quarta-feira, 11 de abril de 2012

Balanceamento.

Quando desando no contar, você desliza no ouvir.

Falo mais do que faço e você mal fala. Quando começo, você termina. Quando você inicia, eu estou finalizando.

Se sou travessão, você é ponto final. Se você abre aspas, eu fecho parênteses.
Você é parágrafo à frente na minha escrita, eu sou página à frente na sua leitura.

E não é falta de sintonia, não. Há tanta química que faltam elementos para compor nossa tabela periódica. Sobra espaço pra ser preenchido com física, matemática ou história.

Quando falo de Vinícius, você diz preferir Caio. Quando ouço Djavan, você cantarola Caetano. Nunca na mesma literatura, nunca na mesma sinfonia, nunca no mesmo espaço de tempo.

Eu me calo, você transborda dizeres. Você fica bravo, eu sorrio disfarçado. Eu abro o Word com correção automática, você rabisca o papel com a caneta.

Mas sem você eu me perco. Quando você não está aqui, ao redor, sou verso sem rima. Sou fim de frase morta. Sou ponto e vírgula. Nunca sou exclamação.

E sem mim você desanda. Se torna sorriso por obrigação. É um bom dia sem o desejo de ser bom. Você vira frase negativa.

Sem o nós, os nós desatam. Não há complemento. Eu deito no lado direito da cama, você coloca o travesseiro sobre a cabeça. E o sono abandona os dois.

Eu encaro a parede, você o teto. E os pensamentos se cruzam.

E é então que temos a certeza de que pra haver um, o outro tem que se fazer.

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