segunda-feira, 20 de abril de 2009

Nostalgia.
Foi esse sentimento que ela sentiu quando ele pousou as mãos suavemente sobre a face dela. Foram tantos vais e vens na vida de ambos que agora tanto tempo depois eles se reencontravam diante um do outro... Novamente.
A batida da música invadia os ouvidos dela, mas mesmo o som frenético parecia melodioso quando estava perto dele. Ela pode sentir o hálito dele próximo aos lábios dela como se ele estivesse esperando uma permissão para tomá-la para si. Foram tantas as vezes que aqueles lábios se encontraram que ela perdera as contas. Foram tantas as vezes que aqueles braços que entrelaçavam-lhe pela cintura tinham a deixado que ela perdera as contas.
Encontrá-lo naquela boate depois de tanto tempo e sentir o mesmo frio percorrer o corpo ao toque dele, parecia mentira. Maldito destino. Os lábios dele estavam próximos dos dela, ela notava pela respiração quente sobre seus lábios.
As mãos que a tocavam, aquela sensação longínqua que ela já conhecia tão bem...
Aquele desejo ardente dentro do peito que gritava por continuidade e ela resistindo.
Ela lutava contra a vontade iminente de jogar-se nos braços do rapaz a sua frente como outrora já fizera muitas vezes.
Permaneceu estática, petrificada, no intuito de manter o controle e não entregar-se demais. Os lábios trêmulos esperando por algo mais...
Ele pareceu sorrir de leve ao vê-la vulnerável de olhos fechados. Podia sentir as pernas dela bambas e isso lhe pareceu a permissão que esperava. Ele pousou os lábios sobre os dela suavemente e alguns segundos depois pressionou um pouco mais forte. A língua dele invadia a boca dela com um desejo gritante.
O sabor dos lábios dele ela podia reconhecer. Reconheceria aquele gosto entre todos os outros gostos que existissem no mundo. Ele cessou o beijo por alguns segundos e ela desejou que aquilo não estivesse acontecendo. Não queria parar de beijá-lo agora. Queria tomar para si cada gota daquela saliva adocicada que lhe era como uma droga potente e viciante demais. Os olhos trêmulos dela o observaram. Ele deu um sorriso, aquele que ela já conhecia. Ela temeu o amanhecer como nunca havia temido em sua vida, pois sabia que ele iria embora quando o sol batesse à porta; Nunca desejara tanto que sua noite fosse eterna. Temia o cair da próxima noite, onde não seria mais os eu reflexo que estaria naqueles olhos negros.
Ele nada disse e voltou a beijá-la e ela silenciosamente agradeceu por aquilo. Pediu em seu coração que ele nada dissesse por que poderia estragar a noite dela. Ele poderia apenas beijá-la e depois ir embora como tantas outras vezes fizera, ela ficaria com a doce lembrança e isso lhe seria suficiente.
E assim a noite passou. Entre beijos e o suor dos corpos que dançavam freneticamente na pista. O sol estava perto de nascer e ele foi embora junto com as estrelas, deixando a promessa de que ligaria. Mas ela sabia que era mentira, que ele não lhe pertencia, que ele tinha ido e só o veria agora quando o destino quisesse lhe pregar outra peça. Ela olhou para o céu e caminhou até a praia. Sentou-se na areia e olhou o sol nascer. As ondas frias bateram nos pés dela e quando ela tentou tocá-las elas se foram. Ela sorriu e sussurrou:
-Ele é como as ondas do mar...
Soltou o cabelo que estava preso em um rabo-de-cavalo, deixou a bolsa e as sandálias na areia e correu para o mar. Banhou-se na água salgada e pela primeira vez não chorou a partida dele. O sal que ela sentia nos lábios era do água do mar e não se suas lágrimas. E ela olhou o oceano a sua volta que parecia reluzir quando a luz do sol batia nos cristais de sal que tinham ali.
Era a primeira vez que ela sorria após a partida dele.
Saiu do mar e quando aproximou-se de suas coisas o celular tocou anunciando uma mensagem.
Ela abriu e leu.
‘Te adoro’. Era tudo o que a mensagem dizia. O destinário era o celular dele. Novamente ela sorriu e foi para casa caminhando pela beirada do mar chutando as ondas.
Era assim que funcionava. Não devia esperar ou correr atrás. Se tivesse que acontecer, aconteceria. O ‘lance’ era deixar os dados rolarem na mesa da vida.
Ela tinha acabado de aprender uma lição que a acompanharia por toda a vida.

5 comentários:

Saori/Lulu disse...

Que bonito! Adorei!!!!

Sobre MYV: Uma pena o Miyavi não vir mais em julho, pois você esta tão empolgada para ir. Enfim, pelo menos ele vem no final do ano ^^. Agora, vc vai ter que esperar só mais um pouco, para ver seu ídolo!!
Tb te adoro!! ^-~

Roberta Albano disse...

garota! vc sabe totalmente como me deixar encantada!
suas palavras bateram no meu coração como se fossem sangue e tudo que elas diziam provocavam batidas!

Innocence disse...

Realmente Amanda você tem muito sentimento, eu sou muito ancioso para vê suas novidades, todos os dias eu vejo o seu BLOG, a cada coisa nova eu me surpreendo mais, mas esse que você escreveu a pontos em que me indentifico muito, fico feliz a cada frase sua! mesmo que seja de tristeza, de sentimentos arrebatadores que não podem ser satisfeitos!!! É o meu dilema.

Princesa disse...

A amizade é uma doce canção da vida...
E o amor da eternidade...
Bjinhos e um lindo dia,com uma semana cheinha de coisas boas...
Amor e Paz!!!

Arlequim disse...

Muito bom!
Queria aprender também, mas até agora não consegui .-.
Beijão, querida.
;)