quarta-feira, 2 de setembro de 2009




Minha cabeça gira. O mundo gira. Meu quarto gira.
Ergo a cabeça lentamente olhando ao redor. As roupas no chão, os pratos sujos na mesa, a garrafa de vinho jogada ao lado da cama e o dinheiro sobre o criado-mudo.
Mais um se foi. Mais uma noite. Mais uma vez. Outro corpo. Outra boca. Outro gosto.
Quando você voltará? Você voltará?
Eu me sinto perdida aqui, sabe? Protegida apenas por esse personagem que eu criei dentro de mim. Sei que sou tola, claro que você não vai voltar, não é? Porque você voltaria? Como você voltaria? Pra mim? Nunca. Afinal, eu sou apenas mais uma das tantas mulheres com as quais você já deve ter deitado, e tocado, e beijado, mas nunca amado.
Você não percebeu, não é? Eu notei em você mais do que deveria. Era pra ser apenas mais um cliente, mas acabei notando seu sorriso meio torto, que na verdade não tinha nada de verdadeiro. Eu notei no seu olhar a solidão que o acompanha. Eu notei no seu toque a busca incessante pelo amor mais do que pelo prazer. Você me beijou, me tocou, mas não deve ter me amado, porque se foi. Sem dizer adeus deixando apenas o dinheiro como todos os outros. Nenhum recado, nenhum número de telefone. Nada. Você simplismente se foi.
E porque você faria diferente? Minha cabeça gira. Levanto devagar, tudo gira. É culpa do vinho de ontem? Culpa do sexo sem culpa? Não sei.
Me sinto perdida. Você pode me dizer o caminho? Ele pode? Ela pode? Eles podem? Alguém pode? Não, é claro que não. Porque não há caminho pra mim.
Tomo banho, troco de roupa e espero. A campainha toca. Com uma camisola discreta eu abro a porta enquanto meu coração bate acelerado iludido que talvez seja você. Decepção. Não, não é você. É outro. Mais alto, mais forte, mas qualquer coisa que não me importo em saber.
Ele conversa, bebe, me beija, me toca, me come. Fim de tudo. Eu passei o tempo te imaginando, imaginando seu toque, seu gosto, seu sexo. Tudo em vão, ele se vai. Deixa o dinheiro, também sem recado algum, como se eu me importasse com isso. Eu só queria o SEU recado, que nunca veio, assim como sua segunda visita.
Ele vai e minha cabeça volta a girar. Maldito vinho que me faz girar. A única vez que ela não girou foi quando você esteve aqui e pediu aquele martini vermelho luxúria ao invés desse vinho enjoativo.

2 comentários:

lola milburn disse...

Nossa adorei o texto *-*

rui disse...

Oi.....Amanda.
conseguiste fazer um texto..onde demonstra que as mulheres que vendem o seu corpo.... tambem amam
mas nao sao amadas..sao utilizadas
para caprichos sexuais.....

Mas no meio de tanta gente que as visitam .. alguma entra no seu coracao.. só que é dificil continuar um romance....que de alguma forma as consigam tirar da vida que têm.......
obrigada pela tua visita.....
um beijo
Rui