que eu passo com você nessa tal internet. Aqueles 5 minutos do meu dia, da minha semana, do meu mês, aqueles únicos 5 minutos que não me fazem arder.
E quandoo tempo acaba, tudo volta a arder de forma angustiante, como chama corroendo a pele. E dói, machuca, fere e oh Deus, como dói.
Mas é assim, não é baby?
Enquanto eu ardo em sentimentos, você tranquilamente sorri pra mim sem nem saber que naquele breve instante você me impede de arder.
Ah, malditos 5 minutos que decidem quando tudo queima ou meu redor e quando tudo fica na mais perfeita paz.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Vinho.

Eu queria não precisar sabe?
Não precisar de você, desse amor que corrói meu corpo ou desse ciúme infeliz que queima a pele só de te imaginar sendo tocado ou tocando outra.
Eu queria não precisar de filmes românticos, músicas tristes ou momentos sozinha para apenas relembrar você. Mesmo que eu não esqueça, eu falo sobre relembrar.
Quero lembrar e relembrar, e sonhar com um futuro que talvez nunca chegue.
Penso hoje sobre os contos de fada que ouvia quando criança, onde eles falavam sobre lindas princesas, castelos gigantes, cavalos brancos, príncipes encantados e um amor eterno.
Ninguém me ensinou que a vida é diferente da ficção, então por vezes eu imagino ouvir o cavalgar do seu cavalo branco, aquele que não existe, talvez por você não ser um príncipe, talvez por cavalos estarem fora da moda.
Ninguém me ensinou como as princesas lidavam com a tristeza, como elas tinham que lutar pelo amor ou como elas podiam desacreditar da vida.
Ninguém me ensinou a ser princesa de contos de fada.
Nada de vestidos divinos, carruagens, bailes no castelo ou um sapato perdido à meia-noite. O máximo que eu perco à meia-noite é o sono, e por sua causa.
Ninguém me ensinou que princesas perdiam o sono, e choravam horas a fio por seu amor ser a ilusão de um fantástico mundo encantado.
Ninguém me ensinou a fantasiar. Não me ensinaram nada, nada sobre contos de fadas.
Não me disseram que eu o mundo da fantasia só existe em sonho, na hora do sono, depois de algumas taças de vinho.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Is not the time.

Pode ser que um dia nos encontremos e possamos finalmente olhar um nos olhos do outro, mas enquanto isso eu rezo.
E prezo.
Pelos poucos momentos ao 'teu lado'. Pelos poucos instantes de nossas conversas e torço, por vezes silenciosamente, que meu sentimento te alcance.
Oh Deus, como eu queria que o meu sentimento o tocasse.
O tocasse e fizesse a pele dele arrepiar, como a minha faz quando eu ao menos penso nele.
O tocasse e o fizesse entender que minhas palavras, minhas promessas, meus beijos perdidos e o sabor de minhas lágrimas não são mero acaso, não são em vão.
E eu rezo baixinho, orando pelos cantos que cedo ou tarde a gente se encontre.
Quem sabe no fim da noite algo possa acontecer.
Mas ainda não é a hora. Eu sei que não.
E sei que quando a hora chegar eu vou saber, você vai saber, todos vão saber.
Só não saberemos se a hora está a nosso favor, ou se o relógio será nosso pior inimigo.

sábado, 5 de junho de 2010

'e eu acho que eu gosto mesmo de você
bem do jeito que você é.'

terça-feira, 1 de junho de 2010

Meu sabor de solidão é meu quase complemento

Eu me sinto só. E me sinto incompleta.
Mesmo com todos os beijos, abraços, toques e promessas que não precisam de palavras porque podem ser ditas com um olhar, eu me sinto só. E incompleta.
E a culpa não é sua. Não é dele. Não é dela. Nem mesmo é minha.
Eu sou como um quebra-cabeças. Fizeram, mas antes nem se deram o trabalho de montar. Jogaram ao vento e as peças perderam-se.
Quando eu me sinto incompleta, não é que você não possa me completar, é que APENAS você não pode. Deveria ser você, e mais outro, e mais outra, e mais outros.
Todos são pequenas peças, pequenos fragmentos meus. Do passado, do presente, do futuro. No futuro quem sabe.
Não é que hoje eu saiba como é ser incompleta, e ninguém me disse qual o sabor da solidão. Mas eu sei agora que a minha tem gosto de álcool e faz a cabeça girar.
Ninguém entende que passar 23 horas comigo não me satisfaz. Que apenas a 1 hora que não foi passada ao meu lado me deixa com o gosto de solidão na boca.
E quando você volta, e me abraça e me promete coisas com o olhar, outros o fazem também. E mesmo você e os outros não são o suficiente pra me montar, me completar ou mesmo me satisfazer.
Parece que eu quero sempre mais, mais de você, mais dele, mais dela, mais de todos.
Mais de todo mundo.
Eu quero sempre mais, busco sempre mais, desejo sempre mais, espero sempre mais.
E enquanto espero o complemento, o álcool corrói e faz o estômago virar, a cabeça doer e a água quente e salgada descer pela face.
Não, não é culpa sua. Talvez nem seja culpa minha. Não é culpa minha querer demais, eu só quero me sentir completa, isso é errado?
Por isso estou com você, mas não fico com você. E não vou ficar com nenhum deles, nenhuma promessa vai me satisfazer.
Ao menos não por enquanto.
Não enquanto eu ainda deixar que a solidão tenha o gosto de álcool.
Quando ela tiver outro sabor quem sabe você me complete. Você ou qualquer um deles.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Eu nem preciso estar perto para sentir os seus gostos. Ou no caso, os gostos que você causa em mim.
Nem preciso deles em minha língua para saber como são.
Eles pairam no ar e impregnam na pele, na carne e na alma, apenas ali, na brisa, no vento, na ausência da sua presença.
Por besteiras, bobagens, trivialidades, superficialidades.
Vez ou outra eu sinto gostos vindos de você. Vez ou outra eu sinto gostos justamente por você não estar ali.
O gosto amargo de abrir o msn, o google talk, ou mesmo o twitter e não ter sinal seu. O gosto ácido de trocar duas ou três palavras com você e não mais do que isso porque você tá sempre ocupado demais.
O gosto azedo de te ver ali como 'ocupado' ou 'ausente' e a vontade me corroer enquanto a coragem me escapa pelos cantos com medo de te atrapalhar.
O gosto doce de enfim conversar com você, e arracar risadas suas, e palavras suas e algumas vezes confissões.
O gosto salgado das lágrimas que vem ou outra teimam em rolar por um simples palavra sua, e por uma simples falta de palavra.
Já não sei ao certo e me perco em tentativas frustradas de entender, esquecer, correr atrás, desistir.
O que me machuca é a vontade de lutar, mas estar de mãos vazias. Sei que minha paixão pela vitória (e por você) me fariam ir ao fim do mundo se preciso, lutar até a morte se preciso, mas me faltam armas, as armas que você me tira com palavras desconexas que me fazem bater contra a parede que nos separa.
Seria mais fácil se não fosse tão longe? Seria mais fácil se houvesse o olhar?
Ficar me perguntando, me maldizendo, me contradizendo, não responde nenhuma questão que minha mente formula. Então me resta apenas deitar hoje e reviver o gosto doce de 4 dias atrás.
E rezar pra que amanhã você me dê o doce para que eu não precise provar o salgado.

domingo, 23 de maio de 2010

Eu aprendi que nem sempre o certo resulta no melhor resultado. Que a sinceridade machuca e destrói igualmente uma mentira, aprendi que agir da maneira correta causa dor de cabeça, mas ao menos não deixa na boca aquele gosto amargo da falsa ilusão.
Faça o certo, mesmo que pareça que você vai se machucar.
Porque quando sarar, não vai sobrar nem cicatriz.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Sabe aquela promessa que eu fiz? Não, você não sabe, mas eu fiz mesmo assim.
Eu ainda guardo no peito. Não há mais aquele anel no dedo, mas eu ainda tenho a promessa e a lembrança em mim.
Tenho a lembrança de minhas palavras, de suas palavras. A lembrança do sabor de cada beijo que nunca aconteceu. A lembrança de cada sorriso não visto, de cada toque não sentido, de cada olhar não refletido.
E mesmo assim, eu a mantenho em mim.
A lembrança quente, que arde e queima e teima em não me fazer abandonar ela. Negar, renegar, evitar já não está mais sob minhas condições.
Não querer, não desejar, já não está mais sob meu controle.
Não há como mentir ou omitir o sentimento. Você sabe, eu sei, todos sabem. Mas nós não sabemos até onde vai, quando vai e como vai, mas eu espero que vá.
Hoje, amanhã, daqui a anos, eu não me importo. Na hora que tiver que ser, será. E se não for pra ser, eu terei sempre a lembrança.
A lembrança, a promessa particular e um anel dentro de uma caixa escondida em algum lugar.

sábado, 15 de maio de 2010

Borboletas

As palavras fogem de mim. Ultimamente elas tem escapado de minhas mãos e voam livres pelo céu como borboletas.
Elas voam e se vão, e depois voltam apenas para que eu lembre da existência delas. Quando eu tento pegá-las novamente, elas voltam a voar.
Elas dançam e encantam a visão, são azuis, amarelas, vermelhas, verdes, e de todas as cores. Encantam os olhos e o coração. Repletas de feixes de luzes feitos de sentimentos.
Elas bailam e se vão e voltam e caem e sobem outra vez.
As palavras tem formato de borboletas. As mesmas borboletas que eu sinto no meu estômago quando falo com você.
Elas mexem aqui dentro e eu me sinto mexer junto.
Elas mexem em mim, quando você mexe comigo.
E quando me fala.
Mesmo sem fala.
Porque às vezes faltam palavras.
Elas faltam porque voam. Livres. Belas. E desejáveis.
Desejosas de expressar-se, mas sem saber como.
Vez ou outra, elas pousam.
E dissolvem-se nessas palavras.
Mas elas só pousam por você.
E transformam-se em palavras por causa das suas palavras.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Alguém como você.

Não ligue pro que eles vão falar
Ninguém está aqui no meu lugar
Nem sente o que eu sinto por você
Ninguém entende nada, eles nunca vão saber

Não deixe um sussurro te assustar
Nem pense como eles vão pensar
Só ouça o nosso coração bater
Não precisa dizer nada, eles nunca vão saber

Como é não ser só
Como é amar sem sofrer
Como é gostar e querer
Como é ter alguém, como é ter alguém...como você.
Como você.




Ps: A letra parece ser bobinha e muita gente não dá valor por ser Sandy e Júnior, mas eu gosto dela. *-*

terça-feira, 4 de maio de 2010

Problema

Por mais que eu encare o problema de frente, eu sei que eu não sei resolvê-lo. Sei que não adianta bater na mesma tecla, gritar com as paredes, culpar meu coração dependente ou meu sentimentalismo exacerbado, que nada se resolverá.
Mesmo que você me fale sobre o seu problema e o ache maior que o meu, eu discordo. Já te disse que tenho os meus motivos pra ver e crer que seu problema não se compara ao meu. Não que eu menospreze sua situação, mas ambos sabemos bem que ninguém se envolve mais em tudo isso do que eu. Sabemos também que minha sinceridade, minha paixonite aguda e minha devoção deliberada pode causar ainda mais problemas em cima de nossos problemas.
Mas mesmo que o problema deite e durma comigo todas as noites, e me faça sonhar todas as noites e me faça querer encher a cara pra ter coragem de gritar tudo pro mundo e mandar tudo se fuder, eu gosto do problema.
Talvez você seja meu maior problema, e o meu melhor problema, como você disse uma vez que eu era o seu.
Somos nossos problemas e tratamos nossos problemas juntos.
Claro que ficar em silêncio ou apenas te olhar quando minha vontade é jogar-me em teus braços, se torna cada dia mais complicado. O problema lateja, grita, escala muros e fere as mãos, mas insiste.
Se ferra, se destroi, mas resiste.
Meu problema é insistir, resistir e não desistir de você.
E quando a noite chega e me diz pra mudar, pra parar, pra não continuar para não me envolver, o problema me abraça e diz que uma hora ele vai se resolver e me faz querer que ele fique ali até que a solução chegue.
Porque você é o problema que eu quero ter, e quero resolver.
Admito sim, que você mexe com minha cabeça, e que cada vez que olho nos teus olhos, ou cada vez que sinto teus lábios pousarem suavemente sobre os meus, sinto um conforto e um bater acelerado no meu coração.
Admito sim, que quando você não está perto eu sinto sua falta e quando você está perto eu não quero deixá-lo ir. Admito sim, que gosto do teu cheiro, que gosto do teu gosto e de sentir tua pele sobre a minha.
É admito, baby, que gosto de você e quero que você seja sempre esse problema que confunde minha mente e me tente.
Me tente e deixe-me te tentar. Te tentar resolver, ou se não houver solução, deixe-me ao menos perder-me na equação.

sábado, 1 de maio de 2010

Reflexos

Mesmo que eu encare o espelho por vezes e horas a fio, eu não me vejo. Não completamente, eu digo. Quero dizer, não por inteira, como eu sou, por dentro, entende?
Mesmo que eu encare o espelho demoradamente e fixamente, não me vejo.
Pelo menos não me vejo como vejo meu reflexo nos seus olhos.
Ali, naquele reflexo do seu olhar eu posso me ver mais claramente. Mais verdadeiramente.
E sei que você também se vê quando me olha nos olhos, porque nós temos esse hábito. De ficarmos olhando um ao outro fixamente nos olhos. E isso me deixa confortável. Como se ali, naquele instante, com você, eu pudesse ser eu mesma sem máscaras ou disfarces.
E mesmo com os disfarces que nos cercam, quando há somente você e eu, as cortinas da peça teatral se fecha e resta apenas dois atores em sua plenitude e com seu reflexo real em outros olhos que olham fixamente.
O que importa é que nos poucos instantes somos nós mesmos olhando apenas para nós mesmos.
E os sorrisos fluem, as palavras flutuam e os pensamentos voam através de olhares e beijos sem promessas, mas que por vezes parecem conter todas as promessas do mundo.
Os beijos e os toques que não deveriam conter promessas ou compromissos parecem correntes invisíveis que nos prendem em uma promessa não dita em voz alta.
Vai saber o que acontece entre mim e você.
Não que eu precise entender, dispenso entendimentos quando me basta o sentir. Dispenso palavras quando me basta o seu cheiro e a sua presença.
Dispenso.
E mesmo que usemos toda nossa ofuscação e que outros olhos não nos vejam, nada disso importa. Não enquanto tivermos nossos poucos momentos regados a sentimentos não pronunciados ou conhecidos.
E quando eu te deixo ir e você não vai, ou quando você quer ir e eu não te deixo, no fim, sempre ficamos.
Ficamos por nada, pro nada, apenas por ficar. Pela companhia, pelo bem estar.
Então fique. Ainda é cedo e o sol não se pôs. Fique, meu bem, e deixe-me observar meu verdadeiro reflexo em seus olhos mais um pouco.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Nada disso é bom.

É mentira dizer que o amor é bom.
Se fosse bom não machucaria, não causaria dor, não traria sofrimento ou lágrimas.
O amor não é bom, e quem disser que ele é bom, ou disser que o busca porque ele traz felicidade plena, estará mentindo.
E será hipócrita ao dizer que o amor o satisfaz e o faz sorrir. Deveria ser verdadeiro e dizer que o amor machuca, que seca a garganta e molha o rosto. Deveria ser sincero e dizer que o amor causa danos, por vezes irreversíveis, e que esses machucados podem fazer com que desacreditemos da vida.
Mas ninguém diz isso. Todos vem cheios de melosidades dizendo que o amor é a melhor coisa do mundo.
Mentira.
Deveriam logo assumir sua doentia vontade de machucar-se e depois fazer-se de vítima mal compreendida até que um novo amor surja e você finja que está se curando graças a uma nova pessoa. Outra mentira.
Não se cura um amor. Ele é como um cancêr que pode permanecer eternamente dentro de ti, e mesmo que digam que ele pode ser benigno, cancêr é cancêr.
Então também não me venha dizer que o amor é benigno, ele não é.
Nada bom causaria tantas dores de cabeça e quebraria corações.
Ele não é bom, somos nós que somos masoquistas doentios e malucos o suficiente para querer nos alimentar de algo que vai ferir nossa língua.
Não venha me dizer que o amor traz alegrias e tira a tristeza da nossa vida.
Se você vê o amor dessa forma, é porque nunca amou.
'Que todo grande amor, só é bem grande se for triste' ... Já diziam os poetas.
Quem ama sabe que o amor não é bom. Ele é mau.
E como tudo que é mau, ele fere, faz chorar e despedaça sonhos.
Mas nós continuamos cegamente buscando por ele, mesmo que no caminho nossos pés fiquem cansados e que as mãos sagrem de tanto tentar escalar muros altos e montanhas íngremes.
Mesmo que o amor nos use e abuse. Nos quebre e nos destrua, mesmo assim nós o queremos.
Queremos mais que tudo e criamos nossas próprias armaduras pra resistir aos danos, apenas pela vontade de tê-lo.
Então, meu amor, não venha me dizer que seremos eternamente felizes e apaixonados, eu não acredito em conto de fadas, só lhe prometo um tempo indeterminado regado de lágrimas e dores casuais.
Se acredita poder superar isso com nossos poucos sorrisos e olhares cúmplices, pode me dar a mão.

sábado, 24 de abril de 2010

Muitas vezes é quente. E ácido. E queima, machuca por dentro e entala o grito na garganta. A dor aguda não saí, não como sangue. O machucado é interno. Não tem cor de carmim, não escorre pelos poros e não cura com injeção. Mas dói como agulha perfurando a pele.
Por vezes é frio. Congela a pele, a alma, o coração e quando a gente diz chega, congela as lágrimas. Elas ficam talhadas nos olhos como pedras preciosas coladas. O corpo não recebe o calor do outro e o frio persistente congela a mente e os sentimentos.
Não que eu seja contra o sentir, sempre fui a favor.
Mas meu estoque de masoquismo deliberado e doentio está chegando ao fim. A poção de 'eu suporto tudo' só tem poucas gotas no fundo do vidro. Nada mais em que me agarrar, nem mesmo aquele fio de esperança de que vai ficar tudo bem. Eu puxei tanto esse fio que ele arrebentou-se como fina teia de aranha e agora mais nada resta.
Ou seja, cansei.
Todo dia o gosto ruim do desprezo impregna na língua, todo dia a cicatriz da rejeição queima na carne. E machuca e dói, e Deus do céu, como dói.
Malditas marcas feitas de falsas promessas que quando não são cumpridas ferem como ferro quente. Antes eu tinha anestésicos ou até mesmo suportava a dor com um sorriso nos lábios na tola utopia de que um dia aquelas cicatrizes seriam curadas por promessas cumpríveis.
Mas nem isso. Nem um resquício de solidariedade ou amor, nada que me fizesse manter-me firme no meu sonho ilusório. Nada que mantivesse meu castelo encantado em pé.
Au contrair.
Pés e mais pés pisando meu castelo de areia e desfazendo-me os doces sonhos.
Sem cavalos brancos, sem príncipes encantados, e sem castelos repletos de ouro.
Hoje, tenho apenas a torre abandonada, um coração quebrado e um portar-se como princesa esquecida com marcas ardentes pelo corpo.
Nada de finais felizes por hoje, querida. Nada de finais felizes por muito tempo. Não pra você.
É o que me diz os fantasmas do passado.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Vamos, baby, toque-me como apenas você consegue.
Não precisa olhar-me nos olhos ou me fazer sentir o calor entre nossos corpos ou me fazer inalar o seu cheiro que deve ser absolutamente inebriante.
Toque-me do jeito que só você sabe. Com pequenos gestos imperceptíveis aos outros, com pequenas palavras que para outros não fazem sentido ou não tem significado.
Toque apenas a mim como apenas você pode e faz.
Talvez sem querer, sem saber, sem ousar, mas mesmo assim você me toca.
E eu amo seu toque, e clamo seu toque e anseio seu toque.
Porque só você consegue me causar isso. Esse corroer dentro do ser que pede sua presença, ou sua ausência, ou qualquer coisa que venha de você.
Eu quero deleitar-me em suas palavras. Alimentar-me de suas palavras. Adormecer em suas palavras. E sonhar com o seu sorriso, seu olhar despretencioso, seu cabelo dessarumado e sua calça rasgada.
Quero perder-me em sua voz adocicada e com aquele sotaque chiado que você tem; Quero agarrar-me em teus braços e deliciar-me em teus lábios entorpecentes.
Deixe-me ao menos sonhar com teu sabor, e digo mesmo, sem o menor pudor.
Eu quero me testar em teu ser e testar você em mim. E sei que seremos um encaixe perfeito e que o testar servirá apenas para nos mostrar algo que eu já sei há tempos.
Vamos, baby. Agora deixe-me tocá-lo. Dar-lhe um pouco do que me dá e causar-te um torpor de sentimentos. Deixe-me fazê-lo dependente de mim enquanto eu vou alimentar a minha ânsia de você enquanto você alimenta o seu querer em mim.
Isso, vamos juntos.
E juntos alimentaremos a besta dentro de nós que clama por algo maior. Daremos esse algo maior ao ser gritante em nossas almas.
Alimente-me e deixe-me alimentá-lo.
É assim que eu quero, com você.






Ps: Esse post é dedicado ao leitor assíduo, Jocykleber. Que gosta dos meus textos e veio no msn perguntar se eu havia postado algo porque ele queria ler 'algo bonito'. Se ele acha meus textos bonitos, deleite-se Jocykleber. Postei esse a seu pedido ;)

terça-feira, 20 de abril de 2010

Eu quero sempre mais.
Nunca fui do tipo de pessoa de me contentar com pouco e nunca serei. Digo isso porque me conheço. Me conheço e sei que não sou mulher de pouco. O pouco por vezes não me basta, não me supre e eu clamo por mais. E sempre por mais. E algumas vezes o muito também não basta, porque eu não quero apenas o muito, quero o muito demais, aquele que transborda e afoga.
Quero muito demais, tudo de muito demais.
E quando eu digo que te amo, é que te amo demais. E quero demonstrar isso demais. Não é só a aliança no meu dedo, o coração palpitante ou dizer-lhe em segredo. Eu quero gritar aos quatro ventos, colocar uma faixa na frente da sua casa, publicar numa revista, lançar um livro com nossa história e quem sabe compor uma música. Fazer um poema em teu nome ou tatuá-lo em mim. É isso que eu quero, o muito demais.
E pouco me importa que os outros se importem. Eu não vou refrear meus sentidos e vontades apenas pra satisfazer a concepção dos outros do que é sanidade. Sim, sou louca. E meu desejo é satisfazer apenas a mim e a você, baby.
Apenas nós e mais ninguém. E nós seremos muito e faremos muito demais.
Porque nunca gostei do pouco, a sensação de falta me incomoda, a sensação de incompleto me desconforta. Por isso eu quero sentir, gritar, dançar, correr na chuva. Quero meu muito, seu muito e juntar os dois pra ser muito demais.
Porque o pouco é muito pouco. O pouco deixa brechas.
E não quero brechas com você. Quero abraçá-lo e sufocá-lo em meus braços sem que ajam brechas nem espaços entre o meu corpo e o seu.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Quando eu falo sobre ter um gosto por sabores, é disso que eu falo.
Eu gosto dos sabores. De suas densidades, intensidades, gostos e desgostos.
Eu gosto dos sabores, ainda mais dos seus sabores.
Do seu sabor.
Ora ele é agridoce, daqueles que parecem grudar na língua e a gente bebe água e nunca saí. Ora ele é salgado, daqueles que a gente fica sentindo no céu da boca durante o dia todo.
Tem vezes que ele é ácido, parece arredio, daqueles sabores que somem quando a gente queria que eles ficassem no nosso paladar. Tem hora que ele é azedo, mas como é seu, nem me parece azedo. Dá vontade de ficar com ele na boca.
Eu falo de palavras sabe? Suas palavras são sempre cheias de sabores e por isso eu gosto tanto delas, porque sou uma apreciadora nata de sabores.
Excêntricos, pitorescos, inusitados. Quentes, gelados. Doces e salgados.
Suas palavras tem todos os sabores misturados. Todos reunidos e é isso que mais me encantam.
Dá vontade de me alimentar de suas palavras e deixar que o gosto delas permaneçam em minha língua até que você joge sobre mim novas palavras e preencha-me com um gosto diferente.
Gosto do gosto do seu sorriso, é aquele gosto adocicado, mas suave. Aquecedor, reconfortante. Como aquela xícara de chocolate quente no meio da tarde fria.
Gosto de suas piadinhas, elas tem um gosto refrescante e mais doce ainda. Como sorvete em tarde quente.
Gosto do sabor de cada palavra sua. É como arriscar experimentar um saco de bombons do qual a gente nunca sabe o gosto do recheio.
Mas é tão bom.
Eu adoro seus sabores. E gosto de misturá-los com os meus sabores.
E juntos criarmos sabores desconhecidos e apenas nossos.
É, eu realmente tenho um gosto por sabores.

sábado, 10 de abril de 2010

-Eu nunca disse que iria ser a pessoa certa pra você, mas sou eu quem te adora- (8)

E tudo o que eu sei pedir, é você.
Não peço a você, nem por você, peço você.
Você. Você que encanta meus sonhos, embala minhas noites, que me tem por completo.
Você que já sabe, mas não sabe e me faz não saber. A gente talvez saiba como levar, mas não sabe se deve levar nem pra onde levar.
Eu só quero ir, com você, eu só quero ir.
Não me importa o caminho, a distância, o tempo, mas me leve. Me leve com você.
Pode ser que não agora, como você disse, o tempo vai mostrar, e por isso eu peço todo dia você. Peço você ao tempo, ao vento, ou a quem quiser trazer você pra mim.
Eu só quero a sua voz, o seu olhar, o seu toque, o seu beijo.
Apenas você, e o que vem de você.
Suas palavras, suas brincadeiras, seus trejeitos.
E a gente ri junto, e vai levando.
Talvez o tempo realmente ajude, e por isso eu agradeço. Agradeço por você ser adepto ao tempo e por deixar que ele aja entre nós. Vamos ver, vai saber.
Às vezes eu me sinto perdida, e me encontro ao te encontrar. Mesmo que distante, mesmo que ausente, mesmo sem estar presente. Eu te encontro em minha mente, e me encontro juntamente.
Você me faz me entender, mesmo quando me desentendo e me sinto só no escuro. Eu penso em você e minha noite vira dia.
Por isso eu peço você. Pra me acalmar, me acalentar, acender minha luz e me fazer entender. Entender a mim, entender a você, entender a nós dois.
Porque somos assim, indecifráveis, imcompreensíveis e inesperadamente inconstantes.
Vai entender, ninguém entende.
E só vamos entender quando estivermos aqui, a dois, a sós.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Três é demais.

Sempre é.
Sempre sobra, é resto. Não gosto de restos.
Restos me lembram fim, fim me lembra tristeza e eu tenho a maldita mania de assimilar tristeza com amor.
Não posso.
Amor é mais que isso, é felicidade plena, mesmo platônico, não correspondido. Mesmo que sejamos desprezados, impressionante como apenas uma palavra do outro pode mudar nosso dia.
Três pesa.
Peso me lembra cansaço, que me lembra dor que me faz voltar ao amor.
E não posso.
Não gosto do três.
Não se divide por dois. E gosto de coisas que se dividem por dois. Dois é sempre bom, suficiente, agradável. Dois é o meu número.
Três me lembra triângulos, que me lembram amores, que me lembram que triângulos amorosos são sempre problemáticos.
Como já ouvi uma vez: 'triângulos não são legais, eles tem pontas e machucam.'
Não mesmo. Não gosto do três.
Gosto mais do dois. Dá ideia de cumplicidade, igualdade, mútuo, entende? O dois não machuca e quando machuca a gente gosta. O dois dá uma sensação de aprovação ao masoquismo. Maluquice não é? Mas eu sinto isso, e sei que você também sente.
Mesmo quando é dois e dói, a gente gosta. E parece que corre atrás do sofrimento. Vai entender.
Só sei que eu não quero o três, ou o quatro ou qualquer outro número. Quero apenas o dois. Apenas ele e eu. E isso me é o suficiente. Me basta. Me completa. E me deixa feliz, muito feliz na verdade.
Deixe-me com meu dois, e pode ficar com o três. Você ou qualquer um que goste desse número, porque eu não gosto.
O meu dois me satisfaz. E isso é tudo.
Ele e eu. Dois como se fosse um. Mas o um nunca é sozinho. E isso é bom. O dois implícito é tão bom quanto exposto.
Por isso gosto do dois, ele vai bem em qualquer ocasião.
E cada vez mais eu me apego ao dois, meu dois e o dois dele.
Só nós dois.

domingo, 4 de abril de 2010

E cá estou novamente. Escrevo praticamente todos os dias, com medo. Medo de que uma hora esse sentimento aqui dentro me devore.
Sinto que a cada hora do dia ele infla como um bolo onde colocaram fermento demais, e esse e meu medo. Sou um forno, não tão grande assim. Sinto medo de que se eu não colocá-lo pra fora, ele exploda dentro de mim. Sei que os pedaços nessa situação, serão os meus e não os dele. O sentimento vai continuar inteiro... Já eu...
Preciso de alguma forma, colocar pra fora. Por isso escrevo. Deixo que os sentimentos borbulhantes molhem o papel ao invés de me afogarem interiormente.
E cá estou novamente. Falando com as paredes, como teto, com os objetos, com qualquer coisa, na vontade apenas de falar com você. Mas nem isso eu consigo.
O problema é que o sentimento é tão gritante que está me deixando surda. São gritos estridentes de quem precisa rapidamente se libertar, então eu resolvi soltá-lo.
Só que ele é forte demais, então eu devo soltá-lo aos poucos.
Devagar.
Com calma.
Assim que deve ser.
Mesmo assim ainda tenho medo. Tenho medo de que ele se desprenda de mim e saia derrubando tudo o que vier pela frente, com o intuito desesperado de chegar logo até você. Eu vou deixar que o sentimento chegue até você, mas vou devagar.
Vou com medo, coração na mão, mas vou.
E que Deus me ajude, e mê coragem pra dizer o que sinto, ou pelo menos uma parte disso.
Eu esperei tanto por você hoje. Por aquele seu post sempre despretencioso no twitter, ou a sua janelinha subindo no msn, mas nada. E meu coração foi se apertando a cada minuto do dia, porque eu realmente estava tomando coragem pra falar hoje pra você. Havia decidido.
O problema é que conforme o dia vai chegando ao fim, a minha coragem vai se esvaindo juntamente com o se esvair do sol. Quem sabe daqui pro fim do dia, a gente ainda se encontre e eu possa lhe dizer algo, com o restinho de coragem que ainda há aqui.
Sou covarde demais pra dizer que amanhã ainda vou estar convicta a contar-lhe. Sou covarde demais pra dizer que amanhã esperarei por você com o mesmo intuito ao invés de esperar apenas pra lhe dar oi.
Sei que sou covarde, por isso aqui, agora, no meu silêncio e no meu cantinho, eu oro a Deus que ainda hoje, eu fale com você. Que esse fragmento de coragem que ainda residi aqui sirva pra algo. Eu oro a Deus pra que ele me ajude, me dê força, coragem e um pouco de esperança.
Porque eu quero lhe dizer que eu te amo. Eu te amo demais.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Eu nem vou gritar.
Não mais.
Não é o medo de acordar o vizinho ou me acharem louca por falar com as paredes. Decidi não mais gritar. Antes eu gritava, era um modo sabe? De fugir eu digo.
Gritar atrapalha os pensamentos. Se atrapalha os pensamentos, atrapalha que eu pense em ti. E alivia. Ou assim eu pensava.
Foi então que eu percebi que se eu grito pra afastar você, é porque já não consigo não tê-lo em mim, e percebi que por tê-lo em mim, o grito de nada adianta. É momentâneo, eu sei, você sabe, já deve ter gritado.
Não grito. Não mais.
Percebi que o silêncio é melhor. Já ouvi 'tanto esforço pra lembrar pra depois tentar esquecer' e vivo o contrário 'tanto esforço pra esquecer pra depois tentar lembrar' ou melhor, pra no fim sempre lembrar.
Foi isso que percebi, que não me esforço pra te lembrar. Eu te lembro simplesmente.
No meu dia, no meu viver, no meu aqui. No meu existir.
Sinto sua presença, mesmo ausente, mesmo distante. E eu achei que isso me doeria, até dói, na verdade, mas meu masoquismo aceita a dor, e sinceramente a deseja a cada instante mais.
Já não me olho no espelho como antes. Eu mudei, eu sei. Você não sabe, claro que não. Mas eu sei, e sei que você me mudou. Me mudou sem saber, sem querer, sem nem imaginar que pudesse estar mudando alguém, mas me mudou.
Me mudou e me tomou. Me tem e nem sabe, nem imagina, e talvez nem queira, mas tem. Assim, me tem mesmo, entende? Por completo. E eu já nem olho pra outras pessoas na rua, já nem as olho.
Não que isso importe na verdade, porque você não sabe disso, mas eu sei, e tá bom assim. E vai ficar assim, acredito eu.
Vou permanecer deleitando-me em meu amor distante, impossível, platônico, irônico. Deleitando-me com pequenas coisas suas. Que eu faço minhas.
E querendo que coisas minhas, sejam feitas suas. Como eu sou. Feita por você. Pra você.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Podem dizer que me contento com pouco. Me contento sim, se o pouco vier dele.
Seu simples 'oi', um simples emoticon no msn, ou então qualquer que seja a coisa que ele me disser, contato que ele diga pra mim.
Mesmo que no outro dia ele não lembre, eu não ligo. Guardo em mim aquele pequeno momento de contato com a satisfação de alguém que guarda algo que muito desejou. Que muito lutou pra conseguir. Meu bem mais preciso, sua palavra.
E me contento com pouco mesmo. Me contento até com palavras que não são dirigidas a mim, mas apenas por saber que você tá ali, e tá bem, e tá se comunicando com alguém.
Não ligo muito, acho que aprendi a viver assim. Faço de pequenas coisas, grandes diamantes.
Desses que a gente sabe que vale muito, mas que nunca vai ter. Ou talvez tenha e nesse dia, Deus me acuda, será o diamante mais lapidado, adorado, e bem guardado do planeta.
Me contento com pouco sim. Gosto de suas migalhas. Elas me são como pequenas peças que eu junto aos poucos pra formar meu quebra-cabeças. E não me importo de quanto tempo demore ou quantas peças são necessárias.
Cada uma que caí sobre meu colo, mesmo com o peso de uma pluma, tem um peso de toneladas em minha vida. Meu sentido. Você.
Meu quebra-cabeças desmontado. Desmatelado. Que eu prezo. Meu diamante esfarelado. O diamante que eu junto suas migalhas.
Não me deixe sem isso. Dê-me a migalha de hoje, a de amanhã e a de todos os meus dias. Não sei viver sem suas migalhas.
Simplismente não posso mais. E nem posso te dizer isso. Já disse e redisse que não sei como dizer. Então já que não posso me alimentar de beijos e promessas suas, fico cá eu com minhas migalhas. Se eu juntá-las uma hora elas virarão um pão não é? E vai ser nessa hora que eu me tornarei o seu vinho.

domingo, 28 de março de 2010

Sabe aquele sol que brilha sobre nossas cabeças? É ele que eu vejo deitar todas as tardes, o mesmo sol que deita pra você, deita pra mim. Da mesma forma, deixando o céu em um tom meio laranja meio cor de rosa, que fascina nosso olhar.
O mesmo sol que deita pra você, deita pra mim, mas com significados diferentes.
Eu observo aquele sol e me pergunto se você o observa também. E silenciosamente eu peço em meu coração que você o observe e que minhas palavras possam te alcançar, porque eu te amo.
Eu te amo e não sei como dizer. Como fazer. Como explicar.
Se ao menos eu pudesse te dizer através daquele sol, que é contigo que eu quero estar quando ele deitar no horizonte. Se eu ao menos pudesse ver meu reflexo em teus olhos uma vez e te fazer entender que é por ti que meu coração dispara, é por ti que minhas pernas tremem e minhas mãos suam. Se eu pudesse te fazer entender que é você que embala os meus sonhos, talvez não fosse tão difícil.
Tão difícil vivenciar e alimentar esse sentimento gritante dentro de mim, que clama por teu nome a cada vez que eu respiro. Que grita por teu nome quando fecho minhas palpébras a noite.
Se eu soubesse ao menos como lidar com isso. Como achar as palavras que te façam me perceber entre a multidão que vai e vem.
Se eu ao menos soubesse o que dizer, o que fazer, mas nem isso.
Me perco entre ideias, suposições, tentativas frustradas de expressar-te o que trago aqui dentro.
E dói. Dói tentar abafar o sentimento por não saber como dizê-lo. Dói ter de escondê-lo no âmago do meu ser por não saber como dá-lo a você.
Se ao menos o sol poente e o vento te levassem essa prece que faço da janela, talvez assim fosse mais fácil.
Eu só peço, meu Deus, que algum dia, eu alcance o coração dele. E o toque. E o faça tocar-me.
Eu só peço, meu Deus, que ele me note.
E que entenda, que eu o amo.
Ah, como o amo.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Caso Nardoni

Agora com uma gota de justiça caindo sobre nossas cabeças, talvez essa chuva fina seja um reflexo de esperança.
Talvez as lágrimas dos inocentes sejam a água salgada que vai purificar almas.
Que a luz que brilhou tímida no fim do túnel possa engrandecer-se e brilhar fortemente sobre nossas cabeças.
Iluminar-nos igualmente o sol que escalda o corpo daqueles que lutam por melhora ao invés de ficar em casa com o rabo no sofá confortável.
Que a justiça paire sobre nossas mentes e mostre que ela pode se fazer presente, constante.
Eu ainda posso sentir o alívio que percorre meu corpo, como um neblinar sutil que lava a alma. E sei que muita gente ainda pode sentir, assim como eu.
Só espero que sirva de lição, que a impunidade não seja mais presente em nossos olhares e que a justiça se mostre cada vez mais firme.
Que aqueles que se sujaram de sangue, se arrependam e paguem por seus erros.
Que Deus tenha piedade de suas almas, porque só ELE e apenas ELE pode julgar verdadeiramente o que está no coração de cada um.


Amém

quinta-feira, 18 de março de 2010

Ele é assim...
Um poeta.
Não daqueles que escrevem poesias. Não algo tão simples assim.
Ele é daqueles que sentem a poesia.
Daqueles que a vê (a poesia) em todos os cantos. Desde do sorriso de uma criança no colo dos pais, as lágrimas de uma criança que vive sem pais.
Ele é daqueles que sente, e me faz sentir também.
Daqueles que falam e fazem o ar girar no sentido de suas palavras. Que causa com a voz uma sensação tão boa quanto ouvir o som das ondas do mar quebrando na praia.
Ele é assim...
Quando aparece parece que vem cercado por uma luz que aquece. Uma luz forte que emana faixas translúcidas de sentimentos quase palpáveis.
Parece um imã que me puxa pra si. Que atraí meu olhar, e o mais incrível que a luz forte que emana dele não fere meus olhos. Não machuca.
Me faz sorrir.
E ele sempre me faz sorrir. Sempre.
Ele é assim...
Só com palavras me faz sentir mais do que eu poderia sentir.
Um poeta. Um gênio.
Ele é assim...

segunda-feira, 15 de março de 2010

Eu tô cansada dessa hipocrisia que ronda as pessoas.
Desse mar de falsidade no qual o ser humano se jogou e acostumou-se com o salgado da água e não quer mais sair.
Tô cheia dessa gente com falsos sorrisos, falsos olhares, falsos sentimentos.
Tô cansada dessa mentira impregnada no sangue e no suor da humanidade.
Ninguém se preocupa com o que realmente importa.
Gastam o pouco tempo da sua vida baseando-se em mentiras e jogos de manipulação.
Vivem de futilidades achando que aquilo em algum momento vai ser realmente um adicional.
Eu quero mais carater, mais verdade e menos displicência.
Eu quero preocupação com o que realmente tem valor diante da vida.
Quem se preocupa com a extinção de animais? Quem se preocupa com o desmatamento? Com o aquecimento global? Com a miséria e a dor dos outros? Quem se preocupa com o roubo no planalto central? Quem se preocupa com a alienação da igreja? Quem se preocupa com a criminalidade?
PORRA, QUEM SE PREOCUPA? Ninguém.
É uma vergonha ter que dar essa resposta, e sabe porque eu digo ninguém?
Porque eu me preocupo, e talvez você que tá lendo também se preocupe, mas pra eles, pro mundo, para a maioria que não se preocupa, nós somos ninguém.
Mas pelo menos eu e talvez você podemos deitar nossas cabeças no travesseiro no fim do dia e ter certeza de que fazemos nossa parte.
Enquanto a maioria deita a cabeça e apenas sonha.
Apenas se prende naquele mundo utópico da sua própria mente.
E quando a maioria acordar, pode ser tarde demais, e a realidade vai ser seu pesadelo.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Lá vai o jovem.
Não tão jovem quanto lhe parece.
Saí de casa para a noite e esquece a sua prece.
Sempre esquece. Da família. Dos amores. Da escola e não da 'cola'.
Mais uma 'night' pra zoar, se divertir, aproveitar.
Nem as 'minas' atiradas, nem a música, nada mais assusta.
Nem o sexo nos cantos escuros, nem a fumaça que escala os muros.
E ele se perde. Se esquece da idade, falsifica a identidade e aproveita a liberdade.

Antes era diferente. Sabia bem usar a mente.
Mas agora nem que tente.
Quando criança se escondia entre as pedras.
Hoje esconde a própria pedra.
Ele mudou, perdeu a confiança. Fechou a porta pra esperança.

Sobe o cheiro de gozo, de álcool, de fumo. Mais um 'teco', mais pra perto, e os 'amigos' tavam certos.
Ele cria seu castelo. Seu próprio local de flagelo.
E nem sabe, nem imagina. E sorri a cada esquina.
Calçadas, pessoas andando, pessoas paradas. O carro rápido demais. Pessoas diferentes, pessoas iguais.
Verde. Amarelo. Vermelho. Sinais.
Buzinas, sirenes, vozes. Toques, desfoques.
Não dá mais pra distinguir. Só ouvir. Distante os passantes gritantes.
Depois nem isso. E a imagem de Cristo.
Mas ele não lembra. Não lembra como reza. Nem como se preza.
E mesmo sem a prece, Cristo não desaparece.

Antes era diferente. Sabia bem usar a mente.
Mas agora nem que tente.
Quando criança se escondia entre as pedras.
Hoje esconde a própria pedra.
Ele mudou, perdeu a confiança. Fechou a porta pra esperança.

Se deixasse a porta aberta, agora não estaria na solidão.
Gosto de sangue na boca e um falho coração.
Se perdeu, se entregou ao vício. Agora tem que aguentar o suplício.
A porta fechada atrapalha a esperança, mas a morte diante da porta sabe fazer suas lambanças.
Ele descansa o corpo e a mente. O teto a sua frente.
O sonho convincente. O corpo ainda quente. Um suspiro contente e a lágrima inocente.
Ao lado da cama um telefone anotado, um convite pro pecado e um sonho de recado.

Antes era diferente. Sabia bem usar a mente.
Mas agora nem que tente.
Quando criança se escondia entre as pedras.
Hoje esconde a própria pedra.
Ele mudou, perdeu a confiança. Fechou a porta pra esperança.

O que fazer? Pra onde ir? Seguir o sonho ou não seguir?
Deixar a porta trancada ou abrir?

domingo, 7 de março de 2010

Sempre arde. Sempre queima. Sempre teima em não descer sem machucar, sem magoar, sem marcar.
Gostos nem tão diferentes, mas nem iguais de forma alguma. Mais álcool, menos álcool. Mais doce, menos doce. Mais intenso, menos intenso.
Mas sempre queima e teima. Teima em não descer sem me fazer lembrar de fantasmas que se agarram as paredes tentando escalar o muro que eu criei para mantê-los no passado. Droga de passado que teima em se expor. Teima em se aventurar e quebrar as unhas tentando subir as paredes, teima em gritar dentro de mim ao sentir o líquido frio bater contra si.
Vodka. Vinho. Montilla. Cerveja. Uísque. Qualquer que seja.
Nem todos com gostos iguais, nem todos tão diferentes assim.
Eu me seguro na parede e seguro o copo. Eu me deito no chão e deito o copo na boca. E bebo. Pra esquecer mesmo que momentaneamente, ou quem sabe pra lembrar. Pra não fazer merda, ou quem sabe justamente pra ter coragem de fazê-la.
Ela desce queimando e eu queria que suas mãos queimassem junto com ela e descessem junto com ela. A bebida que alimenta, acalenta e atormenta.
E mesmo com olhos fechados, cabelos desgrenhados e desejos controlados, ela insiste em queimar, apenas pra satisfazer-se ou pra me satisfazer.
Talvez por querer, talvez por prazer.
Talvez apenas pra alimentar a maldita falta de você.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

"Embora meu objetivo seja compreender o amor, e, embora sofra por causa das pessoas a quem entreguei meu coração, vejo que aqueles que me tocaram a alma não conseguiram despertar meu corpo, e aqueles que tocaram meu corpo não conseguiram atingir minha alma"


Onze Minutos - Paulo Coelho - Pág. 20

sábado, 20 de fevereiro de 2010

A memória não me falha

Eu senti meu mundo ruir. Meu castelo de vidro estilhaçar-se. Meu conto de fadas ser levados pela maré de lágrimas que fluiu de meus olhos.
Eu ainda lembro do adeus. Do seu rosto marcado e da minha mão ardendo. Do seu timbre de voz e da lua naquela noite. Lembro de ter observado o céu por um longo tempo, talvez por não querer te olhar nos olhos, talvez por querer inutilmente impedir que as lágrimas saíssem.
A memória nunca falha quando é sobre você. Sobre nós.
Meu tempo parou ali. E eu apenas lembro de tudo sobre a gente. Isso é tudo que ocupa meus pensamentos. Fora isso eu não lembro de mais nada.
Nem lembro o tempo que faz que eu estou trancada nesse quarto. Olhando apenas para as paredes brancas que servem pra projetar lembranças suas.
Daqui, eu vejo apenas o que observo pela janela. A lua. Todas as noites. Tentando achar em cada uma delas, alguma semelhança com a daquele dia.
E eu me fecho no quarto revirando meus fragmentos de memória para relembrar nossos momentos.
Tudo parece tão vivo.
Eu vejo o seu sorriso na foto do porta-retrato ao lado da cama e sinto o gosto de cigarro vagabundo que tinha teu beijo.
Ainda sinto a frieza do piercing que batia contra minha língua e o cheiro de vodka e tabaco impregnado nos lençóis azuis. Ainda sinto a ponta de minhas unhas redesenhando a fênix tatuada em tuas costas.
Maldita memória que nunca falha.
Antes amanhã eu esquecesse do hoje, e hoje eu esquecesse do amanhã. E não precisasse, não pudesse, não quisesse reviver tudo outra vez.
E eu adormeço.
Abraçando um porta-retrato, cheirando um lençol e esperando o celular tocar. Remoendo e alimentando a esperança de ser acordada com aquela música de 3 Doors Down que tocava quando você me ligava.
Nem sei quanto tempo faz. Parei de contar o tempo.
Eu nem me lembro mais.
E adormeço.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Uma taça transbordando de loucura para jogar na cara da rotina.

Essas amarras da rotina que me prendem os movimentos
Quero arrebentá-las em mil pedaços ao primeiro pensamento
Quero acabar com a mesmice, com essa porra desse tédio
Quero xingar um policial, ou transar na escadaria de um prédio
Cansei dessas músicas de letras e estilos diferentes
Mas que sempre falam de amor, pessoas tristes e carentes
Cansei do mormaço do calor cotidiano infernal
E dessa merda desse vinho que tem o gosto sempre igual
Tudo me sufoca. Me segura. Me enclausura.
Eu quero é mais a aclamada liberdade
Tocar a campanhia de cada casa da cidade
Eu quero um surto de loucura, dançar no meio da rua
Cantar músicas idiotas na chuva, correr completamente nua
Quero mais ação, menos razão.
Eu quero gritos estridentes, gargalhadas demoradas
Muito álcool na cabeça e sexo nas calçadas
Quero rock'n'roll nas alturas, calça desfiada
All star sujo de terra, camisa dos Sex Pistols desbotada
Quero gente na minha cama, sendo todos de passagem
Homens e mulheres e muito mais libertinagem
Quero esmurrar alguém na rua e roubar todo o seu dinheiro
Vou me espreguiçar no sofá enquanto desajeito meu cabelo
Quero comer até me encher e desejar algo de alguém
Vou alimentar meu desejo sexual enquanto ainda tem
Quero todos os pecados correndo no lugar do meu sangue
Quero montar um banda de rock ou ser chefe de uma gangue
Hoje quero tudo sem medo, me entregar ao devaneio
Quero blasfemar contra mim mesma e cuspir no meu reflexo no espelho
Vou ir contra o cotidiano, tomar o navio através de motim
Encher a taça de loucura e deixar a insanidade se apossar de mim.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Mais uma dose de amor, bem forte por favor!

Me puxa. Me joga. Me segura pelos cabelos. Me beija.
Passeia tua mão em mim, me desvenda, me desmonta, me profana, me faz insana.
Uma vez. Ao menos uma vez.
Me toca do jeito que eu sempre imaginei. Do jeito que eu sempre quis e desejei.
Me deixa sentir teu corpo, teu rosto, teu gosto.
Me bate. Me fere. Me machuca. Me indaga o porque de tanto amor. O porque desse amor maluco que eu insistentemente nutro.
Me toca nem que seja pra fazer minha pele arder. Joga comigo. Me deixa jogar com você.
Me marca. Me descobre. Se alimenta de mim. E alimenta esse meu masoquismo doentio. Faz meu corpo arder em chamas em meio ao frio.
E eu sei que você vai embora mais tarde. Mas que se dane o depois, agora eu só quero saber de nós dois. Eu esqueço do passado ou do futuro e me fixo no presente isso aqui entre a gente. Me toma. Me tente.
Me faz e desfaz. Me usa e abusa. E me joga no canto, como uma boneca de pano.
E se vai, sem olhar pra trás. E não se preocupa ou me procura.
Mas eu não ligo e fico. Fico com a lembrança de que eu consegui uma vez o que eu queria. Fico aqui com a minha dor e a minha alegria.
E em uma noite qualquer quando a gente se encontrar, eu não vou ter nada pra falar.
Eu só vou querer mais uma dose de amor, bem forte por favor.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Um copo de calmaria com dois cubos de sanidade

A porta foi aberta, a luz invadiu a sala. As sombras foram aos poucos sumindo de forma acanhada. Aquela luz adentrou tudo ao meu redor e iluminou as mais obscuras frestas na parede de tintura falha.
Ela clareou meu dia e minha noite. Nem mesmo o céu em sua negritude consegue mais obscurecer minha vida.
Minha luz, sua luz, essa luz.
Essa luz do seu sorriso.
Tudo gira quando você está lá, nada fica no lugar, porque minha pele se arrepia e aquele calor gostoso e aconchegante se faz presente.
Efeitos da luz.
Clara e quente.
Minha luz é você, tem mais algo a se dizer no momento? Não! Não tem.
Sua luz quis se transformar em minha luz, e me preencheu. Agora a gente sente junto na beira da lareira com um copo de vinho com dois cubos de gelo.
Tudo parece tão calmo. Tão são.
Não há mais copos espatifatos no espelho ou marcas de soco na parede.
A luz mandou a escuridão pra longe.
E se o som tocar algo obscuro e a tristeza bater a porta, a gente se envolve na luz como em um manto e ri da cara da solidão.
Não há mais lugar pra ela, nem em mim, nem em você.
Não há mais eu, não há mais você, há o nós.
E somente o nós.
Entrelaçados pelas correntes quentes de luz.
Então enche o copo e vamos continuar sorrindo e vendo o fogo crepitar.
Enche o copo.
Um copo de calmaria com dois cubos de sanidade.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Eu sou assim mesmo.
Meio estranha, meio errante, com distúrbios de personalidade e um humor distorcido que oscila de instante em instante.
Com uma mente meio diferente, que aceita tudo e todos, com seus gostos e desgostos e que odeia preconceito e falsidade.
Sou assim com esse jeito de dizer na cara e mandar tudo se fuder quando o stress bate à porta. Um ser humano que nem parece humano porque não segue os fundamentos da humanidade.
Um ser que não se encaixa, que não se prende e que se perde dentro de si. Dentro dos próprios pensamentos, das próprias opiniões e dos próprios sentimentos.
Um ser que não se prende, mas se perde. Talvez se perca por não se prender, talvez não se prenda por querer estar perdido.
Meio distante, meio perto demais, que não sabe quando vai, pra onde vai, mas sabe que vai. Sabe que não fica. Nunca fica quieta em um lugar só. Balança a perna quando tá sentada só pra não ficar parada.
Porque nada para. Nem o tempo para, então a gente não deve parar. 'Dormir não dá XP' já diz as boas línguas, ou más, quem se importa.
Ninguém se importa com nada mesmo.
Pra mim nada tem sentido. E por não ter sentido que é legal. Porque a gente busca o sentido, e se quebra, se fode, estoura a porra da cabeça pensando em um sentido que não existe. E é isso que torna o nada interessante.
Sou assim mesmo. Um ser que vai e vem na corda bamba da vida, como um iôiô. Sou assim mesmo, aquela que quando não gosta, odeia. Quando gosta, ama.
Sou assim ou 8 ou 80.
Vou seguindo, chorando, sorrindo, quebrando os copos, esmurrando as paredes ou gritando na frente do espelho. Mas vou seguindo.
Já disse que vou.
Não sei quando, nem pra onde, mas me espere que eu vou.



(?)

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Engraçado como sempre há uma música. Uma música pra quando estamos tristes, pra quando estamos felizes, pra quando estamos apaixonados. Mas sempre há uma música.
Músicas embalam nossas vidas, grudam em nossas mentes, e disparam pelas nossas bocas quando algo nos faz lembrar delas.
E é engraçado como a gente prefere as que falam de amores. As que cantam amores.
Eu não canto amores, eu escrevo amores.
Não. Não é a mesma coisa se é o que você tá pensando.
Amores cantados são ritmados, rimados e afinados. Meus amores são descompassados, destorcidos, desajustados.
Amores cantados são letras impressas no papel com destino certo. Meus amores são palavras jogados ao vento, levadas pelo vento, para o vento.
Amores cantados tem tempo, duram uma música. Meus amores duram o tempo suficiente para serem eternos naquele momento.
Amores cantados tem sintonia, sinfonia, guitarra, bateria. Meus amores não tem refrão, tudo é central, não tem rima, é tudo anormal.
Eu não canto amores. Eu escrevo amores.
Sem voz ou violão.
Amores cantados viram hinos, serenatas em noite de lua cheia, estão na boca de todos. Meu amores só estão em minha boca e na boca dos meus amores.
Eu não canto amores. Eu escrevo amores.
Amores cantados tocam para sempre. Meus amores sempre tocam.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

"Eu não vou gostar de você porque sua cara é bonita..." ♫

E as pessoas seguem em frente em meio a um turvão de sentimentos distorcidos, realidades falsificadas, e uma utópica vontade de ser feliz.
Todos falam sobre sentimentos e emoções, quando na verdade estão apenas fingindo sentir. O 'eu te amo' tornou-se tão natural quanto dizer que vai na padaria comprar pão. As pessoas ocultam o 'eu te odeio' como se isso fosse um segredo que não pudesse ser revelado.
Ninguém sente mais nada. São todos robôs entorpecidos que sorriem apenas por sorrir, e por dentro estão quebrados como bonecas de porcelana jogadas ao chão.
E se dizem apaixonados a todo momento. Bobagem. Mentira. Hipocrisia pura.
Ninguém ama ninguém a ponto de dar sua vida pelo outro. Nunca ama.
A única pessoa que a gente ama é a nós mesmos, e às vezes nem isso.
E se olham no espelho, e se julgam comparando-se a outros. E isso não me satisfaz.
Suas mentiras não me satisfazem e não satisfazem ninguém. Nem a você mesmo.
E mesmo que sua pele seja limpa, que seus olhos sejam claros e seus cabelos sedosos. E mesmo que seu corpo seja escultural e seus sorriso seja perfeito, eu não vou gostar de você porque sua cara é bonita.
O ser humano é mais que isso.
Não sou ninguém pra julgar, ou criticar, mas sou assim, meio estranha e que olha apenas pra dentro da pessoa.
Então pegue sua cara bonita e vai dar uma volta, porque pra mim, seu conteúdo é um vácuo.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Porque as pessoas tem tanto medo de ser feliz?
Eu vejo os rostos desesperados por um pedaço de felicidade, por uma migalha de esperança, mas não vejo ninguém fazendo nada pra conseguir isso.
Todo mundo quer as coisas, mas ninguém corre atrás.
Se você quer realmente uma coisa, custa lutar?
Passar por cima dos obstáculos, não importa quais sejam eles?
Eu me acho corajosa.
Eu luto, eu brigo, eu discuto, quebro a cara se for preciso. Mas não desisto.
Me machuco, me ferro, me fodo. Mas tô ali, sabe porque?
Porque quando eu quero algo que CORRO ATRÁS porra.
Mas não tem graça correr atrás sozinha. Se eu e você queremos a mesma coisa, porque você espera que eu lute enquanto você assiste calado com medo de arriscar seu pescoço?
Porque não toma um pouco de coragem e solta esse grito preso na garganta? Porque deixa que todos falem e se mantém calado com medo de sentir-se reprimido?
Porque não escandaliza o que pensa? Porque não faz o que tem vontade?
PORRA, QUER MESMO? ENTÃO FAZ!!!

O que mais me irrita? Ver a falta de coragem das pessoas pra lutarem pelo o que querem.
É deprimente.

domingo, 17 de janeiro de 2010

'Eu gosto de você, e gosto de ficar com você...' ♫

E eu nem sei porque as palavras somem quando eu tento falar sobre você.
Não sei porque elas se transformam em borboletas e voam suavemente pra longe do meu alcance e eu me pego perdida e sem saber o que dizer.
Não que seja difícil explicar o que estou sentindo, pelo contrário, é fácil. Mas não sei porque parece que tudo entala e fica preso quando é sobre a gente.
Eu gosto de estar com você, do seu cheiro, do seu gosto, do seu rosto. Gosto do modo como você sorri, do modo como você me olha, e de ver meu reflexo nos seus olhos e ter a certeza de que eu sou o seu foco.
Gosto das coisas que você diz, e gosto quando canta baixinho pra mim. Gosto de segurar sua mão durante o filme, de sentir teu abraço e das caras e bocas que você faz quando a gente se olha.
Gosto do seu 'nada não' depois que eu pergunto porque você está sorrindo. Gosto da sua sinceridade, do seu afeto, do seu carisma.
Gosto da forma como você diz que talvez, quem sabe, não sei, então é.
Gosto quando você brinca comigo e com meu ciúmes. Quando me provoca e me faz virar a cara pra depois sorrir e me beijar até eu não ter mais raiva.
Gosto do jeito como você me segura pela cintura ou quando mexe no meu cabelo. Gosto quando você aperta meu nariz só porque você gosta de apertar.
Gosto de gostar de você e ver você gostar de mim.
E assim a gente segue. Deixando as palavras voarem livres desde que os sentimentos continuem em nós.



Te amo! (♥)

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

A dança das estações - Dance of days ♫

Vem sem medo a meus braços, meu amor.
Que a tristeza não vai mais espreitar pelos cantos
e apertar assim o peito.
Fica assim, aqui perto,
que o teu cheiro me faz seguro,
teu calor me protege e teu corpo me cura o vazio.

Pra que brincar de ter razão?
É besteira não querer errar
e é tolice demais curtir a dor.
Deixa pra lá tudo isso
e vem dançar a dança das estações.

Ah, tenta não ligar pra essa gente
chata e sem graça.
São tolos demais
esses mortos cegos e adultos.

Gosto de te ver rindo
e da riqueza das coisas simples
que guardo qual tesouros.
E a beleza está em não ter pressa.
Que corremos demais, meu amor,
e é hora de parar, deitar na grama,
falar só besteira e rir da vida.

Ah, deixa isso pra lá
que esse mundo é todo errado.
Fica perto então
que tanta solidão já feriu demais.

Vem dançar a dança das estações.

sábado, 9 de janeiro de 2010

Eu estou feliz.
Muito feliz na verdade.
Mas é engraçado como sempre me corrói essa sensação de que algo está por vim. Que a maré não baixou e que depois da calmaria vem a tempestade.
É como se eu sentisse que ondas estão se acumulando pra me derrubar da prancha.
Tomara que eu esteja errada, porque está tudo indo muito bem.
Quero que apenas melhore e as ondas não venham.
Está bom aqui apreciando a temperatura da água sem medo de me afogar.