terça-feira, 29 de dezembro de 2009

É hora de abandonar essa casca.
Na verdade, já passou da hora. É o que todos dizem.
O mundo cercado por uma névoa ilusória de sorrisos e confraternização.
Foda-se tudo! Não me interessa final de ano porra nenhuma. Tô cansada de todo mundo fingindo que ama todo mundo, todo mundo fingindo que se arrepende do que fez ou do que deixou de fazer.
Tô cansada das pessoas esperando que seus sonhos se realizem quando elas mesmas não correm atrás de realizá-los. Sonhos não caem do céu, porra!
Tô cansada das pessoas fazendo promessas pro próximo ano, promessas que nunca serão cumpridas. Todo ano é a mesma coisa.
Vou me dedicar aos estudos, arrumar um emprego, ser fiel ao namorado, arrumar um namorado, buscar um amor, buscar amizades, buscar qualquer coisa que seja, mas nunca buscam. Então pra que fazer essas merdas de promessas?
É pra se enganar? Iludir? Mentir pra si e pros outros?
Porque ao invés de ficar pedindo ou prometendo coisas, as pessoas não deixam apenas rolar? Porque o ser humano não sabe ser sincero?
Quer mudar? Muda, porra!
Aproveita o final de ano e diz na cara daquela pessoa que você odeia, que você a odeia. Para de fingir sorriso e fecha a cara se não gosta de quem viu. Liga para aquele amigo com quem você brigou, mas que sente falta, e pede desculpas. Dá na cara daquela pessoa que você tem vontade de esmurrar toda vez que cruza seu caminho. Esnoba aquele cara que te deu o fora, e faz dele gato e sapato. Diz tudo o que você quiser, faça tudo o que você quiser... Quer ser verdadeiro no final de ano? SEJA VOCÊ!
Já chega dessa hipocrisia e desse amor utópico que todo mundo sente no final de ano. Pensar no que passou não vai trazer o passado de volta, então foda-se o ano que tá terminando. Planejar o que ainda está por vim, não vai fazer vim mais rápido, então foda-se o ano que tá chegando. O que importa é o agora.
Então aproveita o agora e faz o que quiser.
E para de fingir que gosta de todo mundo, porra! NINGUÉM gosta de todo mundo.
Que merda de falsidade.




E não. Eu não vou desejar um feliz ano novo, vou desejar pra você, o ano novo que você merecer!

domingo, 27 de dezembro de 2009

Não. Eu nunca teria imaginado, cogitado, sequer sonhado que algum dia nós estaríamos assim, aqui, nessa situação. Não nós.
Não que haja algo de diferente em nós, ao contrário, nos damos bem e tudo o mais, mas eu apenas não imaginaria.
E se alguém tivesse dito, eu iria sorrir e rir de tal maluquice.
Chega a ser loucura dizer agora que você é minha esperança, irônico te definir como a minha luz verde. Irônico o verde nesse caso.
Mas é incrível estar vivenciando isso. Talvez o não esperar dê um 'q' a mais em nisso aqui. Vai saber. É sempre assim né? Tanto faz, vai saber.
Mas talvez seja isso que eu goste em você. Esse seu jeito de não se importar com nada, deixar a vida levar como um barco apenas flutuando sem rumo.
Esse seu jeito engraçado, meio nervoso, mexendo frequentemente no cabelo e fazendo careta pra foto. Essa sua mania de deixar tudo rolar e acontecer, sem se preocupar, porque a gente sabe que o tempo não para.
Talvez seja porque eu acredito que com você eu possa sentar e descobrir desenho em nuvens, talvez porque eu acredito que com você possamos cantar juntos, meio assim, desajustado, desafinado, desajeitado e tornar a música em algo descompassado.
Talvez eu goste de como a gente combina e descombina. De como somos parecidos e diferentes, como água e óleo, e como açucar e água. Vai saber.
Tanto faz.
Pode ser.
Não sei.
Só sei que eu gosto de você, e gosto de estar com você. Vai saber no que vai dar.


(♥)

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Deseje em mim suas palavras, ou jogue-as ao vento.
Deixe que a brisa leve tudo o que você tem a dizer.
Vamos!
Grite!
Xingue!
Praqueje!
Esmurre as paredes!
Mas desabafe.
Fale tudo o que quer, o que sente, seja você, seja livre. Sinta-se livre.
Não prenda as palavras dentro de si, diga tudo o que quer me dizer, sem medo, receio, apenas diga.
Não importa se eu vá chorar, sorrir, gritar de volta, mas diga.
Só quero ter certeza de que você está bem, que não está escondendo nada de mim.
Vamos, FALE!
Pare de se retrair, de se fechar pro mundo, de se fechar pra mim.
Pode confiar.
Grite comigo se quiser, grite com o nada se quiser, sorria, chore, se desespere, mas viva.
Eu estou aqui, do seu lado, te olhando e esperando que você derrame suas lástimas e confissões. Pode jogar, eu aguento. Eu te seguro, te ajudo, te carrego se preciso. Então, fraqueje, isso não vai te fazer menos homem. Seja você, seja eu, seja nós dois juntos.
Seja tudo e seja nada.
Mas fale comigo. É tudo o que eu peço.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

sinto sua falta.
mesmo estando perto, eu sinto sua falta.
eu olho nos seus olhos, pego sua mão, beijo sua face, sinto seu abraço, todo dia, mas ainda sinto sua falta.
se eu pudesse torná-lo inteiramente meu, não temeria punições.
se eu pudesse fazê-lo ser completamente meu, não temeria restrições.
se eu pudesse suprir essa falta, não temeria nada.
apenas se eu pudesse estar contigo.
mas eu estou, você diz.
mas não sinto como se estivesse.
é como se você estivesse ao meu lado, mas não estivesse, entende?
então, eu sinto sua falta.
demais.
volta.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Eu nem sei mesmo como começar, ou nem ao menos se devo começar a escrever isso... Talvez seja um erro, mas não me importo muito com isso, erros são constantes ultimamente em minha vida.
O fato é que preciso dizer... Que eu penso em você.
A cada dia, cada hora, cada minuto, cada segundo disso que denominaram existência.
Queria dizer que mesmo que eu tenha jurado pra mim e pra você que não mais te queria, que não mais lutaria, que não mais sofreria por ti, tudo não passou da mais pura mentira.
Eu quis acreditar e fazer todos acreditarem que eu estava bem e que tudo ficaria preso no passado. Antes fosse! O passado não me deixa, você não me deixa.
Na verdade, eu fui por sua causa. Talvez você não tenha percebido ou notado, mas já me acostumei, você nunca percebe, nunca nota, nunca repara em mim... Pelo menos não de verdade.
Eu fui embora por sua causa. Você acha mesmo que eu deixaria tudo pra trás porque estava entediada? Cansada? Não! Eu tinha coisa demais, uma vida construída, poderia conviver com o tédio e o cansaço, mas nunca, nunca conseguiria conviver com você.
Não especificamente com você, somos amigos, eu sei. Mas seria impossível conviver com esse amor latente dentro de mim, se debatendo toda vez que nos abraçavamos. Eu neguei, chorei, lutei contra isso. Me afastei, respirei novos ares, até por mais tempo do que deveria, conheci outras faces, vozes, gostos. Inútil.
Nenhum gosto tão doce, amargo, azedo, cítrico quanto o seu gosto. Porque você tem todos os gostos, você tem tudo o que eu preciso, apenas você.
Como eu poderia conviver sorrindo pra você, me alimentando de abraços amigáveis, quando tudo o que eu mais queria era te tomar pra mim? Me diz... Como?
E mesmo agora, longe, eu estou pensando em você. Sempre e sempre.
Eu te amo! Como sempre amei, como sempre vou amar, você consegue me entender?
Eu fui embora por você, porque você me tira a sanidade.
Talvez funcionasse insana, mas você nunca me quis, nunca me amou, desejou, sequer me notou.
E agora tudo o que eu mais queria era voltar. Era voltar para você, mas para você mesmo, entende? O pior é que você sabe que basta uma palavra sua para que eu volte, bastava uma palavra sua para que eu nem mesmo me fosse.
Eu fico aqui, fingindo que vou seguir em frente, que está tudo bem, mas não está.
Nunca vai estar. Droga!
Nunca vai estar tudo bem sem você.
Eu te amo... Eu te amo! E às vezes isso me assusta...
E eu nem mesmo sei se você vai ler isso, talvez leia e ignore, geralmente é o que você faz, não é? Ignorar...
Mas eu precisava desabafar... Eu te amo, você sabe, eu sei, todo mundo sabe, mas finge que não vê... Pra tentar amenizar, como se funcionasse.
Eu ainda penso em você, e vou continuar pensando...

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Quando se ama o amor!

Eu sempre tive o amor ao meu lado. Ele sempre esteve ali, à espreita, esperando a mínima brecha na porta para poder entrar, acomodar-se e depois partir. Como se nunca tivesse estado ali.
E eu sempre cometi o mesmo erro. O deixei à vontade, fingia trancar a porta, mas deixava uma fresta por onde ele pudesse passar, e eu fingia irritação, mas sorria por dentro, porque o queria ali. Sempre quis o amor.
Gostava daquele ir e vir, daquele jogo bobo de gosta e desgosta. O deixava entrar, o deixava partir.
Talvez ele tenha cansado de jogar, talvez ele tenha cansado de mim.
E agora todo dia eu abro a porta, olho ao redor... E não o vejo.
E eu finjo que vou buscar algo lá dentro e 'esqueço' a porta aberta, enquanto às minhas costas bate a falsa esperança de que ele vai mais uma vez invadir a sala e jogar-se no sofá... Mas nada acontece.
E eu choro. Eu grito. Peço outra chance.
E o amor me ignora, não me ouve mais, não me procura mais, não bate à minha porta.
E eu abro tudo. Portas, janelas, portão. E espero de braços abertos, o coração na mão e uma vontade latente de que ele venha ao meu encontro. Rápido. Me salvar.
Porra, amor! Vem logo!
Eu te quero, te desejo, te espero.
Porra amor! Vem logo!
Invade minha casa, destrua meus móveis, e me quebre por inteira. Depois desfaça de mim e se vá, com aquele sorriso sádico no rosto de quem mais uma vez conseguiu me ferrar.
Porra, amor! Eu te amo!
Eu te amo, amor... Droga!

sábado, 5 de dezembro de 2009

Inércia.

É complicado não ter o que escrever.
Ter que pegar papel e caneta todas as noites e rabiscar palavras desconexas nas folhas em branco.
Eu poderia culpar a falta de tempo, a falta de senso, a falta de frases, a falta do que falar.
Mas a culpa é da inércia.
Dessa maldita falta de sentimento que resulta em textos não terminados por falta de inspiração. E não falo sobre a falta de amor. Não apenas ele. Também a falta de ódio, raiva, rancor, amizade, compaixão, carinho, solidariedade... A falta de tudo.
Escrever palavras soltas, sem versos, sem sintonia, sem harmonia, é como fazer uma roupa sem costura. É necessária uma linha que una as palavras entre si... Essa linha é feita de sentimentos.
Por isso minhas palavras parecem crianças acuadas perdidas em um labirinto. Elas não sabem para onde ir ou o que fazer. Mantém um vai e vem constante que não resulta em nada... Como esse texto.
Essas palavras aleatórias que não falam sobre nada. Justamente por não ter sobre o que falar.
Agora eu já posso encarar a folha em branco com o lápis na mão e a cabeça vazia.
Talvez eu deva beber um pouco, relembrar alguns fantasmas do passado ou encarnar um personagem melodramático de algum filme ou novela pra ver se a inspiração vem.
Ou posso jogar o caderno do lado, ir dormir e admitir que a fonte secou.
Sem ter o que sentir... Não posso escrever.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Não que eu me importe com o que os outros vão dizer.
Você sabe que eu não ligo pra isso, nunca liguei.
Não é esse meu medo.
Eu tenho medo desse sentimento, se existe sentimento.
Eu tenho medo de ainda te amar, mas não deixar transparecer e acontecer por não querer sofrer tudo outra vez.
Eu tenho medo de não te amar mais, mas querer que esse amor exista apenas pra suprir a minha necessidade de romantismo exagerada e pra acreditar que poderia dar certo, e que ainda pode.
Eu tenho medo abrir as portas pra você mais uma vez e vê-lo entrar, acomodar-se, bagunçar tudo e depois ir embora deixando a parte mais difícil pra mim, me reorganizar.
Talvez você diga, os outros digam que eu sei brincar com palavras, mas nunca aprendi a brincar com sentimentos. Não sei fazê-lo ir e vir ao meu bel prazer como um iôiô que a gente joga e puxa quando quer.
Eu quero, talvez eu queira mais que tudo acreditar nas suas palavras. Acreditar na sua necessidade e me fazer ser seu salva-vidas intencional.
Talvez eu queria mais que tudo que você realmente precise de mim, e que eu possa ser a única a te ajudar, porque isso seria satisfatório para nós dois.
Talvez eu ainda te queira, tanto, daquele jeito de querer monopolizá-lo, tê-lo pra mim, em mim, preso enquanto está livre, porque eu quero que você queira se prender a mim.
Eu quero?
Talvez eu queira esses olhos focados em mim de forma que eu possa ver apenas o meu reflexo neles.
Talvez eu ainda te ame... Mas como eu posso ter certeza? Se você vai e vem como as ondas do mar?
Talvez eu ainda te espere... Mas vai demorar muito pra você voltar?
Porque tudo é muito incerto... E o talvez pode pesar pro não a qualquer hora.
Acho que tudo depende de você...
Talvez seja isso... Depende de você.
Eu espero de você...

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Cansei de tudo isso.
Eu jogo a toalha.
Se tiver que vim, venha.
Se tiver que ir, vá.
Mas apenas me deixe deitar, fechar os olhos e descansar um pouco.
É muita pressão.

domingo, 22 de novembro de 2009

'escolhas nunca são fáceis, mas nem são pra sempre, até o pra sempre acaba.'

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

isso não é um adeus.

nessas ruas esquecidas, mal asfaltadas, com pouca iluminação, eu deixo os meus passos para trás.
eles serão sugados pelas sombras, pelos becos escuros, pelos outros passos que irão de passar por aqui.
tudo o que vivemos, o que foi dito, o que foi feito, o que deixou de ser, tudo ficará para trás.
eu olho na direção contrária do sol que brilha a minha frente e não posso ver direito, não é culpa do sol ou da falta dele, é essa corrente de água que passa pelos meus olhos impedindo que eu veja meu passado.
todos estão ali, mas é como se ficasse nublado repentinamente e aos poucos vocês estão sumindo, e eu não quero isso. não.
meu desejo contido dentro do peito pede que não me esqueçam, porque eu nunca me esquecerei de vocês.
não caberia dizer sobre o amor que nutro por cada face, cada voz, cada cheiro daqueles companheiros que estiveram comigo por longas estradas, dividindo alegrias e tristezas.
a despedida é triste, mas serve para o recomeço.
recomeçar não significa esquecer o que já houve, apenas fazer tudo outra vez de forma diferente.
o que eu temo é que a distância faça o som de nossas risadas ficaram baixas com o tempo. o que eu temo é que a visualização de nossas faces seja apagadas com os dias, como uma fotografia antiga.
e logo eu, que não tenho memória muito boa. droga!
só quero que saibam que não importa o tempo e a distância, meu coração é de vocês.
daqueles que compartilharam comigo meus piores e meus melhores momentos.
daqueles que presenciaram minhas lágrimas mais doloridas e meus sorrisos mais felizes.
daqueles que comigo chutaram as pedras do caminho e cairam diante de muros altos demais pra escalar.
isso não é um adeus, é um até mais, logo nos veremos.
meu coração é de vocês e isso sim, é um fato que nunca vai mudar.


eu os amo.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Uma noite a mais é natural.

Coração acelerado.
Respiração descompassada.
Cabeça girando.
Luzes piscando.
Mãos desconhecidas.
Vários cheiros.
Cheiro de vodka, cigarro, perfumes, suor, vômito e gozo.
Os corpos frenéticos se jogam na pista de dança ao som da Lady Gaga. Tá na moda.
Tá na moda ouvir Lady Gaga, tá na moda beber até não lembrar a face das pessoas que você beijou. Tá na moda beijar todo mundo. Homem e mulher. Tá na moda se jogar.
Poker face. Um jogo de blefes. A música combina com a situação, tudo é um jogo.
Lovegame. Um jogo que todos querem jogar. Todos amam jogos.
Tudo o que importa é o movimento, então just dance.
Os corpos se batem, se esfregam, me esfregam.
Depois de vodka, uísque, martini, cerveja e mais um monte de bebida que eu sequer recordo, tudo o que eu quero é um bad romance com boys, boys, boys.
São tantas mãos, tantas faces, tantos gostos, tantos aromas que minha mente gira.
E lá vamos nós para o second time. Tá na moda ter um segundo tempo. Vou trocar os boys pelas girls.
Tá na moda. É fashion.
Mais mãos, mais gostos, perfumes mais doces e mais bebida.
E no final de tudo... sexo.
Porque na noite isso é tudo o que realmente importa. É o que todo mundo procura.
Todos querem sexo, prazer e gozar.
Homens e mulheres, com homens e mulheres. E é isso que eu também quero e sei que é isso que você também quer. Todos querem.
E ali pelos cantos onde o jogo de luz é mais fraco, você pode sentir mais forte o cheiro de gozo.
Porque a bebida, o cigarro, o suor e a Lady Gaga parecem aumentar ainda mais o prazer de tudo isso.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

It's over

Ela morreu.
Finalmente depois de prendê-la, castigá-la e sufocá-la, ela morreu.
Morreu aqui dentro de mim, com a voz presa na garganta e lágrimas presas na alma. Morreu diante de mim, e eu nada fiz para ajudar. Na verdade eu queria que ela morresse.
E você ajudou.
Foi você que segurou minha mão para que prendessemos a respiração dela até ela ficar roxa e perder o brilho no olhar.
Foi você que escondeu a chave do cadeado e impediu que eu abrisse a porta pra ela sair, mas a culpa foi minha também.
Eu queria que ela morresse.
Queria que ela parasse de gritar seu nome durante todo o tempo, queria que ela parasse de encher minha mente com lembranças bonitas sobre o tempo que passamos juntos, queria que ela parasse de trazer a tona o teu cheiro, o teu gosto, a tua voz. Então eu não procurei pela chave e não lutei quando a sua mão segurou a minha para juntos a sufocarmos.
E ela morreu.
Perdeu-se aqui dentro igual o grito dela perdia-se no vazio sem se propagar pra fora daquelas paredes acolchoadas.
Agora que ela morreu, eu posso viver em paz.
Já posso esquecer seu nome, sua face, tudo sobre você.
Já posso dar as costas, ir embora e seguir em frente. Antes eu estaria chorando a morte dela, estaria gritando desesperada e implorando para que fosse apenas mais um desmaio. Mas agora não. Eu nem mesmo vou enterrá-la, vou deixá-la apodrecer, ao invés de cobrí-la com terra, vou cobrir seu corpo com as memórias dolorosas que tenho de você.
Vou usar tudo de sujo que já tivemos, todas as lágrimas que já chorei por você, toda a dor que você já me causou... Vou usar tudo isso para que ela apodreça mais rápido e não posso voltar.
Obrigada por me ajudar a matá-la.
Ela morreu.
Definitivamente.
E graças e isso eu posso trancar a porta pra você e não abrir nunca mais.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Uma parte de mim

Uma parte de mim está a gritar.
Ela está aqui dentro gritando incansavelmente pelo teu nome.
E eu a mantenho presa.
Ela se debate entre as paredes acolchoadas enquanto o grito é sufocado no vazio sem se propagar para o lado de fora.
Eu não quero que você a ouça. Não quero que ninguém a ouça.
E ela continua a gritar.Chama,clama,grita,implora por você. Implora e chora.
Mas ela vai ficar presa. Vai permanecer presa. Por paredes brancas e a prova de som. Paredes chamadas de orgulho.
Não.
Eu não vou deixar que ela se jogue aos seus pés implorando por um beijo apenas pra alimentar o insaciável desejo de ter sua saliva em sua boca.
Eu não vou deixar que ela corra até cansar as pernas apenas pra implorar que você a olhe mais uma vez nos olhos.
Eu não vou deixar que ela grite até perder a voz apenas pra ter sobre si um segundo de tua atençao.
Eu não vou deixar.
Eu vou mantê-la presa. E vou tapar-lhe a boca, e amarrar-lhe ao pé da cama.
Vou fazer de tudo pra que ela não volte atrás e resolva tentar mais uma vez.
Não vou alimentar esse vício chamado você.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Boneca




Era uma vez uma menina.
Uma menina que gostava de bonecas.
Smpre lindas, intocáveis, de beleza imutável e perfeição invejável.
E um dia, essa menina conheceu um príncipe. Ele não morava em um reino distante, não viera em cavalo branco e ela não estava em perigo, mas foi aquele príncipe que ela escolheu pra si.
E ele lhe mostrou um mundo novo. Com novas cores, novos sons, novos gostos, outra vida.
E ela cansou de bonecas. Sempre iguais, mesmas expressões, sem sentimentos, mesmice, rotina, tédio. Morbidez.Bonecas são descartáveis era o que ela pensava.
E resolveu abandonar as bonecas. As jogou em um canto rejeitando-as e deixando-as serem consumidas por teias de aranha entre poeira e mofo.
E ela se deu ao príncipe. Se entregou de corpo e alma, por completo, com tudo que tinha, com tudo o que pode. Ela o amou do jeito que podia amar com toda a sua força.
E ele tirou dela os beijos, os toques, a pureza. E deu a ela outro mundo novo, um mundo de sujeira, promiscuidade, depravação, imundice.
Ele a iludiu, a tomou em seus braços pra depois jogá-la fora como algo descartável... Ah! Então era assim.
Era assim que as bonecas deveriam estar se sentindo quando ela as rejeitou, as desprezou, as trocou por algo novo que só a machucou.
Ela teve seu mundo desmoronado, tudo o que tinha fora tirado de si. Era como se tivessem tirado seu coração em unhas afiadas. Ela se sentiu sem vida, como se tivesse sem bateria.
Se sentiu uma boneca.
Jogada na estante dele esquecida entre a poeira e o mofo.


~~*~~
ps: pra que não souber, sou eu na foto, ok? =***

sexta-feira, 30 de outubro de 2009


Está queimando minha garganta.
Eu poderia estar bebendo água, refrigerante, um leite com nescau talvez, qualquer coisa pra ajudar a descer, mas optei pela vokda.
Já que era pra morrer, já que era pra tomar veneno, drogas por drogas, optei pela vokda.
Está queimando a garganta, mas a ardência é menor que a falta da tua presença. Eu poderia erguer a cabeça e seguir em frente, convencer as pessoas de que eu estava bem e que ia conseguir sem você, mas eu poderia convencer a mim mesma disso?
Não. Simples assim.
Eu poderia sorrir, brincar, sair com as amigas, beijar outras bocas, sentir outros toques e fingir que estou feliz e superei, mas de nada adiantaria. Se assim que a porta fosse trancada após outro ir embora depois de uma péssima noite de sexo sem amor, seu cheiro me voltaria à memória, me envolveria entre os lençóis e choraria.
Choraria a sua ausência, choraria a sua falta, choraria sobre o maldito bilhete que é tudo o que me resta de você agora.
Então decidi não viver. De nada me adianta existir, se não vou viver. Não poderia viver sem você. Me critiquem, eu sei que vão fazer isso. Me chamar de tola, burra e estúpida. Dizer que não valeria a pena morrer por alguém que não me ame, que não me merece.
Me teçam elogios de que sou linda e boa demais pra você. Foda-se o mundo. Eu não quero mais nada, alguém me entende? Eu estou falando grego? Nada mais importa se eu não tiver ele, ok?
Então apenas me deixem morrer.
E a garganta queima. Estranha o sabor quente e cortante. Um sabor que corta, tá aí... Isso sim é legal. Mas cortar não era uma idéia.
Sangue demais, sujeira demais, drama demais.
Sim, eu sei que sou dramática, mas tudo tem limite, né?
Wherever... O que me importa agora é que a ardência tá passando. Ou melhor, acho que eu que já não sinto mais nada. É isso. Assim mesmo.
Não sinto mais nada. O quarto está rodando, não há frio, não há calor e minha mente viaja. Sinto meus sentidos se esvaindo.
A sensação é boa. Talvez veneno fosse mesmo a melhor opção. Pelo menos enquanto a morte abre a porta eu ainda posso ver sua imagem. Bem ali sorridente. Como eu sempre amei.
Mas você está sendo envolto por uma sombra negra. Ou não. Meus olhos estão se fechando, estou perdendo os sentidos... A sombra negra te consome.Te engole. Engoliu por completo e eu fui embora. Você foi embora.
A sobra engoliu nós dois.

terça-feira, 27 de outubro de 2009



Ele chorava por ela. Desesperadamente.
E eu sofria. Silenciosamente.
Não queria vê-lo daquela forma, mas o que eu poderia fazer?
Ele a amava. Infinitamente.
Eu o amava. Indubitavelmente.
Mas ele olhava apenas e exclusivamente pra ela.
E eu os via juntos. Sorridentes. Vívidos. Vivos.
Agora não mais.
Ela já não sorria, já não era vívida, já não era viva.
E ele chorava sobre o corpo dela. E eu o observava.
Ele gritava de dor e sofrimento. E em minha face, lágrimas escorriam refletindo o desespero daquele coração apaixonado. Eu nada poderia fazer, nada poderia dizer. Nada que acalentasse aquele que eu tanto prezava. Nada pra fazer doer menos.
Nem mesmo com ela estática, gélida e pálida, eu poderia ser comparada a ela. Nem mesmo com ela ausente, eu poderia ter alguma chance. Não sabendo que ele a amava daquela forma.
Mas ela continuava linda. Mesmo assim. Mesmo morta. Isso me fez lembrar que ele gostava de literatura e assim eu saí deixando-o sozinho para despedir-se.

~*~

Alguns dias depois ele fora encontrado morto. Suicidio.
Estava com cortes por todo o corpo. Nu. Braços e pernas abertas. E uma grande poça de sangue. Isso me fez lembrar que ela gostava de pinturas.
E cá agora, estou eu fazendo o mesmo que ele fizera com ela. Chorando sobre o seu corpo. Mas mesmo assim, eu não posso ter o mesmo fim que ele. Nem morrer eu posso. Não há espaço pra mim nessa história. Já há um Romeu pra uma Julieta e uma Julieta pra um Romeu.
E mais uma vez ela o tirou de mim. E mais uma vez eu choro sozinha.
Ela linda como a Monalisa.
Ele morto como o Homem Vitruviano.
Eles eternamente juntos como Romeu e Julieta.
As gotas de chuva se misturaram com minhas gotas de lágrimas.
Talvez um dia eu conte essa história... De como o céu chorava no final daquela história que misturava Shakespeare e DaVinci.

~*~

Duas obras mortas como seus criadores.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Xadrez



Preto e branco.
Xadrez.
Um grande tabuleiro de xadrez.
Assim é o mundo. Um grande tabuleiro de xadrez que faz de você ora peça, ora jogador. Você se sente no comando da situação pra depois notar que nada mais foi do que um peão nas mãos invisíveis do destino.
Bosta.
E você inocentemente acreditava que ia ganhar o jogo. Estúpido.
Nesse jogo só quem ganha é quem tem poder, ou seja, ou você é poderoso, ou perde tudo o que tiver pra perder. Esse é o jogo da vida. Essas são as malditas regras que somos obrigados a seguir toda porra de dia. Inferno. Na Terra. Inferno vermelho.
Vermelho que mancha o tabuleiro de xadrez.
Ora preto, ora branco. Ele, o tabuleiro, está ali se decompondo porque o reino ali existente está caindo sob os pés de seu rei.
Todos no reino são corruptos. Todos querem glória, poder, dinheiro, sexo, beleza, vida.
Por isso o reino está caindo. Como a ponte de Londres;
Um reino apodrecido. Caindo. Junto de seus habitantes.
Um peão traidor.
Um cavaleiro ladrão.
Um bispo pedófilo.
Uma torre deteriorada.
Uma rainha adúltera.
Um rei assassino.
Um reino caído.
E assim nos encontramos no mundo real. Um mundo dominado por maçãs podres e habitado por maçãs que querem apodrecer por vontade própria.
Vai entender a cabeça dessas maçãs, devem estar sendo controladas pelos bichinhos dentro delas que apressam seu apodrecimento.
O bichinho da inveja, da cobiça, do querer mais do que pode e deve ter.
E acabam manchando tudo de sangue pra conseguirem o que querem.
Um grande tabuleiro de xadrez.
Preto e branco.
Manchado de vermelho.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

A bailarina.



Uma melodia ao fundo.
A música de abertura de uma apresentação circense.
Estão todos ali.
Mulher barbada. Malabarista. Domador. Atirador de facas. Palhaço. Bailarina.
Uma melodia ao fundo. Uma melodia diferente.
Uma marcha fúnebre. Uma voz doce. Uma voz doce entoando uma canção de morte.
Ainda estão todos ali.
Todos vermelhos e brancos. O sangue que fugiu da pele ensopa o chão.
A mulher barbada com uma gilete, um espelho e pulsos cortados.
O malabarista com seus malabares de fogo virou uma tocha humana.
O domador preso em uma jaula de dentes na boca do leão.
O atirador de facas virou o alvo.
Restaram apenas o palhaço e a bailarina.
Ele chora. Ela sorri.
-Porque choras, meu caro? -ela o indaga com voz calma e suave.
Ele não responde. Olha os corpos e chora.
Ela caminha até o atirador de facas e retira uma faca que estava encravada no braço deste. O sangue jorra. Ela sorri ainda mais.
Volta até o palhaço.
-Palhaços devem sorrir. Sempre. Ou então o público não virá.
Ele chora ajoelhado.
-Ora vamos, sorria querido! -ela o puxa pelos cabelos e olha a face dele.
-Sempre sorrir. -ela diz e rasga a boca dele de ambos os lados.
Um grito de dor perdido na garganta. Agonia. Sofrimento. Fim.
Restaram pontos pálidos em meio a um rio de sangue.
Ela senta e coloca a cabeça do palhaço em seu colo.
-Bom garoto! Sorria! -ela diz sorrindo.
Uma melodia ao fundo.
Um palhaço. Olhos tristes, lágrimas secas, sorriso sem cor. Branco.
Uma bailarina. Olhos ensandecidos, lágrimas desenhadas, sorriso demoníaco. Vermelho.
Uma marcha fúnebre. Uma voz doce. Uma voz doce entoando uma canção de morte.
A canção de uma bailarina sorridente que gostava de branco e vermelho.
Pele pálida e sangue.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Wake up!


Abra seus olhos.
Acorde!
Você pode me ouvir, Alice?
Acorde!

~*~

O que você vê? O seu mundo das maravilhas já não é tão maravilhoso, não é? Não se trata de um sonho. Não mais. Tornou-se um pesadelo.
Um grande rio se estende diante de você. Um rio que banha o mundo.
Composto por H e O.
Hipocrisia e Ódio.
Um sonho é só um sonho. Um pesadelo é real. É sempre mais real que um sonho.
O que você vê no seu pesadelo?
Falsidade? Mentira? Opressão? Tirania?
Corrupção. Tudo está corrompido.
Você também. Você está corrompida também, Alice.
Você pode correr, mas não pode se esconder.
Engolida pelo pesadelo, igualmente corrompida como o mundo no qual se encontra agora.
Você está suja, está vendo? Olhe seu vestido, suas mãos, seu rosto. Suja. De sangue. Vermelho. Vermelho carmim.
Tudo está vermelho. A lua está vermelha refletida na grande poça de sangue aos seus pés. Muito vermelho. Muito sangue. De coelho.
Você dormiu com o chapeleiro, comeu a língua do gato e matou o coelho.
Safada. Você é suja, Alice. Está suja.
E não pode fugir.
Você pode correr, mas não pode se esconder.
Precisa ser punida.
Cortem-lhe a cabeça.

~*~

Acorde, Alice.
Acorde!




~*~
Ao som de: Kanon Wakeshima - Monochrome Frame

domingo, 18 de outubro de 2009


Olá. XDD
Eu estou com um texto novo, but... Como recebi um selo sugoi do blog A-Luna eu vou postá-lo e amanhã eu posto meu texto, ok? XDDD

Vamos lá.
As Regras do selo são:

» Avisar os blogs indicados;
» Indicar no maximo 5 blogs (parceiros do seu blog);
» E dizer 5 coisas que você acha sugoi; (opcional)


Indicados =]
* Wisdom to be wise~
* #Paraíso Proibido
* Arlequim
* Lucio Ramu's
* Home



5 coisas sugoi *-*
* MIYAVI
* Chocolate
* Jogar RPG com os amigos
* Cultura Japonesa
* Ler *----*


Amanhã eu posto meu texto, ok?
=***

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Piedade



Não, porra. Eu não quero essa merda de piedade.
Eu não quero ninguém me confortando. Não pra depois sair daqui me chamando de coitadinha ou dizendo "eu bem que tentei avisar".
Sim, porra. Eu errei, quebrei a cara e o coração, mas e daí?
Só por isso eu tenho que aturar sua cara de pena? Não.
Eu quero chorar, posso? Cansei de sorrir por tudo. Isso cansa, machuca e fode a gente por dentro. Fingir que tá tudo bem quando não está, fode a gente por dentro.
Eu fui burra, estúpida e fui enganada. Eu admito. Satisfeito agora? Você pode me poupar dessa sua hipocrisia? Pode me poupar dessa mácara de preocupação, quando por dentro você diz "bem feito pra ela aprender"?
Não quero a sua piedade. Nem a sua, nem a de ninguém.
Eu não sou coitadinha, ok? Eu quis isso... Eu procurei por isso. Sou masoquista? Que se dane... Talvez eu seja.
E daí se eu amei ele e ele me ferrou? E daí se eu amei outros e outros me ferraram? E daí se eu busco feito louca pelo amor? E daí se o amor é meu único e solitário companheiro? E daí se o amor move meu munod? E daí se eu não sei viver sem o amor?
Me deixa, ok?
Apenas me deixar correr atrás do amor até que minhas pernas não tenham mais forças. Me deixa gritar pelo amor até que minha voz se perca. Me deixa lutar pelo amor até que a última gota de sangue seja tirada do meu corpo. Me deixa. Eu quero.
E se no final eu me foder, me deixa chorar, gritar e sangrar o quanto for preciso até que eu me recupera, ok? Mas não me venha com aconchegos e aquela mesma cara de "tadinha dela, só se ferra".
Não, porra. Eu não quero essa merda de piedade.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009


Cabelos desgrenhados, camiseta e calcinha, dor de cabeça e pés no chão. Sentei-me na beirada da cama e vi o quarto rodopiar. Efeito da vodka ou do perfume adocicado da noite anterior? Não sei dizer.
Olho o cômodo ao meu redor e não encontro ninguém. Estou sozinha. Mais uma vez. Já faz uma semana que a lua me traz companhias e o sol as tira de mim.
Vários rostos, vários gostos, várias bocas, vários corpos, vários cheiros, várias curvas. Curvas sinuosas, provocantes, mas nunca perigosas o suficiente para fazer com que eu me acidente. Nada que me faça bater contra os muros da paixão. Nada que me faça cair nos penhascos do amor. Não mais.
Nenhuma dessas curvas são iguais aquelas. Apenas determinadas curvas me fariam capotar meu carro. Aquelas malditas curvas que me tiraram o sossego durante noites a fio. Curvas completas. Com seios perfeitamente desenhados, de bicos rosados e formas arredondadas. Com cintura fina e quadris largos. Aquelas malditas curvas de asfalto plano que faziam deleitar-me analisando milimetricamente cada centimetro delas.
Caminho até o banheiro com a cabeça rodando. Vou até a pia e deparo-me com o espelho acima desta. Ainda estava lá. Mais de uma semana havia se passado, mas ainda estava lá. A marca do beijo que ela deixara. Que a minha deixara. Teria ela já em mente abandonar-me quando deixou aquela marca de batom? Seria aquele o seu beijo de despedida? Talvez...
Levanto a mão, cerro o punho, encaro o espelho... E choro. Não tenho coragem de socá-lo, de partí-lo em pedaços. Seria como despedaçar nossas lembranças juntas.
Toco de leve a a marca, com um medo absurdo de apagá-la. O formato dos desejosos lábios.
Não tinha o hálito inebriante, não tinha o gosto adocicado ou o calor afrodisíaco. Mas tinha o formato.
E eu choro. Olhando o formato daqueles lábios que outrora me pertenceram. Choro relembrando a suavidade e maciez dos mesmos. Choro desejando-os de volta com uma sofreguidão quase palpável.
O sol presencia o meu choro. Sozinha. Quando a lua chegar, ela tentará me convencer de ir atrás de outra ou outras curvas. Me embriagar, experimentar essas curvas e voltar a estaca zero.
Com o sol me tirando as companhias, a ressaca, os pés descalços, lágrimas salgadas e uma saudade doce impregnada naquela marca de batom vermelho.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009


Ela sorri.
Uma hora sem graça, uma hora feliz, uma hora apenas por sorrir. Mas sempre é ele quem a faz sorrir.
Ela sorri só de pegar o telefone e ligar pra ele. Sorri quando ele fala 'Meu Deus', e ela curiosa pergunta o que é, e ele diz não ser nada;
Sorri quando escuta o 'alô', só não sorri quando caí na caixa de mensagem.
Ele não sabe, não faz idéia, sequer imagina que ele a salvou. Ela não fala nada. Não conta nada. Não diz nada. Mas ela agradece silenciosamente dentro de si por ele tê-la salvo. Mesmo que inconscientemente.
Ela sorri quando a janelinha sobe avisando que ele entrou no msn, sorri por tê-lo ao lado dela, mesmo estando longe. Sorri por ser sua amiga, sorri por ele existir.
Ele sempre a faz sorrir. E ela o adora por isso.
Adora o jeito dele, as manias, os costumes, a voz, a risada. A risada que a faz sorrir também.
As piadas internas a fazem sorrir. Até mesmo saber que o jogo está logo ali, do lado, que ele pode ser abduzido *interna~~* a faz sorrir.
E ela segue assim. Sorrindo. Por causa dele. Por ele.
O que isso quer dizer? Ela não sabe... Mas ainda assim, ela sorri.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Dias iguais


Cansada. Enjoada. Irritada. Entediada.
Exausta desses dias iguais, repeltos de simplicidade, cheios de monotonia.
Dias iguais. Repetitivos. Como reprises de filmes que já tenho todas as falas decoradas. Malditos dias iguais.
Os mesmos gostos de vinhos, os mesmos cheiros impregnantes, as mesmas bocas, os mesmos rostos, os mesmos sorrisos, as mesmas notas musicais. Tudo igual. Tudo outra vez.
Como se cada novo dia fosse velho.
Quero algo novo. Estou em busca de uma tsunami que invada minha vida, bagunce meu mundo e me tire da rotina dos dias iguais.
Quero tudo nova. Novas palavras, novas imagens, novos sentidos. Quero sentir diferente e me sentir diferente.
Quero ver, ouvir, cheirar, provar, tocar. Quero os cinco sentidos em um. Um turbilhão de sensações e emoções. Quero gozar como novo e gozar do velho.
Dias iguais. Cansada de dias iguais.
Então eu deixo a porta aberta para o novo.
Que ele venha!

domingo, 4 de outubro de 2009


E a gente segue em frente.
Sorrindo, cantando, chorando, mas sempre, sempre com os amigos. Amigos antigos, amigos novos, amigos dos amigos, sempre amigos.
Eles são nossa alma, nosso complemento, aqueles que nos fazem seguir em frente nem que seja arrastados. (xDDDD)
Eles nos dão força para dar o próximo passo, eles nos guiam com seus olhos voltados para o futuro, eles nos abraçam, nos beijam, nos dão bronca, nos fazem chorar, nos fazem sorrir. São nosso tudo dentro do nosso nada.
Não importa onde estejamos, o que estejamos fazendo, eles sempre vão estar ali. Para nós. Com seus sorrisos e braços quentes e acolhedores para nos envolver sempre que lágrimas rolarem pela nossa face.
Amigos. Sempre eles, sempre.

Então lembre-se, se você precisar, se quiser gritar, se quiser chorar, sorrir, cantar, pular na chuva, até mesmo bater em alguém (tá, isso não, sejamos pacíficas XD) me chame. Sou sua amiga, há pouco tempo, mas ainda assim sua amiga.
E agora nós sabemos coisas uma da outra, e sabemos coisas de outras pessoas que apenas nós sabemos. Cúmplices, amigas, juntas.
Nós duas.


Aishiteru.
(Post dedicado a uma pessoinha, que ela e apenas ela vai entender, mas podem comentar xD)

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Jogos



Cansei desses jogos. Cansei dos seus jogos malignos que tem regras distorcidas, as quais desfavorecem outras pessoas, fazendo com que seja impossível que você mesmo perca. Ou seja, pedante, cansativo, enjoativo e ainda por cima sujo. Você joga sujo.
Mas eu quero que se dane você, o seu jogo, e os participantes ativos nele que permitem que você faça o que quer no tabuleiro.
Não vou mais jogar o seu jogo, então junte suas peças e ponha-se daqui pra fora.
É isso aí.

Irei criar um novo jogo. Um jogo onde todos possam participar e se divertir, sem roubos, sem trapaças, sem sujeira. Vou chamar novos participantes, novos sorrisos, dessa vez verdadeiros. Vou rolar os dados e seguir em frente com os novos companheiros de partida. Uma pessoa me disse que talvez eu seja boa demais pra você, agora noto que essa pessoa estava certa.
Vou sentar no chão, abrir meu novo tabuleiro, convidar novos amigos, jogar um novo jogo. E se no final nada der certo e eu não vencer, não tem problema. Começo tudo outra vez.
Porque a rainha pode ir e vim quantas vezes quiser.

domingo, 27 de setembro de 2009

Passos Brancos


Primeiro passo: Cinza.
Ela chorou.
Chorou silenciosamente como uma criança desamparada em meio a noite fria. Chorou como se alguém tivesse pego seu coração com unhas afiadas.

Segundo passo: Amarelo.
Ela sorriu.
Sorriu na ilusória esperança de parar de chorar. Sorriu como se o sorriso pudesse a fazer esquecer de tudo o que sofrera. Sorriu para si e para o mundo fingindo estar bem quando não estava.

Terceiro passo: Roxo.
Ela gritou.
Gritou desesperadamente sem que ninguém a ouvisse. Gritou silenciosamente por dentro, machucada, sozinha, sofrida. Gritou em meio ao vão do silêncio, mas nem assim seus gritos agudos chegaram aos ouvidos de quem ela queria.

Quarto passo: Vermelho.
Ela irritou-se.
Irritou-se com tudo, com nada, com alguma coisa. Esmurrou travesseiros, socou paredes, chutou móveis, quebrou copos. Deixou que a ira a dominasse e descontou em tudo a raiva antes contida.

Quinto passo: Verde.
Ela orou.
Orou baixinho no meio da noite silenciosa. Pediu aos ventos, aos deuses e a tudo que lhe fosse permitido pedir, que alguém, em algum lugar, o trouxesse de volta pra ela. Ela orou, rezou, implorou e voltou a orar... Inutilmente.

Sexto passo: Preto.
Ela chorou.
Chorou. Mais uma vez. Tentou, falou, correu atrás... E nada. Então, chorou novamente. Chorou com tudo o que tinha, com tudo o que podia, chorou até suas lágrimas secarem.

Sétimo passo: Branco.
Ela desistiu.
Desistiu de tudo. Do amor, de acreditar nas pessoas, de tentar achar a felicidade tão estrategicamente escondida no pote de ouro no fim do arco-íris.
Agora ela não chora, não sorri, não grita, não ora, não sente. Não há mais cores. Há apenas passos sem cor, sem sentido, sem significado. Tudo é nada. O nada é branco.

Restaram apenas passos brancos.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Sal


Sinto o gosto de sal.
Tudo agora é salgado. Maldito sal. O sal do mar, o sal do sol, o sal das lágrimas que escorrem-me pela face. Esse maldito gosto de sal lacrimoso que todos os dias, todas as horas, todos os minutos está presente em meu paladar desde a sua partida.
Cansei do sal.
Eu quero doce. Vou buscar ensadecida pelo gosto do doce, se não achar o doce serve o azedo, o amargo, o apimentado, ou qualquer outro sabor que não seja o maldito salgado.
O sal me lembra você.
Suas lágrimas tem gosto de sal. Minhas lágrimas por você tem gosto de sal. Seu mentir, seu omitir, tudo em você tem gosto de sal. E eu não quero mais o gosto de sal.
Mentira. Essa minha mentira também tem gosto de sal.
Eu ainda quero o sal, ainda anseio pelo sal, ainda busco incessantemente pelo sal.
O sal que escorre pelos seus lábios em forma de palavras de sabor ilusoriamente adocicado. Um doce falso, sem gosto.
E é aí que entra o sal. Não me importo com o doce, pode ser o sal, contanto que seja o seu sal.
As mesmas falsidades, as mesmas mentiras, as mesmas palavras de sabor disfarçado. Despeje-as sobre mim e deixe minha vida sem doce... Mas volte.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009


-e hoje estou aqui, só pra te cobrar, o que você disse que ia ser pra sempre...-

Que porra de pra sempre nada. Essa merda dessa união dessas duas palavrinhas que fazem você acreditar em mentiras. Criam uma névoa ilusória que faz você acreditar em uma merda de um sentimento que te faz ficar com cara de ridículo boiando o tempo todo, pensando na porra da pessoa que te disse a porra do pra sempre.
Que se exploda. Que se foda.
Essa merda dessa combinação chamada de pra sempre, te coloca no céu pra depois te jogar em um rio negro, onde as algas se tornam correntes feitas desse sentimento maldito, onde você fica preso e morre afogado pra depois descobrir que aquele rio estava cheio das suas lágrimas.
Essa porra de pra sempre, fode você de um jeito sem igual. Te quebra, te parte, te espanca, e tudo isso por dentro. De forma que não é tão fácil de curar, de forma onde a porcaria de um remédio não serve de nada.
Os humanos são falsos, medíocres e gostam de iludir os outros. São todos sádicos malditos que sorriem ao ver suas lágrimas. Todos seres malignos que se divertem as suas custas.
Todos os humanos tem uma maldita língua ferina que sabe falar tudo aquilo que você quer ouvir. É como se ecoassem como melodia dentro de você, te enfeitiçando.
Malditas sereias terrestres.
Eles dizem que te amam, que te adoram, que te veneram, e que vão ficar com você pra sempre.
E voltamos a porra do pra sempre.
O pra sempre que se foda. O amor que se foda. Os humanos que dizem o pra sempre que se fodam. E que se foda todas as promessas não cumpridas que deixaram todos os corações partidos. E isso é tudo.



-irritada-

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Você chega e me toma como se eu sempre houvesse sido sua. Como se desde o princípio você já soubesse que o 'terreno' lhe pertencia e que não importasse por quais estradas eu passasse, no final seria uma encruzilhada para nos encontrarmos.
Você chega e se apossa, se impregna, se faz valer, como se nada no mundo pudesse impedí-lo de me ter, como se nada no mundo fosse impecilho para isso.
Você chega e invade minha vida, desmorona meu castelo criado, querendo de toda forma construir outro comigo. Causa tumulto, revira tudo de pernas pro ar, e jura que vai ficar comigo e que nunca vai me deixar.
Você chega e me tira o controle. Me faz desistir de coisas por você, me faz mil e uma juras de amor, pra me convencer que você é o melhor pra mim.
Ok. Pode comemorar.
Você chegou. E ficou.
Você já tem direito sobre mim, já pode me ter, controlar a seu bel prazer. Pode construir seu castelo sobre mim, pode me fazer sua e tornar-se meu. Já gravaste teu nome em meu peito, já gravastes teu nome em minha mente, já gravastes teu nome em meu ser. Agora vem. Vem e me toma como você desejou desde o início. Vem e me leva com você como você quis desde o príncipio. Vem.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009


É isso aí.
Não foi como a gente achou que ia ser. Tudo foi diferente, drástico, e até mesmo irônico. O fim e o começo junto, de uma só vez, unidos por um laço vermelho que poderia ter sido feito de lágrimas que deu um saíram, de outro ficaram presas lá dentro. Cada qual sofreu do jeito que deu. Foi rápido, foi intenso, foi único. Foi nosso. E mesmo com outra chegada, tão inesperada... Mesmo com outro sorriso, outro olhar, outro amor, você ainda reside aqui. Vai ser sempre meu amigo, confidente, aquele que me ouve gritar, reclamar, chorar, e falar merda quando estou estressada. Aquele que fica do outro lado da linha, rindo, gargalhando quando eu chamo um palavrão pra denominar alguém que tenha me irritado demasiadamente.
É isso aí.
Nós iremos permanecer juntos, mesmo não estando juntos, como eu já disse outras vezes. Sim. Há outro alguém, outro rosto, outra boca, outro amor. Sim, ele há. Ele habita em mim de outra forma, eu o amo, mas eu também te amo. Você foi único e inesquecível. Então, é isso aí... Permaneceremos assim. Unidos, por aquele mesmo laço vermelho que não se rompeu com nosso rompimento.


[Texto dedicado a Limon, que apesar do término do nosso namoro e eu estar com outra pessoa (Alan) continuamos amigos, porque somos sábios e não nos deixaremos nos perder. xDD]

sexta-feira, 4 de setembro de 2009


Não me toque. Não me beije. Não me ame. Ou melhor... Não me engane.
Não quero sentir suas mãos sujas sobre meu corpo, não quero ver seu sorriso sarcástico, suas caras e bocas promiscuas, não quero sentir seus movimentos lascivos em minha cama. Sei que você não me ama. Como todas as outras... Está interessada apenas no que tenho, mais nada.
Levanto da cama e sinto o cheiro incessante daquele perfume que você me pediu pra comprar pra você. Ainda bem que você não está dormindo ao meu lado. Provavelmente deve ter ido embora mais cedo para fazer qualquer coisa. Qualquer uma das suas futilidades cansativas.
Me olho no espelho enquanto me arrumo para ir ao escritório. Porque eu não encontro o amor? Não era pro dinheiro trazer felicidade? Porque pra mim ele traz pessoas interesseiras? Eu quero amor. Quero amar e sentir que sou amado, não pelo o que tenho, mas sim pelo o que sou. Porque eu não posso encontrar o amor? Esbarrar com ele em qualquer esquina? Atropelar ele naquela maldita avenida que eu fico preso todo dia no caminho do trabalho? Porque não. Simples assim. O amor não é meu companheiro, não anda comigo, não gosta de mim.
Saio do quarto e esbarro naquela maldito garrafa de vinho que ela deixou jogada no quarto. Saco! Porque mesmo eu tenho que aturá-la? Eu não tenho... Mas não sei porque faço isso...
Pego o carro, fico preso no trânsito(denovo), resolvo coisas no escritório, saio mais cedo do trabalho, fico bebendo com os amigos e resolvemos ir nos divertir.
Bato na porta do quarto da mulher que será minha esta noite. Não que eu me importe muito com isso, na verdade acho o sexo sem muita graça com qualquer que seja a pessoa, já que eu não tenho amor. Mas com certeza ela não se incomoda... Ela vai ser como todas as outras e estará apenas esperando o meu dinheiro no final do programa.
Ela me oferece vinho. VINHO NÃO. Me lembra a outra. Nem quero estragar minha noite.
Peço Martini. Vermelho. Vermelho fogo. Vermelho vida. Vermelho sangue. Vermelha como a lingerie que a prostituta está usando. Transamos. Tenho que admitir que senti algo estranho, diferente, mas acho que foi impressão. Durante alguns poucos segundos que ela me olhou nos olhos na hora da transa, pareceu poder ver através de mim e ver o quanto eu buscava pelo amor. Impressão minha. Apenas minha louca vontade doentia de ser salvo.
Ela adormeceu. Boba. Como ela pode adormercer sabendo que tem dinheiro a receber? Não deveria ser esse seu maior interesse em mim? Deixo o dinheiro sobre o criado-mudo. Nenhum bilhete, nem teria pra que. Ela também não esperaria por mais do que o dinheiro.
Fecho a porta dando as costas pra mulher que dorme tranquilamente.
E assim eu volto a minha rotina, quem sabe um dia eu também volte aqui. Pra vê-la outra vez... Quem sabe.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009




Minha cabeça gira. O mundo gira. Meu quarto gira.
Ergo a cabeça lentamente olhando ao redor. As roupas no chão, os pratos sujos na mesa, a garrafa de vinho jogada ao lado da cama e o dinheiro sobre o criado-mudo.
Mais um se foi. Mais uma noite. Mais uma vez. Outro corpo. Outra boca. Outro gosto.
Quando você voltará? Você voltará?
Eu me sinto perdida aqui, sabe? Protegida apenas por esse personagem que eu criei dentro de mim. Sei que sou tola, claro que você não vai voltar, não é? Porque você voltaria? Como você voltaria? Pra mim? Nunca. Afinal, eu sou apenas mais uma das tantas mulheres com as quais você já deve ter deitado, e tocado, e beijado, mas nunca amado.
Você não percebeu, não é? Eu notei em você mais do que deveria. Era pra ser apenas mais um cliente, mas acabei notando seu sorriso meio torto, que na verdade não tinha nada de verdadeiro. Eu notei no seu olhar a solidão que o acompanha. Eu notei no seu toque a busca incessante pelo amor mais do que pelo prazer. Você me beijou, me tocou, mas não deve ter me amado, porque se foi. Sem dizer adeus deixando apenas o dinheiro como todos os outros. Nenhum recado, nenhum número de telefone. Nada. Você simplismente se foi.
E porque você faria diferente? Minha cabeça gira. Levanto devagar, tudo gira. É culpa do vinho de ontem? Culpa do sexo sem culpa? Não sei.
Me sinto perdida. Você pode me dizer o caminho? Ele pode? Ela pode? Eles podem? Alguém pode? Não, é claro que não. Porque não há caminho pra mim.
Tomo banho, troco de roupa e espero. A campainha toca. Com uma camisola discreta eu abro a porta enquanto meu coração bate acelerado iludido que talvez seja você. Decepção. Não, não é você. É outro. Mais alto, mais forte, mas qualquer coisa que não me importo em saber.
Ele conversa, bebe, me beija, me toca, me come. Fim de tudo. Eu passei o tempo te imaginando, imaginando seu toque, seu gosto, seu sexo. Tudo em vão, ele se vai. Deixa o dinheiro, também sem recado algum, como se eu me importasse com isso. Eu só queria o SEU recado, que nunca veio, assim como sua segunda visita.
Ele vai e minha cabeça volta a girar. Maldito vinho que me faz girar. A única vez que ela não girou foi quando você esteve aqui e pediu aquele martini vermelho luxúria ao invés desse vinho enjoativo.

domingo, 30 de agosto de 2009


Ela chora silenciosamente.
Trancada no quarto, escondida sobre os lençóis, ela chora. Em posição fetal, tremendo e sem respirar direito. A lua lá fora acompanha as lágrimas da garota assustada. E ela lembra a perda do amado. A perda das pedras preciosas que era aqueles olhos que lhe observavam.
Tanto tempo se passou... Tanto tem já se foi, mas ela ainda chora como se revivesse eternamente o instante em que ele se fora. Ela não pode sair da cama, porque ela teme. O quarto escuro, vazio e assombrado. Os fantasmas dos dois juntos naquele ambiente... São assombrações a lhe atormentar.
Ela chora e ora. Baixinho. Sozinha. Tremendo.
Ela não pode gritar, porque ninguém a ouve. Não há ninguém lá pra ela. Aquele que deveria ser seu... Se foi. Levou consigo a alegria dela... E agora ela só chora. E se esconde.
Ela teme sair dali e se enrosca nos lencóis brancos, já molhados pela água com sal que saí dos olhos agora vermelhos e inchados.
Há apenas o móbido silêncio do quarto vazio. Apenas o som contido do choro silencioso, e o soluço preso na garganta. Mesmo assim, ela não ousa sair. Porque ela sabe que ali tem fantasmas, seus temores são fantasmas, seus rancores são fantasmas, suas doces lembranças agora são monstros do armário.
E ela sabe que permanecer chorando, sozinha no escuro não leva a nada... Mas, com as feridas ainda expostas ela prefere ficar entre seus lençóis.
Ela chora e ora. Baixinho. Sozinha. Tremendo.

domingo, 23 de agosto de 2009


Desde o primeiro instante, foi notável que o destino nos reservou uma surpresa mais que especial... O fato de existirmos um para o outro. Agora eu já me pergunto o que eu faria sem você... Espero que eu não precise pensar sobre a resposta... Mas como você mesmo diz... Nada de promessas, devemos acreditar no amor e não nas promessas que fazemos em nome dele.
Obrigada por existir e por estar aqui pra mim.
Te amo!


[Faz 3 dias que meu amor [Limão xDD] está aqui em casa. Cada segundo é intenso, maravilhoso e inesquecível, como todos os momentos que iremos compartilhar daqui pra frente. S2]

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Meu canto livre


Em um mundo que
Vivemos sem amor
O meu canto livre é você
E a imensidão
Abre-se ao redor de nós
Para além do limite dos teus olhos
Nasce o sentimento
Nasce em meio ao pranto
E se eleva altíssimo e vai
E voa sobre as acusações das pessoas
A todos os mais indiferentes
Sustentado de uma aliança de amor
De verdadeiro amor
Em um mundo que - pedras um dia caem
Prisioneiro é - abrangindo das rosas selvagens
Respiramos livres eu e você - revivem nos chamando
E a verdade - bosque abandonado
Se oferece nua a nós e - por conseguinte sobrevivemos virgens
E limpida é a imagem - nos abre
Agora - nos abraçamos
Novas sensações
Jovens emoções
Expremim-se puríssimas
Em nós
A veste dos fantasmas do passado
Caindo deixa o quadro imaculado
E cria-se um vento tépido de amor
De verdadeiro amor

domingo, 9 de agosto de 2009


Pronto! Você conseguiu!
Você gravou-se em mim. Seu nome impregnou em minha mente e eu penso em você, falo de você e quero você a cada segundo do meu dia, mas e agora?
Você vai se responsabilizar por isso ou vai ser só mais um covarde que não suporta tanto amor? Você vai me abraçar ou vai fugir com medo de ser esmagado por esse sentimento?
O que eu devo fazer agora? Com esse sentimento? Devo prendê-lo com correntes e cadeados? Ou devo abrir a caixa de pandora e deixá-lo voar livre e solto?
Eu não sei o que fazer. Tudo porque eu tenho medo. Sou fraca e medrosa. Fato. Mas como mudar isso? Tenho medo de querer a todo instante o teu cheiro, o teu gosto, o teu toque, a tua essência. Tenho medo de querer tomar você pra mim, medo de te amar tanto que eu acabe te sufocando.
Teho medo de me prender à você e no final não resultar em nada. Tenho medo de que no final eu acabe outra vez em um quarto escuro, apenas com minhas lágrimas e meu coração na mão.
Sim. Eu tenho medo. Muito medo.
Medo de me envolver, me entregar e não conseguir o que desejo. Medo de não ser amada de volta, não ser desejada de volta, medo de viver sozinha com esse sentimento.
Então... O que eu devo fazer?

quarta-feira, 5 de agosto de 2009


Não. Você não precisa olhar para trás. Eu não peço que você esqueça seu passado, porque nele você aprendeu coisas importantes, apenas o deixe adormecido e caminhe comigo. Se você precisar chorar com coisas antigas, não chore escondido. Sente comigo, deite sua cabeça em meu colo e chore. Eu estarei aqui pra você, segurando sua mão e beijando cada um de seus ferimentos até que eles cicatrizem.
Seque a fonte de lágrimas que existe em você, porque eu não quero lhe ver chorar no futuro. Deixe-me tirar de ti toda a dor, todos os seus fantasmas, todas as suas preocupações. Deixe-me tirar de ti tudo o que te aflije para que no futuro, no nosso futuro, restem apenas sorrisos. Para que no nosso futuro, eu possa apenas ver meu reflexo nos seus olhos, ver o brilho de alegria neles, ver seu sorriso encantador.
Sei o quanto você está machucado, mas pegue minha mão e caminhe comigo por uma nova estrada. Deixe-me guiá-lo à um mundo diferente.
Eu quero mostrar pra você meu amor, mostrar pra você tudo o que possa te fazer feliz. Te guiar por um caminho desconhecido, novo, bom.
Não. Não haverão somente flores, haverão pedras, mas eu tirarei as pedras pra você.
E quando você fraquejar e cair, eu te ajudarei a levantar, segurarei tua mão, limparei a sujeira em suas roupas e te carregarei no colo quando você não tiver forças pra seguir em frente.
Deixe-me ser sua, seja meu e juntos poderemos começar tudo denovo. Um novo começo. Um novo viver.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009


Onde? Onde você se esconde? Eu te peço por tudo o que se pode pedir, que você venha e me arranque daqui.
Me tire do fundo desse poço escuro onde os fantasmas do passado teimam em me atormentar. Tire-me desse vazio constante, onde as sombras querer apossar-se de minha alma. Eu lhe peço...
Onde quer que você esteja, o que quer que esteja fazendo, com quem quer que você esteja... Por favor, largue tudo e venha ao meu encontro. Me liberte desses grilhões amaldiçoados que me prendem pelos pés, pelas mãos, pelo pescoço e pelo coração. Abra a porta e me liberte dessas prisão aterrorizante.
Arranque de mim todo o sentimento preso por outro, todo o triste passado sombrio, todos os rancores que meu coração guarda. Tire de mim tudo isso e impregne em mim apenas você. Seja meu novo começo, meu novo caminhar. Não sei seu nome, onde você está ou o que anda fazendo... Mas se você existe pra mim em algum lugar, por favor venha correndo.
Leve-me para um lugar bem distante onde possamos desfrutar da companhia um do outro e esquecer o resto do mundo. Leve-me com você para qualquer lugar, qualquer hora, de qualquer jeito... Apenas me mostre um outro caminho para que eu possa abrir os olhos e sair desse mundo submerso em ilusões no qual estou presa.
Leve-me com você. Apenas me abrace e leve-me com você...

quinta-feira, 30 de julho de 2009


Nothing I say comes out right,
I cant love without a fight,
No one ever knows my name,
When I pray for sun, it rains
I’m so sick of wasting time,
But nothings moving in my mind,
Inspiration cant be found,
I get up and fall but,

I’m Alive, I’m Alive, oh yeah
Between the good and bad is where youll find me,
Reaching for heaven
I will fight, and Ill sleep when I die,
I’ll live my life, I’m Alive!

Every lover breaks my heart,
And I know it from the start,
Still I end up in a mess,
Every time I second guess.
All my friends just run away,
When I’m having a bad day,
I would rather stay in bed, but I know there’s a reason.

I’m Alive, I’m Alive, oh yeah
Between the good and bad is where you’ll find me,
Reaching for heaven
I will fight, and Ill sleep when I die,
I’ll live my life, I’m Alive

When I’m bored to death at home,
When he wont pick up the phone,
When I’m stuck in second place,
Those regrets I cant erase.
Only I can change the end,
Of the movie in my head,
There’s no time for misery,
I wont feel sorry for me.

I’m Alive, I’m Alive, oh yeah
Between the good and bad is where you’ll find me,
Reaching for heaven.
I will fight, and Ill sleep when I die,
Ill live my life, ohhh

I’m Alive, I’m Alive, oh yeah
Between the good and bad is where you’ll find me,
Reaching for heaven.
I will fight, and Ill sleep when I die,
Ill live my life,
Ill live my life,
I’M ALIVE

terça-feira, 21 de julho de 2009


It's over!

segunda-feira, 20 de julho de 2009


O que você espera que eu diga? Eu não tenho nada pra dizer.
O seu sorriso e o sorriso que eu dei ao ver o seu, disse tudo. Você estava orgulhoso de si mesmo e eu estava orgulhosa de você. Fato. Pronto.
Você deu o melhor de si, e eu dei o melhor de mim enquanto rezava baixinho pra que tudo desse certo. Rezava baixinho pra que você saisse satisfeito e feliz, porque ali era tudo o que importava. E você saiu, não saiu? Foi bom, não foi? Você sabe que tudo tem uma razão e você sabe que foi justo. Você ficou bem e nosso amigo também. Tudo deu certo. Graças a Deus.
Ver você ali lutando pelo o que você queria, correndo atrás do seus sonhos, tentando tudo o que podia para realizar, ver você ali se esforçando preencheu o meu peito com um calor tão bom. E deu resultado. É essa medalha de ouro que reluz em seu peito. Ela mostrou a você que vale a pena. Que os sonhos aos poucos vão se tornando realidade.
E você não imagina o quanto estou feliz com sua conquista. Feliz por estar presente em um momento tão importante [mais uma vez].
Mas você já deve ter cansado de ouvir eu dizer que me orgulho de você, né? Eu sei, eu sei. Pareço boba, eu sei. Mas você sabe que é o amor que me deixa assim. E não só o amor que eu sinto por você como homem, mas o meu amor por você como amigo. Eu sou boba, e sou sentimental e você sabe disse. Então pra que disfarçar? Eu não preciso fingir que não sou boba, posso agir como uma, pelo menos por hoje, né? Afinal seria difícil tirar esse sorriso orgulhoso da minha face, então, deixa ele aqui mais um pouco. 8DDDD
Só quero que você saiba que eu estou muito orgulhosa de sua competência, seu esforço, sua determinação e claro o resultado que você obteve.

Parabéns pela conquista!!!!! =*****

sexta-feira, 17 de julho de 2009


Caramba, eu já disse que não. Eu não ligo se os amigos vão me me chamar de louca, se minha mãe vai me criticar porque cansou de me ver chorando por você. Não ligo se sua família não goste de mim, ou se seus amigos não me achem boa o suficiente pra você. Não ligo se meus amigos não lhe acham bom o suficiente pra mim, não ligo se eles pensam que você não me merece. Não ligo se nossos amigos vão zoar sobre quantos dias vai durar dessa vez.
Não deu pra notar que eu não me importo com mais nada? Será que o fato de eu estar aqui lhe dando o mesmo coração que você jogou no chão não representa nada? Toma. Pode pegar ele aqui na minha mão. É seu, ora essa.
Isso mesmo. Essa droga de coração que alimenta essa droga de sentimento -que realmente parece uma droga da qual eu já sou dependente- continua batendo por você, mesmo depois que você o arrancou do meu peito e cravou nele suas unhas.
Podem dizer que sou masoquista, eu não ligo. Eu não ligo se você é um sádico e se diverte pisando em mim. Caramba, já disse que não ligo.
Se eu tivesse mesmo preocupada com o que os outros vão pensar, eu não estava aqui chamando na sua porta mais uma vez. Se eu tivesse ligando para o que os outros vão dizer eu não estava me esforçando ao máximo pra provar pra você que eu ainda te amo. Que eu ainda te quero. Do mesmo jeito, com a mesma intensidade, daquele jeito que você sabe.
Estou dormente já. Pode bater que eu não sinto. Se isso vai fazer você ficar comigo, eu sirvo de cobaia de seus experimentos para saber até onde um amor pode nos levar.
Vem aqui. Fica comigo. Eu já te disse que nada importa. Quer que eu repita?
NADA MAIS IMPORTA.
E agora? Você já pode vim aqui e me abraçar?

terça-feira, 14 de julho de 2009

Não. Eu não quero ter de passar por tudo novamente. No momento me encontro em cima de um muro onde de um lado está o futuro e do outro o passado, e sinceramente não sei o que fazer, mas onde estou, no presente também não é bom.
Não. Eu não queria ter de viver tudo aquilo mais uma vez. Eu queria poder ter certeza de pelo menos alguma coisa, mas toda vez que eu tento, eu só posso ter certeza de que não tenho certeza de nada. E isso dói.
Ver você, dói. Abraçar você, dói. Sentir você, dói. Mas a dor seria maior se eu não pudesse te ver. O que você quer que eu diga? Eu te amo de uma forma que eu jamais imaginei que fosse capaz de sentir. O sentimento que tem o teu nome e grita no meu peito, eu me pergunto como ele pode caber nesse espacinho aqui dentro de mim. É algo tão grande que parece me corroer por inteira, me dominar, mas como me livrar dele?
Simples. Eu não posso me livrar dele. Não posso, não quero e não vou.
Eu te amo e vou ficar aqui, desse mesmo jeito, do jeito de sempre. Esperando, sofrendo, conseguindo e sofrendo outra vez. É minha sina? Deve ser...
O que eu posso dizer que eu ainda não disse? Ver o seu sorriso preenche meu peito, me tira toda a dor, toda a tristeza. Olhar seus olhos lava minha alma, me tira toda a concentração, toda a raiva. Abraçar você é como sentir em meus braços tudo pelo o que eu sempre esperei. Te tocar é como ter materializado diante de mim, tudo o que eu sempre sonhei. O que mais eu posso dizer?
Não. Você não vai encontrar alguém que te ame como eu amo. Você não vai achar alguém que esteja com você todo o tempo, alguém que esqueça de si pra pensar em você, alguém que te espere, te deseje e te aceite desse jeito aí, com suas falhas, seus defeitos, seus gostos distorcidos, paixões excêntricas e prioridades esquisitas. Você nunca vai encontrar alguém que como eu, queira apenas fazer parte da sua vida, ao invés de querer tomar ela pra si. Tudo o que eu quero de você: é só você.
Quando no futuro alguém te perguntar se um dia você deixou a felicidade passar por você, como água fluindo entre os dedos, é o meu rosto que surgirá em sua mente. É em mim que automaticamente você vai pensar, então pra jogar tudo isso fora?
Apenas me diz. Olhe nos meus olhos e diz que não me ama. Use todas as forças que você tem e jogue na minha cara que não pensa em mim, que não olha pra mim, que não me quer de jeito nenhum. Diz me olhando nos olhos que nunca sentiu, não sente e nem vai sentir o meu ser dentro de ti. Faz isso, pra que eu possa pelo menos ter uma certeza.
Não. Você não vai fazer, porque você não pode. E você sabe que eu sei disso. Sei que você me ama, bem aí dentro, guardadinho, você sabe. Então pra que todo esse jogo? Porque perder tempo? Porque você não toma uma atitude e fica comigo? Me diz. Me dá um motivo plausível para que eu não me jogue sobre você quando cruzar com você na rua. Me dá uma desculpa aceitável para que eu não me envenene em teu beijo quando eu te ver dobrando a esquina. Faz isso. Não, eu sei que você não vai fazer. Eu sei.
Sim. Eu quero tentar denovo. Eu sei que disse que não queria passar por aquilo mais uma vez, mas se o destino e o meu coração querem assim, como não fazer?
Como calar esse coração tolo que grita teu nome 24 horas por dia? Me diz como...
Não tem como. O único modo dele se calar é você estando por perto, assim ele não grita pra você ter que ouvir porque está longe.
Se você sabe e eu sei que tudo que eu coloquei aqui é verdade... Porque você não vem?




[Obs: Fiz uma pequena pausa na história, mas depois eu continuo. Tava precisando desabafar 8DD]

sábado, 11 de julho de 2009


A garota virou os olhos em direção aos gárgulas que guardavam o ambiente. Um tremor lhe percorreu o corpo e ela se questionou quanto tempo Hermione demoraria a voltar. Olhou receosa, sabia que não havia escapatória e que cedo ou tarde teria sua vida esvaida pela vampira. Maldita hora onde foi envolver-se com aquela mulher. O pior de tudo é que ela queria não acreditar naquela história maluca, mas como poderia diante de tantas provas já dada?
Notou que um dos gárgulas virou a cabeça na direção da porta. Estaria Hermione voltando?
Tudo aconteceu muito rápido para que a garota pudesse acompanhar. Repentinamente sentiu um leve toque em seus cabelos, em seguida uma cabeça colocou-se ao lado da sua e cheirou-lhe o cabelo. Ela sentiu-se arrepiar. Novamente em questão de segundos, a pessoa estava encostada na parede da biblioteca e tinha em mãos um único fio de cabelo que lhe fora retirado sem que esta percebesse.
Ela tentou manter a respiração estável, enquanto sentia como se seu coração pudesse sair-lhe pela boca. Fitou o outro.
Tratava-se de um rapaz. Este trajava uma roupa que lhe lembrava um uniforme escolar, tinha cabelos negros e olhos que ora lhe pareciam roxos, ora vermelhos. O rapaz sorriu e cheiro novamente o fio que tinha em mãos.
-Ora, ora. Minha irmã trouxe visitas e não avisa? Sequer me apresenta... Uma pena mesmo. Desculpe a falta de educação da Hermione. Meu nome é Yano, muito prazer.
Antes que a garota se desse conta, o rapaz já estava diante dele e lhe deu um leve beijo na mão.
Os olhos dele pararam sobre os dela e ela notou um sorriso que a fez temer como nunca nada lhe fizera.
-Saia de perto dela. -ela ouviu uma voz ordenando-lhe.
Ele ainda sorrindo deu de ombros e virou-se para a porta.
Hermione trazia consigo uma garrafa e duas taças. Olhou firmemente para o rapaz e em seguida para Vitória.
-Ele lhe fez algo? -ela perguntou.
Vitória apenas meneou a cabeça. Ainda residia dentro de si o medo que aquele lhe causara, e as palavras lhe faltaram no momento.
Yano aproximou-se da irmã e sorriu.
-Calma lá. Sem acusações infudadas... Quem está brincando com a comida aqui, é você! -e jogou-se no sofá da biblioteca.
A vampira caminhou na direção da garota e entregou a esta uma taça. Vitória hesitou.
-Pode pegar. Eu não estou lhe dando sangue, garota. É apenas vinho. -ela disse suavemente.
Vitória pegou a ataça e apenas bebericou iniciamente. Após ter certeza de que se tratava de vinho, tomou tudo de uma só vez.
-É melhor estar bêbada pra aceitar esse tipo de coisa. -ela pensou consigo.
-Não seria uma boa idéia. Bêbados não conseguem sentir o que podemos proporcionar. -o rapaz disse com um sorriso irônico.
Vitória sobressaltou-se assustada. O 'tal' Yano havia acabado de ler sua mente. Ela tentou se recompor.

Hermione sentou-se diante da garota e voltou a falar.
-Estavámos falando sobre amores, não era? Então... Eu já lhe citei o Yan e ia lhe falar outros nomes. No momento há comigo apenas um nome... Mas em outras épocas já houveram muitos. Bem o nome dele é Michael. O conheci em Paris durante um determinado problema que fomos designados a resolver, mas isso não vem ao caso. Demorou muito até que essa relação se estabilizasse, obviamente. Nós, os vampiros, também temos problemas amorosos, já lhe disse. Como eu dizia, na mesma época em que o conheci, Yan ainda estava comigo e também conheci uma outra pessoa na mesma viagem. Iniciamente ele me fora tão repulsivo quanto o próprio sol, e tão detestável quanto outros monstros que não vale a pena citar, de qualquer modo... Sem contar o fato de que tecnicamente deveriamos ser inimigos, mas essa já é outra história...
Ela parou por um instante.
-Ótimo. Tudo o que eu queria ouvir... Um relato dos amores e atos pornográficos da minha irmã... Sinceramente, Hermione. Se você queria desabafar e tava com vergonha de fazer um diário, devia ter procurado outra pessoa... Mas uma humana? Puff. - o rapaz falou mexendo nos cabelos e sorrindo cinicamente.
Vitória pode notar os olhos da vampira vacilarem e a taça que estava em sua mão, partir-se em pedaços. O rapaz de uma gargalhada.
-Desculpe, maninha prossiga.
A vampira se recompôs e olhou novamente a garota.
-Como eu dizia... O nome dele é Chrons Delacroix. Não foi tão importante quanto o Michael ou até mesmo o Yan, mas posso dizer que ele soube deixar sua marca... E sinceramente, eu até gosto dele. Mas você sabe como são as coisas... Nada dura para sempre.
Ela sorriu e os olhos fitaram sem a menor descrição o pescoço de Vitória. A garota olhou ao redor tentando ser discreta, mas tudo o que pode captar foi Yano passandoa língua sobre os próprios lábios. Havia se enfiado em um covil de cobras, e mal sabia ela o qual perigosas essas cobras poderiam ser.

terça-feira, 7 de julho de 2009


A vampira sorriu exibindo os dentes perfeitos.
-O que foi? Não vai perguntar nada? Você não está com medo, está? -a vampira olhou fixamente nos olhos da garota a sua frente.
A menina meneou a cabeça vagarosamente com um sinal negativo.
A vampira sorriu novamente. Sabia que a garota temia, era notável nos olhos da garota. O cabelo ruivo da menina parecia reluzir com a iluminação.
Era tão simples atrair humanos, tão fácil. Eles se deixavam levar pelo poder atrativo que os vampiros tinham em si, e isso sempre facilitava as coisas. Fossem homens ou mulheres, a reação era sempre a mesma e Hermione sempre adorava.
Podia ver o medo, a insegurança, o receio nos olhos cor de mel da garota. Devia ter uns 19 anos aquela menina. Vitória, fora esse o nome que ela dera quando Hermione conversara com ela.
-Mantenha a calma Vitória. Estamos apenas conversando... Não precisa temer. -o final da frase foi pronunciada de forma sussurrada. Ela sorriu novamente com um ar de deboche, mas voltou a falar.
-Bom... Vou falar mesmo que você não pergunte, ok? Nesse nosso mundo, precisamos aprender a nos colocar em nosso lugar. Obviamente isso nem sempre acontece e alguns retardados acabam comprando briga com as pessoas erradas. Tudo é um jogo de poder, mas nesse jogo, não são os mais fortes que sobrevivem, são os mais espertos.
Ela mexeu nos longos cabelos negros.
-Sabe de uma coisa? Temos mais um ponto em comum com os humanos. A luxúria. Muitos de nós usam os meios mais sórdidos para conseguir o que querem. Não vou mentir, eu mesma faço isso e não tenho vergonha de falar. Eu posso, oras. Tenho corpo, beleza, mente pra isso. Porque eu não os usaria? Temos que usar nossas melhores armas nesse jogo perigoso. No meu caso, funciona sempre. -ela sorriu cínica.
-Estavamos falando do Yan, não foi? Então...Hoje já não estamos mais juntos. Vivo há mais de 150 anos e as coisas mudam, não é? Eu posso citar pra você inúmeros nomes que passaram por minha vida, alguns significativos até, outros que eu precisei usar para meu próprio bem.
-Mas vamos por partes... Temos a noite inteira... Você gostaria de uma taça de vinho? Eu irei mandar providenciar. Volto em um instante. -ela começou a caminhar em direção à saída.
-Ah... E não tente fugir, não teria como, minha querida. -ela sorriu debochada e a garota pode ver estátuas de pedra em forma de bichos movimentando a cabeça na direção dela. Eram gárgulas.
A vampira saiu com um sorriso na face. Sabia que era superior. Sabia que a garota estava tremendo de medo e isso a deixava ainda mais excitada para o que estava por vir.

quinta-feira, 2 de julho de 2009


O que eu sou?
Posso ser o tudo, posso ser o nada. Posso ser o sim, o não ou quem sabe até mesmo o talvez.
Já me deram muitos nomes, alguns um tanto peculiares, mas aquele que todos me conhecem universalmente é : vampira.
Poderia aqui contar a história da minha vida, dizer o quanto eu sofri quando era humana, ou falar sobre a forma magnífica de como eu fui transformada no que sou hoje. Mas acho que isso seria por demais entediante, vocês achariam semelhanças com suas medíocres vidas e achariam que um dia poderiam se tornar alguém como eu. Quem dera fosse tão simples assim. Você precisa ser escolhido, precisa ser aceito e acima de tudo precisa saber o jeito de se portar diante de todos.
Nesse nosso mundo, nem sempre podemos dizer o que nos vem a mente, às vezes nem mesmo pensar é uma boa idéia. Então, você tem que aprender até mesmo como controlar suas mentes. Não. Não é uma tarefa fácil.
É uma habilidade que você adquiri com o tempo e experiência.
O que? Você quer saber meu nome?
Hahahahaha! De nada isso adiantaria. Hoje em dia, tenho tantos nomes que até mesmo esqueci o meu verdadeiro. Na verdade eu esqueci por opção.
Aquela que um dia existiu, hoje já não existe. Abandonei meu sobrenome, igualmente meu passado, minha família e aqueles que um dia eu chamei de amigos.
Mas eu posso lhe dizer meu primeiro nome, pode ser? Você pode me chamar de Hermione.
Não, não é a de Harry Potter se é isso que você está pensando. Mas eu até gosto do nome dela, na verdade, adquiri pra mim o nome dela, pelo menos o sobrenome, ok?
Mas vamos por partes. Chame-me apenas de Hermione.
O que você quer que eu fale?
Vampiros são quase tão fúteis quando humanos. Eles se consideram uma raça superior, mas na verdade fazem a mesma coisa que os 'inferiores'. Sim. Nós passamos nossas noites conversando sobre trivialidades, frequentando festas, beijando boca de desconhecido, transando com desconhecidos, para em seguida tirar deles aquilo que todos eles ignoram, mas na verdade amam: suas vidas.
É sempre assim. Ninguém admite ter medo da morte, mas eu posso ver o terror nos olhos de cada vítima que sente sua vida se esvaindo em consequência de minha mordida.
Lembro-me de determinado dia, onde eu conheci uma das pessoas que hoje em dia, tem uma importância vital na minha vida.
O conheci em uma dessas boates onde os humanos frequentam achando que sua vida se resume aquilo. Futilidade. Enfim...
Vampiros também amam. E não é um amor distorcido ou doentio. Ele é tão puro quanto o amor de qualquer coração que ainda bate. Eu por exemplo... Amo duas pessoas ao mesmo tempo. Você já imaginou isso? Uma vampira amando dois vampiros? Irônico, não?
De qualquer forma, eu encontrei um dos meus amores na balada. Engraçado, né? Como se fosse a coisa mais normal do mundo. Tivemos um relacionamento de mais de 100 anos. Impressionante, eu sei. Há pessoas que vivem apenas 20 e trocam de amor como quem troca de roupa.
O nome dele? Vocês humanos se importam tanto com nomes... Ok, ok. O nome dele é Yan.
O nosso relacionamento? Engraçado você perguntar isso. Nunca tivemos um propriamente falando. Sempre acabavámos nos envolvendo com outras pessoas, mas sempre voltavámos um para o outro. É... Vampiros são como vocês, mortais.
Posso lhe falar sobre o que você quiser sobre a nossa espécie. Então me diga, o que você quer saber?
Afinal... Você não vai mesmo sair daqui com vida.


[Continua...]

terça-feira, 30 de junho de 2009


Agridoce.
Azedo.
Cítrico.
Salgado.
Venenoso. Sempre.
Para o paladar dela, o gosto era sempre diferente. Os de sua espécie sempre consideravam a mesma coisa, mas para ela havia sempre um sabor à mais.
Medo.
Terror.
Luxúria.
Desejo.
Gostoso. Sempre.
O sentimento do outro também influenciava no sabor que ela sentiria.
Deixou que o corpo mole, já sem vida, deslizasse entre seus braços e caísse ao chão, bem ali, no meio do beco escuro. Escuro. Morte era escura. Dor era escura. O escuro representava a chegada dela. Do monstro que se alimentava de outros. Da sugadora de sangue. Da besta suja que tomava para si a vida dos outros.
Ela sorriu. No escuro daquele beco era tudo o que poderiam ver. Os dentes longos e brancos e os olhos vermelhos escalartes. Ela sorriu e deixou aquele corpo inerte caído entre as poças de água suja.
E saiu do beco. Passou a língua no canto da boca, onde o sangue quente ainda escorria. Ajeitou o cabelo e fechou o sobretudo que escondia o belo corpo, o qual ela usava como arma de conquista. Arma para atrair comida. Caminhou pela rua. Os homens a olhava com desejo, e ela sorria de volta... Em busca da próxima presa que teria sua vida extraída por ela.

terça-feira, 23 de junho de 2009


Lentamente. Vagarosamente. Hesitantemente.
Os olhos deça fixos nos dele. Ele podia ver o próprio reflexo. Ela também.
Por alguns segundos eles se olharam como se estivessem vendo a alma do outro. Compatibilidade. Se existisse mesmo a aclamada alma-gêmea, definitivamente ali estavam as duas metades da laranja.
Conversaram com os olhos. Uma linguagem única. Só deles. Como um código secreto guardado à sete chaves na caixa de pandora de seus corações. Uma empatia mútua que parecia criar uma aurea brilhante e quente, que tinha a forma de fitas de cetim que entrelaçavam-se entre eles formando um laço indestrutível.
Como se as fitas invisíveis estivessem apertando-se, eles se aproximaram. A mão esquerda dele tocou o lado direito da face dela. Ela sentiu arrepiar-se. A mão direita dele a abraçou pela cintura criando o primeiro contato entre os corpos. Vagarosamente ele aproximou o rosto do dela.
O hálito adocicado dele fizeram as pernas dela tremerem. O cheiro suave da pele dela fizeram as mãos dele vacilarem reagindo à tontura que ele tivera.
Como se agissem combinadamente, eles fecharam os olhos. E os lábios dele pousaram sobre os dela.

~~*~~

Uma onda de prazer indescritível percorreu o corpo dela. Instantaneamente ela jogou os braços sobre o pescoço dele puxando-o mais para si. O beijo intensificou-se. Como um veneno mortal que lhe entorpecia os sentidos, a saliva doce dele era tomada com ansiedade por ela. Inundando o interior da garota como se pretendesse a dominar, ela sentiu o gosto dos lábios dele por todo o corpo. Como se fosse o próprio sangue que corria-lhe pelas veias. Como se fosse o próprio ar que enchia-lhe os pulmões.
E ela o desejou para si como nunca fizera antes. O desejou por inteiro. Tomá-lo sem pudor. Monopolizá-lo. Tornar os dois em um só. E ela puxou ainda mais a cabeça dele, segurando-o pelos cabelos com o intuito de mantê-lo ali para sempre.

~~*~~

Os pelos do corpo dele eriçaram-se. Os lábios friccionaram-se ainda mais sobre os dela. Ele a puxou pela cintura em um abraço quase sufocante.
O gosto dos lábios dela era como uma chuva que lavava sua alma.
O sabor inebriante que ele buscou durante muito tempo... Estava ali.
Vindo de outrora. Outras vidas. Outros ele. Outros ela.
Era destino.

quarta-feira, 3 de junho de 2009


Os olhos negros fitam a chuva lá fora.
Aquele olhar firme da menina atravessa a camada de vidro da janela do seu quarto. A janela amiga. Sua única ligação com o mundo lá fora naquele momento.
Ela pode ver os pneus deslizando pelo asfalto e fazendo a água jorrar por sobre as calçadas. Ela pode ver pessoas que vão e vem. Umas correm da chuva, outras protegem-se através do fino tecido de um guarda-chuva, e é sempre assim quando está chovendo.
Tédio. As ruas ficam vazias, os apartamentos cheios. Pessoas dorme aquecidas em suas camas, outras dormem enroladas em papelão embaixo de alguma ponte. Alguns ficam vendo outra realidade em alguma obra cinematográfica enquanto tomam um chocolate quente, outras ficam vendo a dura realidade de sua vida tentando se abrigar em alguma puxada de uma loja enquanto passam fome.
Tanta coisa pra temer, e as pessoas temem a chuva. Tolos.
O vidro da janelafica embaçado e vagarosamente ela desliza a mão sobre ele para tornar a imagem nítida novamente. Um rosto surge em meio a chuva. Um rosto sorridente.
Um garoto. Deve ter mais ou menos a mesma idade que ela. Ele brinca. E dança e canta e pula na chuva.
Ele tem cabelos claros, molhados. Uma camiseta que seria branca se não fosse pela sujeira impregnada nela e um shorts vermelho. Ele está descalço. Ela acha intrigante, ele não corre da chhva.
Ele joga as mãos para o céu e deixa a cuva banhá-lo; Gira, gira, gira e pula. E repete tudo outra vez. E ela ri, acha graça e ri.
Ele para e olha na direção dela. Os olhos dos dois se encontram, ela observa os olhos cor de mel dele. Um minuto. Parecia que o mundo tinha parado. Ele sorri. Ela também.
E ele segue seu caminho ainda dançando na chuva. Ele se foi com o vento, igualmente como viera.
Ele se foi. A chuva se foi. O dia se foi.
Agora ela espera que chova de novo, pra que ela possa sentar-se à janela e aguardar que ele dance na chuva pra ela novamente.
Ela espera rever os olhos cor de mel do vagabundo que sem querer roubou o coração daquela dama. Ela vai esperar pacientemente para rever seu primeiro amor e quem sabe dessa vez dançar na chuva ao lado dele.