sexta-feira, 4 de setembro de 2009


Não me toque. Não me beije. Não me ame. Ou melhor... Não me engane.
Não quero sentir suas mãos sujas sobre meu corpo, não quero ver seu sorriso sarcástico, suas caras e bocas promiscuas, não quero sentir seus movimentos lascivos em minha cama. Sei que você não me ama. Como todas as outras... Está interessada apenas no que tenho, mais nada.
Levanto da cama e sinto o cheiro incessante daquele perfume que você me pediu pra comprar pra você. Ainda bem que você não está dormindo ao meu lado. Provavelmente deve ter ido embora mais cedo para fazer qualquer coisa. Qualquer uma das suas futilidades cansativas.
Me olho no espelho enquanto me arrumo para ir ao escritório. Porque eu não encontro o amor? Não era pro dinheiro trazer felicidade? Porque pra mim ele traz pessoas interesseiras? Eu quero amor. Quero amar e sentir que sou amado, não pelo o que tenho, mas sim pelo o que sou. Porque eu não posso encontrar o amor? Esbarrar com ele em qualquer esquina? Atropelar ele naquela maldita avenida que eu fico preso todo dia no caminho do trabalho? Porque não. Simples assim. O amor não é meu companheiro, não anda comigo, não gosta de mim.
Saio do quarto e esbarro naquela maldito garrafa de vinho que ela deixou jogada no quarto. Saco! Porque mesmo eu tenho que aturá-la? Eu não tenho... Mas não sei porque faço isso...
Pego o carro, fico preso no trânsito(denovo), resolvo coisas no escritório, saio mais cedo do trabalho, fico bebendo com os amigos e resolvemos ir nos divertir.
Bato na porta do quarto da mulher que será minha esta noite. Não que eu me importe muito com isso, na verdade acho o sexo sem muita graça com qualquer que seja a pessoa, já que eu não tenho amor. Mas com certeza ela não se incomoda... Ela vai ser como todas as outras e estará apenas esperando o meu dinheiro no final do programa.
Ela me oferece vinho. VINHO NÃO. Me lembra a outra. Nem quero estragar minha noite.
Peço Martini. Vermelho. Vermelho fogo. Vermelho vida. Vermelho sangue. Vermelha como a lingerie que a prostituta está usando. Transamos. Tenho que admitir que senti algo estranho, diferente, mas acho que foi impressão. Durante alguns poucos segundos que ela me olhou nos olhos na hora da transa, pareceu poder ver através de mim e ver o quanto eu buscava pelo amor. Impressão minha. Apenas minha louca vontade doentia de ser salvo.
Ela adormeceu. Boba. Como ela pode adormercer sabendo que tem dinheiro a receber? Não deveria ser esse seu maior interesse em mim? Deixo o dinheiro sobre o criado-mudo. Nenhum bilhete, nem teria pra que. Ela também não esperaria por mais do que o dinheiro.
Fecho a porta dando as costas pra mulher que dorme tranquilamente.
E assim eu volto a minha rotina, quem sabe um dia eu também volte aqui. Pra vê-la outra vez... Quem sabe.

2 comentários:

Saori disse...

Ficou muito bom o texto.

Para alguns, o dinheiro não trás felicidade, mas que esse simples papel com desenhos e números consegue nos proporcionar MUITAS coisas, isso é fato.

Tenha um ótimo feriado!
Bye o/

mille. disse...

PESSIMO A ROTINA =/
por isso clamava mudanças, não aguentava mais