domingo, 24 de outubro de 2010

Hoje eu saí de casa.
Caminhei sozinha entre as ruas vazias de um domingo tedioso.
Coloquei créditos extras no celular pra ligar pra todo mundo da minha agenda telefônica.
Entrei em um restaurante e comi por necessidade, não por vontade. Ao meu paladar, nem gosto tinha.
Tomei uma coca com gelo e limão. Evitei o kuat pra não lembrar de você a cada gole.
Me permiti paquerar algumas pessoas, as quais eu sabia que não passariam de uma paquera.
Observei uma farmácia aberta, pena eles não terem remédio que conserte um coração quebrado. Senti a chuva vindo e não fugi dela. Não me importei com o cabelo ou a roupa, andei sob a chuva e senti-me lavada.
Reparei em algumas vitrines de lojas de roupa e critiquei a falta de senso de moda de quem a arrumou. Dei oi para estranhos na rua.
Peguei no celular umas três vezes pra ligar pra você e mudei de ideia.
Lacrimejei os olhos por detrás da lente escura do óculos.
Fiz uma prece silenciosa em minha mente, renovei as esperanças de um amanhã melhor, me fiz promessas que talvez eu não venha a cumprir.
Notei que estou abdicando de uma vida construída pra ir atrás de futuro incerto, que estou destruindo a minha base apenas para não precisar te ver e sofrer tanto assim.
Pensei em comprar umas cervejas para acompanhar o jogo de hoje. Ainda vou comprar daqui a pouco.
Vi alguns amigos seus passando na rua, eu sei que iam lhe encontrar.
Cantei nossa música pra mim mesma, chutei algumas pedras no caminho, e não me senti mais leve.
Vim pra casa com o mesmo gosto amargo de insatisfação na boca. A mesma tristeza entalada na garganta e as mesmas lágrimas teimando em sair por trás dos óculos.
Agora escrevo pensando no meu 'dia' e vejo que não importa o quanto eu tente, me esforce, saía e viva, vai ser sempre você em quem eu vou pensar a cada passo do percurso.

Um comentário:

Roben disse...

"vejo que não importa o quanto eu tente, me esforce, saía e viva, vai ser sempre você em quem eu vou pensar a cada passo do percurso."

é, eu entendo bem.